O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) alcançou em 2025 o maior resultado de toda a série histórica nas três etapas da educação básica. Os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 6,0 para 6,3, os anos finais de 5,0 para 5,3 e o ensino médio de 4,3 para 4,5.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5/8) pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Para Daiane Zanon, gerente-executiva de Dados, Avaliação e Monitoramento do Instituto Ayrton Senna, o resultado ganha significado pela forma como foi construído. "O avanço não ocorreu apenas porque mais estudantes foram aprovados: ele veio acompanhado de melhora na aprendizagem, medida pelo Saeb em língua portuguesa e matemática", avalia. "Isso é um sinal positivo porque indica que o país está conseguindo combinar mais aprendizagem e melhor fluxo escolar."
Na rede pública, o resultado passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.
Um índice que mudou a política educacional
Zanon destaca que o maior legado do Ideb aparece quando se olham as últimas duas décadas. "Ele colocou os resultados da educação no centro do debate público, fortaleceu a cultura de monitoramento e permitiu que redes de ensino passassem a definir metas, acompanhar sua evolução e ajustar políticas com base em evidências", afirma.
Na base do sistema, o avanço aparece com clareza. O número de municípios com Ideb de 6,0 ou mais nos anos iniciais da rede municipal cresceu de 2.416 para 3.256 — hoje, 58% dos municípios do país estão nessa faixa. Na outra ponta, as cidades com nota até 4,9 caíram de 1.097 para 442.
Nos anos iniciais, todas as 27 unidades da federação tiveram resultado superior ao de 2023. Nos anos finais, 24 subiram, duas ficaram estáveis e um estado registrou queda. No ensino médio, 23 subiram, três mantiveram o índice e uma UF caiu.
Equidade como próximo passo
Para a especialista, o debate sobre o futuro do indicador precisa avançar. "O desafio é aprimorá-lo para mostrar com mais clareza quem está aprendendo e quem continua ficando para trás, perpetuando as desigualdades educacionais", diz. "Um Ideb que combine aprendizagem, fluxo e equidade pode fortalecer ainda mais sua capacidade de orientar políticas públicas."
O primeiro ciclo de metas do Ideb, fixado em 2007, encerrou-se em 2021. Não há metas oficiais para as duas últimas edições. O Inep constituiu grupo técnico para elaborar o segundo ciclo.
Tomada a meta de 2021 como referência, os anos iniciais a superaram com o resultado atual — 6,3 contra 6,0. Os anos finais ficam 0,2 ponto abaixo e o ensino médio, 0,7.
No Distrito Federal
Brasília ficou estagnada nos anos iniciais, com 6,4 pela terceira edição consecutiva, e subiu de 5,0 para 5,1 nos anos finais. No ensino médio, o DF registrou queda de 4,2 para 4,1.
O que é o Ideb
O índice foi criado em 2007 e vai de 0 a 10. Ele combina a nota dos alunos em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com a taxa de aprovação apurada pelo Censo Escolar. A divulgação ocorre a cada dois anos.
O Ideb de 2025 retrata 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais, 11,2 milhões nos anos finais e 7,3 milhões no ensino médio. Os resultados por escola podem ser consultados no portal do Inep.