A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregará, em 22 de junho, aos pré-candidatos à Presidência da República o documento Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis. No capítulo dedicado à educação, a CNI defende que, para aumentar a competitividade do Brasil nas próximas décadas, é preciso investir em melhorias na qualidade da educação brasileira e na formação de profissionais que atuem em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês). Segundo o documento, no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 73% dos estudantes brasileiros de 15 anos, tiveram desempenho insuficiente em matemática — contrastando com 31% na média dos países integrantes da OCDE
A CNI aponta também o chamado apagão docente, que é a escassez de professores qualificados e afirma que o principal gargalo não é o acesso, mas a qualidade da aprendizagem, que está diretamente ligado à baixa atratividade da carreira docente, à formação desigual e ao déficit de professores qualificados – especialmente em áreas estratégicas como matemática, ciências e tecnologia. "A falta desses profissionais impacta diretamente o desenvolvimento de competências STEM, consideradas fundamentais para a economia digital e para a indústria do futuro", afirmou, em nota, o diretor superintendente do Serviço Social da Indústria (Sesi), Paulo Mól.
O que a indústria propõe
O texto da CNI organiza as recomendações em quatro frentes: educação básica, educação de jovens e adultos (EJA), formação docente e educação profissional e superior. Entre as medidas estão a criação de uma política nacional de fomento à formação em STEM por editais competitivos; a expansão da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), acessada por 11% dos concluintes da educação básica no Brasil x 44% na média da OCDE; a integração de pelo menos 25% das matrículas da EJA à educação profissional; e a instituição de um sistema nacional de credenciamento de instituições de EPT.
Na formação de professores, a instituição defende residência pedagógica, modernização das licenciaturas e atualização em metodologias ativas e uso pedagógico da IA. A Confederação recomenda, ainda, ampliar parcerias com o Sistema "S"— vinculado à própria confederação — para compartilhamento de laboratórios e residências pedagógicas com universidades e redes públicas.
Como instrumento de financiamento, o documento cita o Programa Juros por Educação, do Ministério da Educação (MEC), vinculado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, o programa permite que estados renegociem dívidas com a União em troca de aplicar pelo menos 60% dos juros economizados na expansão da EPT. Vinte e dois estados aderiram, com meta de 3,3 milhões de novas matrículas.
Segundo o documento, o Brasil forma 24 engenheiros para cada 100 mil habitantes — contra 98 na Coreia do Sul. Conforme dados do Censo da Educação Superior citados pela CNI, 17,5% dos estudantes brasileiros de graduação estão matriculados em cursos STEM.
Quem participa do evento
Realizado a cada quatro anos, A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis reúne pré-candidatos à Presidência e lideranças do Setor Industrial. Até a última segunda-feira (15/6), estavam previstas as presenças dos pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Ainda não há informações sobre a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição.
Anote
- O que: A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis
- Quando: 22 de junho, das 12h às 18h
- Onde: Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá