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Ecopedagogia coloca professores na linha de frente da crise climática

Formação dos educadores é fundamental na preparação das próximas gerações para cuidar do planeta, mas professores enfrentam desafios no cotidiano escolar

Correio Braziliense
postado em 05/08/2026 15:56 / atualizado em 05/08/2026 16:10
   -  (crédito: Crédito  /  Arquivo pessoal)
- (crédito: Crédito / Arquivo pessoal)

O avanço acelerado da crise climática deixou de ser uma preocupação restrita a especialistas para se tornar uma questão central da vida cotidiana. Enchentes extremas, ondas de calor, perda de biodiversidade e instabilidades sociais revelam um cenário em que a relação entre humanidade e natureza exige uma revisão profunda.

Diante desse panorama, a educação básica assume papel essencial na preparação das novas gerações, e isso passa necessariamente pela formação dos professores. Nesse contexto emergem dois conceitos fundamentais: ecoformação e ecopedagogia.

A ecoformação propõe compreender o desenvolvimento humano como um processo que integra três dimensões: o indivíduo, o coletivo e o ambiente. A formação docente guiada por essa perspectiva valoriza experiências que conectam os professores a seu contexto social e ambiental, fortalecendo uma postura consciente, ética e capaz de enfrentar incertezas cada vez mais presentes.

Já a ecopedagogia traduz esses princípios em práticas educativas. Ela entende a escola como espaço de vida e responsabilidade, onde questões socioambientais não podem ser tratadas como temas isolados, mas como parte da estrutura que organiza o currículo, as metodologias e o olhar pedagógico. Seu objetivo é desenvolver consciência ecológica crítica, estimular o diálogo e promover uma compreensão integrada entre natureza, tecnologia, cultura e comunidade.

Embora a relevância desses temas seja reconhecida, os professores ainda enfrentam obstáculos significativos para incorporá-los ao cotidiano escolar. Persistem modelos de ensino fragmentados, baseados em lógicas disciplinares rígidas e pouco conectadas à realidade complexa vivida pelos alunos. Também há lacunas na formação continuada, muitas vezes centrada na atualização técnica, e não na construção de competências mais amplas, como pensamento sistêmico, leitura crítica do território e sensibilidade para as interdependências entre sociedade e natureza.

Superar esse distanciamento exige abordagens formativas que ofereçam espaço para reflexão, diálogo e colaboração. Nesse campo, iniciativas de educação aberta e recursos formativos digitais têm ampliado o acesso de professores a conteúdos que integram ciência, meio ambiente, cultura e cidadania. Materiais online e gratuitos, como a coleção Fronteiras que Conectam,desenvolvida pela PUCPRESS em parceria com a FTD Educação, por exemplo, podem estimular práticas pedagógicas inovadoras e alinhadas aos grandes desafios contemporâneos.

A adoção da ecopedagogia e da ecoformação não representa apenas uma escolha metodológica, mas uma resposta à urgência civilizatória. Em um mundo marcado por crises ambientais e sociais profundas, a educação precisa ajudar estudantes a compreender a interdependência que sustenta a vida. Isso demanda professores preparados para transitar entre saberes, acolher a diversidade,trabalhar colaborativamente e promover aprendizagens que conectem o local ao global.

Mais do que formar alunos capazes de responder às demandas acadêmicas,trata-se de educar cidadãos planetários: sujeitos sensíveis,críticos e comprometidos com a preservação da vida em todas as suas dimensões. A escola é um dos poucos espaços sociais capazes de promover essa transformação, mas isso só se concretiza quando os educadores são fortalecidos e reconhecidos como protagonistas desse processo.

Diante da gravidade da crise climática, a pergunta já não é se devemos integrar ecoformação e ecopedagogia à formação docente, mas como acelerar essa mudança. A educação, ao adotar essas perspectivas,não resolve todos os desafios, mas dá um passo decisivo para reconstruir uma relação mais equilibrada entre humanidade e planeta. E esta é uma necessidade inadiável para o presente e para o futuro.

*Isabelle Porteles é graduada em Letras – Português/Inglês, com pós-graduações em Docência do Ensino Superior, Teologia e Administração e Supervisão Escolar – Gestão. É mestranda em Educação na PUCPR, na linha de pesquisa Formação de Professores,e atua como Gerente de Desenvolvimento Educacional na FTD Educação,articulando teoria e prática na construção de propostas educacionais inovadoras e humanizadoras.

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