Eu, Estudante

Estudantes criam competição de investimentos em Brasília

Após conquistar o 2º lugar em uma competição internacional da Universidade da Pensilvânia, alunos do ensino médio lançam desafio gratuito e plataforma de educação financeira para jovens

*Por Ana Bispo Calisto

A experiência de chegar ao pódio de uma das principais competições estudantis de investimentos do mundo inspirou os quatro alunos do Colégio Marista de Brasília. Depois de conquistar o 2º lugar na Wharton Global High School Investment Competition, organizada pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Adriano Bonfim, Gustavo Huss, Luiz Braun e Natan Torres decidiram transformar o conhecimento adquirido em uma iniciativa voltada a outros estudantes.

O resultado foi a criação do Brasília Finance Challenge (BFC), competição gratuita de investimentos aberta a alunos do 8º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio de escolas de todo o Brasil. As inscrições ficam abertas até esta sexta-feira (18).

A proposta nasceu da percepção dos estudantes de que o contato com finanças ainda é limitado durante a formação escolar. “Nós formos os primeiros a chegar na Wharton  mas não queremos ser os últimos ”, afirma Natan Torres, de 17 anos. Para ele, o objetivo é fazer com que outros jovens tenham acesso à mesma oportunidade de aprendizado que o grupo teve.

Aprender na prática

O BFC reproduz parte da dinâmica vivenciada pelos estudantes na competição da Wharton. As equipes assumem o papel de gestoras de investimentos e precisam montar um portfólio de acordo com o perfil e as necessidades de um cliente institucional simulado.

A primeira fase começa segunda-feira (21) e segue até 18 de outubro. Os participantes terão acesso a uma carteira fictícia de US$ 100 mil e utilizarão um simulador com dados do mercado em tempo real para tomar decisões de investimento. Além da operação, cada equipe deverá produzir um relatório de até cinco páginas explicando a estratégia adotada.

As cinco equipes com as maiores pontuações avançam para a final presencial, prevista para 30 e 31 de outubro, em Brasília. Na etapa decisiva, os estudantes terão oito minutos para apresentar a estratégia a uma banca de profissionais do mercado financeiro e, em seguida, responderão a perguntas dos jurados.

Para Adriano Bonfim, de 17 anos, a experiência da Wharton mostrou que a prática foi fundamental para a formação da equipe.

Arquivo pessoal - Adriano Bonfim, Gustavo Huss, Luiz Braun e Natan Torres recebendo o prêmio da Wharton Global High School Investment Competition

“Quando a gente começou esse projeto, a gente não sabia praticamente nada de finanças, muita coisa a gente aprendeu na prática. Acho que isso é o principal que a gente percebeu da competição, que você aprende muitas coisas ali na hora e é isso que a gente quer trazer para o Brasil”, conta.

A primeira colocação do BFC receberá R$ 5 mil, enquanto a segunda e a terceira equipes receberão R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. Os valores serão depositados em contas de investimento vinculadas à Blue3 Investimentos. As equipes classificadas em quarto e quinto lugares receberão certificados de finalistas.

Conhecimento além da competição

A competição é apenas uma das frentes do projeto. Paralelamente ao BFC, os estudantes desenvolveram uma plataforma gratuita de educação financeira, chamada BFE, com videoaulas que vão desde conceitos básicos até conteúdos mais avançados.

A intenção é atender tanto quem nunca teve contato com o mercado financeiro quanto estudantes interessados em aprofundar os conhecimentos para competições de investimento.

Entre os assuntos abordados estão conceitos básicos de economia e finanças, como Produto Interno Bruto (PIB) e inflação, além de conteúdos voltados à análise de investimentos.

Adriano é responsável pela edição dos vídeos e pela publicação do material na plataforma. Já Natan e Luiz participam principalmente da gravação das aulas.

Projeto criado por estudantes

A iniciativa também exige dos quatro jovens habilidades que vão além do conhecimento financeiro. Gustavo Huss, de 17 anos, foi quem encontrou a competição da Wharton e convidou os amigos para participar. Hoje, ele concentra parte da organização e da estrutura tecnológica do projeto.

Foi Gustavo quem desenvolveu o site, a plataforma educacional e configurou o simulador utilizado pelos participantes. Ele também criou uma ferramenta de inteligência artificial que ficará disponível para os estudantes durante o projeto.

Na busca por apoio financeiro, o grupo procurou empresas e instituições que pudessem contribuir para a realização da competição. Entre os apoiadores está a Blue3 Investimentos.

“Eu fui atrás do pessoal da marca. Eles têm dado esse apoio, na hora de dar o dinheiro e distribuir a conta”, relata Gustavo. Segundo ele, outras parcerias devem ser anunciadas posteriormente.

A banca da competição também reúne profissionais do mercado financeiro, além de representantes do meio acadêmico. Parte dos jurados veio da própria Blue3, enquanto outros profissionais se ofereceram para participar depois de conhecer o projeto. 

Desafios

A iniciativa, no entanto, também trouxe dificuldades. Natan conta que, em algumas escolas, os estudantes tiveram de lidar com o desafio de não serem levados a sério por causa da idade. Ao mesmo tempo, os quatro precisam conciliar a organização do projeto com as aulas e a preparação para os vestibulares. O apoio de colegas, familiares e da própria escola tem sido importante para manter o projeto em funcionamento.

“Não queremos ser os últimos”

A trajetória dos quatro começou com uma competição internacional e, em pouco mais de um ano, passou a envolver organização de eventos, criação de conteúdo, desenvolvimento de tecnologia e articulação com empresas e instituições.

Para os estudantes, o objetivo agora é ampliar o alcance da iniciativa. “Criamos essa iniciativa para repassar esse conhecimento para a comunidade local”, resume Gustavo. Mais do que reproduzir a competição que inspirou os quatro jovens, o projeto pretende criar novas oportunidades para estudantes que ainda não tiveram contato com o universo das finanças.

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá