A responsabilidade compartilhada da alimentação saudável nas escolas

Promoção da alimentação saudável nas escolas exige equilíbrio entre legislação, custos e engajamento das famílias

Correio Braziliense
postado em 23/03/2026 18:45 / atualizado em 23/03/2026 19:52
Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (SINEPE/DF) -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (SINEPE/DF) - (crédito: Arquivo Pessoal)

 Ana Elisa Dumont*

A escola é, por essência, um espaço de formação integral. Mais do que transmitir conhecimentos acadêmicos, ela contribui diariamente para a construção de hábitos, valores e escolhas que acompanham crianças e jovens ao longo da vida. Por isso, quando falamos de alimentação saudável nas escolas, não estamos tratando apenas de cardápios, mas do tipo de futuro que estamos ajudando a construir.

Nos últimos anos, o Distrito Federal tem avançado na construção de normas e diretrizes voltadas à promoção de uma alimentação mais equilibrada no ambiente escolar. A legislação distrital estabelece parâmetros para o funcionamento das cantinas e para a oferta de alimentos nas escolas, públicas e particulares, com o objetivo de estimular práticas que contribuam para a saúde e o bem-estar dos estudantes.

Esse movimento dialoga com uma preocupação cada vez mais presente na sociedade: o impacto da alimentação na saúde física, no desenvolvimento cognitivo e no processo de aprendizagem. Estudos já demonstram que hábitos alimentares inadequados influenciam diretamente o rendimento escolar, o comportamento em sala de aula e a qualidade de vida das crianças e adolescentes. Uma criança bem alimentada aprende melhor.

No entanto, é importante reconhecer que a construção de ambientes alimentares mais saudáveis não depende apenas das escolas. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada entre educadores, famílias, poder público, profissionais de saúde e toda a comunidade escolar.

As escolas particulares do Distrito Federal têm feito a sua parte nesse processo. Muitas instituições vêm investindo em ações de educação alimentar, revisão de cardápios, orientação às cantinas terceirizadas e iniciativas pedagógicas que estimulam escolhas mais conscientes por parte dos estudantes.

Ainda assim, os desafios são reais. Gestores escolares lidam diariamente com a necessidade de equilibrar saúde, preferências dos alunos e viabilidade operacional das cantinas. Soma-se a isso um fator importante: o custo. Uma alimentação mais saudável, com menos produtos ultraprocessados, tende a ter um valor mais elevado, o que impacta não apenas as cantinas, mas também as famílias, que muitas vezes desejam essa mudança, mas encontram limitações no momento de arcar com esse custo.

Além disso, é preciso considerar que a alimentação no ambiente escolar não se restringe ao que é oferecido ou comercializado pelas instituições. Muitas crianças levam o lanche de casa, e nem sempre esse lanche está alinhado às diretrizes de uma alimentação mais equilibrada. Isso reforça a importância da participação ativa das famílias, tanto na compreensão desse processo quanto na adoção de práticas mais saudáveis no dia a dia.

É nesse cenário que o diálogo se torna indispensável. Espaços como o Fórum de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável nasEscolas do Distrito Federal cumprem um papel estratégico ao reunir representantes da educação, da saúde, do setor produtivo e da sociedade civil. A partir desse diálogo, é possível construir soluções viáveis, como a elaboração de materiais orientativos, ações de conscientização para famílias e estudantes e o compartilhamento de boas práticas entre as instituições.

O papel das entidades representativas também é fundamental. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF) tem acompanhado esse debate com atenção e busca contribuir para que as escolas tenham acesso a informações claras sobre a legislação e segurança para implementar as melhores práticas, respeitando sempre a autonomia de cada instituição e a realidade de sua comunidade.

Mais do que cumprir normas, o desafio é transformar diretrizes em cultura. Uma cultura que valorize a saúde, o diálogo com as famílias e o papel educativo da escola em todas as suas dimensões.

Promover hábitos alimentares saudáveis exige coerência entre o que se ensina e o que se pratica. Quando a mensagem da escola encontra respaldo dentro de casa, os resultados vão muito além do prato: contribuem para formar gerações mais saudáveis, conscientes e preparadas para o futuro.

O bem-estar dos nossos alunos deve estar no centro das nossas decisões. Afinal, educar é cuidar do futuro, e esse cuidado começa, também, pela alimentação.

*Ana Elisa Dumont é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF).

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