O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) subiu nas três etapas da educação básica e alcançou o maior resultado desde o início da série histórica, em 2005. Os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 6,0 para 6,3, os anos finais de 5,0 para 5,3 e o ensino médio de 4,3 para 4,5.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5/8) pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, o resultado é um marco. "Os resultados demonstram o valor de concentrar esforços, com políticas articuladas, uso de evidências e apoio às redes públicas e equipes escolares, para reduzir desigualdades e assegurar que cada estudante desenvolva plenamente seu potencial", afirma.
Avanço combina aprendizagem e fluxo
Guedes destaca que a melhora não veio de um fator isolado. "Esse movimento é relevante porque o Ideb combina dois componentes fundamentais da qualidade da educação: a aprendizagem em língua portuguesa e matemática, medida pelo Saeb, e o fluxo escolar, representado pelas taxas de aprovação", explica. "Isso significa que os resultados indicam um avanço simultâneo na capacidade de os estudantes aprenderem e progredirem em sua trajetória escolar."
Nos anos iniciais, o resultado superou em 0,3 ponto a meta nacional do primeiro ciclo do Ideb, que era de 6,0 para 2021. É a única etapa em que o país ultrapassou o patamar esperado, ainda que quatro anos após o prazo.
Na rede pública, o índice passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.
O ponto de atenção: do 6º ao 9º ano
O alerta da superintendente recai sobre a etapa que fica entre a alfabetização e o ensino médio. "Os anos finais do ensino fundamental continuam sendo o elo mais sensível dessa trajetória e precisam ocupar um lugar cada vez mais prioritário nas políticas públicas", avalia. "É preciso que os ganhos conquistados nos primeiros anos não se percam ao longo da escolarização."
Os dados sustentam a preocupação. Nos anos finais, o Ideb avançou 0,3 ponto em duas edições, mas permanece 0,2 abaixo da meta que estava prevista para 2021. No ensino médio, a distância é de 0,7 ponto.
O que é o Ideb
O índice foi criado em 2007 e vai de 0 a 10. Ele combina a nota dos alunos em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com a taxa de aprovação apurada pelo Censo Escolar.
O Ideb de 2025 retrata 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais, 11,2 milhões nos anos finais e 7,3 milhões no ensino médio. Os resultados por escola podem ser consultados no portal do Inep.