Por Ana Vitória Calisto*
O Brasil está entre os países que mais avançaram em proficiência nas últimas duas décadas no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que acontece a cada três anos em todos os continentes.
Dados do Pisa 2025 foram divulgados nessa terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na comparação com 2006, o Brasil aparece na 7ª posição entre os países que mais avançaram em leitura e matemática e na 8ª em ciências. Apesar do avanço, o desempenho em matemática preocupa, pois apenas 28% dos estudantes brasileiros que fizeram a prova chegaram a atingir o nível 2 de proficiência, considerado básico pela OCDE, responsável por coordenar a avaliação.
Em 2025, os estudantes brasileiros alcançaram 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências. Apesar da melhora observada nesse período de 19 anos, o país permanece abaixo da média dos países da OCDE.
Para Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, os resultados precisam ser analisados além da comparação histórica. "O resultado precisa ser lido com certo cuidado. É positivo observar que, olhando para as últimas duas décadas, o Brasil reduziu a distância em relação aos países da OCDE. Mas isso não significa que tivemos uma melhora expressiva nesta edição", avalia.
De acordo com o especialista, a principal preocupação está na parcela de estudantes que não alcança o nível básico de matemática. O nível 2 exige, entre outras habilidades, que o aluno consiga interpretar situações relativamente simples e identificar como representá-las matematicamente. "Não estamos falando apenas de realizar cálculos, mas de compreender uma situação, estabelecer relações, escolher estratégias e utilizar a matemática para resolver problemas", afirma o mestre em matemática.
A ideia do Pisa é avaliar justamente a capacidade dos estudantes de aplicar conhecimentos e habilidades a situações do cotidiano, em vez de de verificar apenas a reprodução de conteúdos. Em matemática, o exame considera habilidades relacionadas ao raciocínio e à capacidade de formular, empregar e interpretar conhecimentos para solucionar problemas. "O desafio é fazer com que o estudante deixe de apenas executar procedimentos e passe, cada vez mais, a compreender o que está fazendo e por que está fazendo", diz Lima.
Desempenho brasileiro
A edição de 2025 contou com cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 estudantes, sendo 84,7% matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio no período de aplicação. As provas foram aplicadas entre abril e maio de 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é o responsável pela coordenação do exame no Brasil.
Além das provas, o Pisa aplica questionários sobre experiências escolares, aprendizagem e percepções dos estudantes. Os dados de 2025 mostram que 16% dos brasileiros consideram a escola uma perda de tempo, percentual inferior à média de 24% que foi registrada entre os países da OCDE.
Os resultados apontam uma relação entre valorização da escola e o desempenho em Ciências. No Brasil, estudantes que reconhecem o valor da educação e não consideram a educação perda de tempo tiveram, em média, 35 pontos a mais na área.
Estagiária sob a supervisão de Ana Sá