Ideb

Ideb 2025: todas as unidades da federação alcançaram o melhor índice do Ideb desde 2005

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foram divulgados nesta quarta-feira

Caetano Yamamoto
postado em 05/08/2026 17:00 / atualizado em 05/08/2026 17:24
Ministério divulga dados do Ideb 2025 -  (crédito: Divulgação MEC)
Ministério divulga dados do Ideb 2025 - (crédito: Divulgação MEC)

O ensino brasileiro alcançou o melhor índice do Ideb 2025 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da série histórica (2005-2025), mas nenhuma unidade da federação alcançou as metas previstas. Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025, calculados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram divulgados nesta quarta-feira (5/8). 

Durante a coletiva, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que esses são os resultados mais altos já registrados e representam o maior aumento acumulado da série histórica ao considerar os três níveis da educação básica (anos iniciais e finais do fundamental, além do ensino médio). “Nestes 20 anos, enfrentamos os três problemas históricos da educação: o acesso, que está praticamente resolvido; a trajetória (fluxo escolar), que era um problema crônico no Brasil, com as piores taxas do mundo há duas décadas; e a aprendizagem. O Ideb e o compromisso nacional foram criados para isso. O pacto da sociedade e as alterações legislativas, bem como a implementação de programas governamentais nos últimos 20 anos, visavam exatamente nos trazer até este momento”, afirmou.

Segundo o levantamento, todas as unidades da federação tiveram resultados superiores nos anos iniciais do ensino fundamental, cujo índice passou de 6 para 6,3 em 2025. Em relação ao último levantamento, 25 Unidades da Federação (UFs) apresentaram aumento na pontuação. O Distrito Federal e Espírito Santo permaneceram com a mesma pontuação 6,4 e 6,3, respectivamente. Paraná liderou a lista nos dois estudos e atingiu 7,0 no índice atual, e, em 2023, o estado marcou 6,7. Com a maior recuperação, estão Pará, que registrou 5,1 e Amapá, com 5,0 em 2023 e em 2025 apresentaram 5,6 e 5,5.

O documento considerou os dados dos anos de 2023 e de 2025, em uma escala de 0 a 10. Na análise do ensino fundamental brasileiro, foram verificadas 101 mil escolas, com 14,5 milhões de matrículas. Deste total, 10,2 milhões de alunos estão na rede municipal de ensino, que concentra 70,3% do total de matrículas dos anos iniciais e 87,3% dos alunos da rede pública. Na rede privada de ensino o número é de 2,8 milhões de alunos; 1,4 milhão de alunos está na rede estadual de ensino (10,2%); e 7 mil alunos estão na rede federal de ensino (4,8%).

Nos anos finais do ensino fundamental — com 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas —, 24 unidades federais tiveram índices maiores, dois estados, Roraima e e Tocantins ficaram estáveis e um estado registrou queda. No ensino médio — que corresponde a 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas —, 23 unidades  subiram o Ideb, três mantiveram os índices de 2023 e uma registrou queda.

Índices por Unidade Federativa
Índice dos anos finais por UF (foto: João Pedro de Lara Resende)

Nos anos iniciais, 3.256 municípios tiveram nota acima de 6,0, o que representa 58% ante 2.416 em 2023. O estudo afirma que houve queda de 60% no número de municípios com nota menor que 4,9: de 1.097 municípios para 442.

O titular da pasta de educação revelou que os 442 municípios com a nota menor que 4,9 serão chamados pelo Ministério da Educação para receber assistência técnica direta, especializada, individualizada. Barchini diz que esta é a “última milha”para que todas as cidades possam oferecer uma educação de qualidade como mínimo uma nota cinco. 

“A gente quer que todos (municípios) atinjam a meta, mas a gente sabe que esses 442 são os municípios que, não por coincidência, são muito vulneráveis socioeconomicamente e a gente do ministério precisamos olhar para todos e é simbólico que a gente traga esses municípios para perto do Ministério da Educação e acompanhe a trajetória desses 442 que faltam. Ninguém vai ficar para trás”, ressaltou. 


Índice por Unidade Federativa
Índice dos anos iniciais por Unidade Federativa (foto: João Pedro de Lara Resende)

Outro ponto destacado pelo estudo foram as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O relatório aponta que a média nacional de português passou de 215,1 pontos, em 2023, para 219,3, em 2025; em matemática, o crescimento foi de 227,4 para 232,3 pontos.

No Distrito Federal, a nota média do Saeb nos anos iniciais registrou queda de 0,4 ponto, fechando em 6,24. No 5º ano do ensino fundamental, o DF teve uma leve redução de 0,42 ponto em português, atingindo 217,57, enquanto em matemática houve um avanço de 3 pontos, totalizando 228,27. Com isso, o índice de rendimento — que mede o fluxo escolar por meio de aprovação, reprovação e abandono — subiu para 0,96 no DF.

No 9º ano do ensino fundamental, a média local em português cresceu cerca de dois pontos, passando de 250,89 em 2023 para 252,02 em 2025. Em matemática, o indicador avançou de 247,08 para 249,90 pontos. Já a nota padronizada subiu 0,05, alcançando a marca de 5,02. Em contrapartida, as escolas de ensino médio do DF amargaram quedas em todas as avaliações. O pior desempenho ocorreu em matemática, com recuo de 1,89 ponto (263,41), seguida por português, que diminuiu 0,54 ponto, fixando-se em 270,30.

Índice dos anos finais por UF
Índice ensino médio por UF (foto: João Pedro de Lara Resende)

 

O levantamento revela também um avanço na taxa de aprovação de estudantes em todas as etapas da educação básica, atingindo a segunda maior marca histórica da série. No ensino médio brasileiro, o índice saltou de 70,6% em 2005 para 94,3% em 2025. O crescimento também se consolidou no ensino fundamental: nos anos iniciais, o percentual de aprovados subiu de 80% para 98%, enquanto nos anos finais a taxa passou de 75% para 95,7%.

Matéria com contribuição de Marília Milhomen

 

 

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