Instituto Ayrton Senna destaca melhoria em língua portuguesa e matemática

Índice subiu nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. Avanço veio acompanhado de melhora na aprendizagem, não apenas na aprovação

Correio Braziliense
postado em 05/08/2026 18:16
  Daiane Zanon, gerente-executiva de Dados, Avaliação e Monitoramento do Instituto Ayrton Senna:
Daiane Zanon, gerente-executiva de Dados, Avaliação e Monitoramento do Instituto Ayrton Senna: "O avanço veio acompanhado de melhora na aprendizagem" - (crédito: Divulgação/ Instituto Ayrton Senna)

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) alcançou em 2025 o maior resultado de toda a série histórica nas três etapas da educação básica. Os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 6,0 para 6,3, os anos finais de 5,0 para 5,3 e o ensino médio de 4,3 para 4,5.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5/8) pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para Daiane Zanon, gerente-executiva de Dados, Avaliação e Monitoramento do Instituto Ayrton Senna, o resultado ganha significado pela forma como foi construído. "O avanço não ocorreu apenas porque mais estudantes foram aprovados: ele veio acompanhado de melhora na aprendizagem, medida pelo Saeb em língua portuguesa e matemática", avalia. "Isso é um sinal positivo porque indica que o país está conseguindo combinar mais aprendizagem e melhor fluxo escolar."

Na rede pública, o resultado passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.

Um índice que mudou a política educacional

Zanon destaca que o maior legado do Ideb aparece quando se olham as últimas duas décadas. "Ele colocou os resultados da educação no centro do debate público, fortaleceu a cultura de monitoramento e permitiu que redes de ensino passassem a definir metas, acompanhar sua evolução e ajustar políticas com base em evidências", afirma.

Na base do sistema, o avanço aparece com clareza. O número de municípios com Ideb de 6,0 ou mais nos anos iniciais da rede municipal cresceu de 2.416 para 3.256 — hoje, 58% dos municípios do país estão nessa faixa. Na outra ponta, as cidades com nota até 4,9 caíram de 1.097 para 442.

 

(foto: Eu, Estudante)

Nos anos iniciais, todas as 27 unidades da federação tiveram resultado superior ao de 2023. Nos anos finais, 24 subiram, duas ficaram estáveis e um estado registrou queda. No ensino médio, 23 subiram, três mantiveram o índice e uma UF caiu.

Equidade como próximo passo

Para a especialista, o debate sobre o futuro do indicador precisa avançar. "O desafio é aprimorá-lo para mostrar com mais clareza quem está aprendendo e quem continua ficando para trás, perpetuando as desigualdades educacionais", diz. "Um Ideb que combine aprendizagem, fluxo e equidade pode fortalecer ainda mais sua capacidade de orientar políticas públicas."

O primeiro ciclo de metas do Ideb, fixado em 2007, encerrou-se em 2021. Não há metas oficiais para as duas últimas edições. O Inep constituiu grupo técnico para elaborar o segundo ciclo.

Tomada a meta de 2021 como referência, os anos iniciais a superaram com o resultado atual — 6,3 contra 6,0. Os anos finais ficam 0,2 ponto abaixo e o ensino médio, 0,7.

No Distrito Federal

Brasília ficou estagnada nos anos iniciais, com 6,4 pela terceira edição consecutiva, e subiu de 5,0 para 5,1 nos anos finais. No ensino médio, o DF registrou queda de 4,2 para 4,1.

O que é o Ideb

O índice foi criado em 2007 e vai de 0 a 10. Ele combina a nota dos alunos em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com a taxa de aprovação apurada pelo Censo Escolar. A divulgação ocorre a cada dois anos.

O Ideb de 2025 retrata 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais, 11,2 milhões nos anos finais e 7,3 milhões no ensino médio. Os resultados por escola podem ser consultados no portal do Inep.

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