O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio público subiu 1,2 ponto desde o início da série histórica, em 2005, passando de 3,1 para 4,3. A maior parte desse avanço aconteceu na última década: entre 2015 e 2025, o crescimento foi de 0,8 ponto.
Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (5/8) pelo Ministério da Educação (MEC).
Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, o avanço é relevante, mas insuficiente. "É mais lento do que nas etapas do ensino fundamental e muito mais lento do que gostaríamos para os desafios do ensino médio", avalia.
Henriques destaca, porém, que a escola média brasileira passou por uma transformação de escala. Segundo ele, em 2005, 46% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio. Em 2025, são 81%. "A escola passou a acolher um público muito maior e mais diverso. Essa é uma das maiores conquistas da educação brasileira nas últimas duas décadas", afirma.
O peso da aprovação
O Ideb é composto por dois fatores: a nota dos alunos em português e matemática e a taxa de aprovação. Os dois se multiplicam.
Na rede pública do ensino médio, a taxa de aprovação saiu de 75,1% em 2005 para 94,4% em 2025. Em dez das 27 unidades da federação, ela supera 95%.
Henriques reconhece que há uma preocupação sobre se os jovens estão sendo aprovados sem garantia de aprendizagem. "Mas quando esse movimento é combinado com o aumento da aprendizagem, que foi o caso de vários estados do país, isso é muito positivo", pondera.
Para ele, o próximo passo não é escolher entre um e outro. "Como a melhoria na aprovação está perto do limite em muitos estados, o caminho agora é garantir a aprendizagem adequada, significativa e em níveis bem maiores do que geramos até aqui."
A etapa que não bateu a meta
O primeiro ciclo de metas do Ideb, fixado em 2007, previa que o ensino médio chegasse a 5,2 até 2021. Em 2025, o resultado é de 4,5 na rede total e de 4,3 na pública — ambos abaixo do patamar esperado para quatro anos atrás.
Não há metas oficiais para as duas últimas edições. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) constituiu grupo técnico para elaborar o segundo ciclo.
Henriques resume o desafio que vem pela frente: "Permanência na escola sem aprendizagem não basta. Aprendizagem sem permanência também não. Os níveis de aprendizagem precisam ser maiores do que geramos até hoje."