Línguas

Curso gratuito de coreano da UnB abre pré-matrícula nesta sexta-feira (7/8)

Instituto Rei Sejong Brasília oferta pelo menos 50 vagas no nível introdutório e seleciona por sorteio. No semestre passado, 173 pessoas disputaram o mesmo número de vagas

João Pedro de Lara Resende
postado em 03/08/2026 18:00 / atualizado em 03/08/2026 19:06
EU_estudante-0208-Coreano -  (crédito: maurenilson)
EU_estudante-0208-Coreano - (crédito: maurenilson)

O Instituto Rei Sejong Brasília abre nesta sexta-feira (7/8) o formulário de pré-matrícula para as turmas presenciais de língua coreana do 2º semestre de 2026. O prazo vai até 13 de agosto, e as inscrições devem ser feitas pelo formulário no site do instituto (reisejong.unb.br) e nas redes sociais do programa. Serão ofertadas pelo menos 50 vagas no nível introdutório, o Sejong 1A, e as demais turmas dependem da demanda. O curso não cobra matrícula nem mensalidade.

Vinculado ao Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET) do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB), o instituto funciona como programa de extensão, em cooperação com a Fundação Instituto Rei Sejong, da Coreia do Sul, e com a Universidade de Estudos Estrangeiros de Busan. Quem conclui o curso recebe dois certificados: um da fundação coreana, válido na rede internacional de institutos, e outro da UnB, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

 

Marcus Lira (diretor), Sojoung Kim (professora), Sarah Khalli (coordenadora) e Hyunju Kim (professora)
Marcus Lira (diretor), Sojoung Kim (professora), Sarah Khalli (coordenadora) e Hyunju Kim (professora) (foto: Arquivo pessoal )

A procura supera a oferta desde a inauguração, em 2018. No semestre passado, 173 pessoas se pré-matricularam para disputar as 50 vagas do nível inicial. "A lista de espera sempre ultrapassa a barreira de centenas de pessoas, mesmo tendo frequentemente mais de 200 matrículas efetuadas por semestre", afirma o diretor do instituto, Marcus Lira, que também chefia o LET. Segundo ele, no primeiro ano de funcionamento as filas chegavam a 600 interessados — menos de 10% conseguiam vaga.

Como funciona a seleção

 

Antes da pré-matrícula, o instituto aplica uma pesquisa de interesse nas redes sociais para mapear os horários disponíveis dos candidatos. São duas etapas distintas. "Como temos um corpo docente limitado, queremos saber quem pode estudar em quais horários", explica Lira. "Assim, não corremos o risco de oferecer turmas num horário em que ninguém pode."

No nível introdutório, a seleção é feita por sorteio entre os pré-matriculados. Nos semestres seguintes, a prioridade é dos alunos que cursaram o período anterior, e as vagas remanescentes voltam ao sorteio. Quem tem conhecimento prévio da língua faz um teste de nivelamento na plataforma da Fundação Instituto Rei Sejong e envia o resultado junto com o formulário. As provas de nivelamento serão realizadas nos dias 12 e 13 de agosto, seguidas de entrevista online com o corpo docente para confirmação do nível.

O curso é exclusivamente presencial. Não há previsão de turmas a distância. Estudantes da UnB podem pedir concessão de créditos e levar as horas cursadas para o histórico escolar. Para frequentar o Campus Darcy Ribeiro, é preciso ter mais de 18 anos ou ser aluno regular de graduação da universidade. A compra do material é obrigatória: o par de livros da fundação coreana, com livro-texto e livro de exercícios, custa cerca de R$ 200, valor que varia conforme o câmbio no momento da encomenda.

Quem mora fora do Distrito Federal ou não conseguir vaga pode estudar pela plataforma Nuri Sejong Hakdang (nuri.iksi.or.kr), mantida pela Fundação Instituto Rei Sejong. Os primeiros níveis estão disponíveis em português, com trilhas sobre cultura, culinária e viagens pela Coreia do Sul.

2,2 mil matrículas, oito formados

O instituto contabiliza mais de 2,2 mil matrículas em 274 turmas em sete anos. Nesse período, uma única turma concluiu o curso completo, com oito alunos. Outra deve se formar no próximo semestre.

Lira aponta dois motivos. O primeiro é a curva de aprendizado das línguas asiáticas. "A quantidade de formandos tende a ser muito menor do que a de ingressos", diz o diretor, que atuou originalmente com língua japonesa. "Elas exigem muito mais tempo de estudo por terem menos palavras de origem comum e uma gramática menos similar." O primeiro semestre é o mais acessível, porque o sistema de escrita coreano é simples de aprender. A partir daí, a exigência cresce. "Recomendamos que os estudantes estudem fora de sala de aula, pelo menos durante o mesmo número de horas de instrução em sala de aula", afirma.

O segundo motivo é estrutural. Com corpo docente reduzido, o instituto não consegue oferecer todos os níveis em todos os horários, o que interrompe a trajetória de parte dos matriculados. São oito níveis, um por semestre — o curso inteiro dura quatro anos.

Mercado procura quem fala coreano

Para ampliar a oferta a médio e longo prazo, a UnB analisa a criação de uma licenciatura em língua coreana. O processo depende de trâmites internos e não tem data. "Apesar de estarmos em fase de desenvolvimento e negociação, ainda não temos uma previsão de quando nossos planos podem sair do papel, mas estamos deixando tudo pronto para o momento em que surgir uma chance", diz Lira. "Assim que permitirem, quero que tenhamos a faca, o queijo (e o kimchi) na mão." O instituto também estuda passar a cobrar taxa de matrícula para financiar a expansão.

A demanda, segundo o diretor, extrapola a sala de aula. "São pouquíssimas pessoas hoje em dia qualificadas não só para ensinar a língua, mas com fluência suficiente para lidar com a língua no dia a dia", afirma. Parte dos alunos formados trabalha com algo relacionado ao coreano mesmo sem diploma de graduação específico. "Algo que frequentemente começa a partir de um hobby ou curiosidade pode se tornar uma carreira para quem levar a sério e se dedicar."

Cinema, escrita coreana e intercâmbio

O instituto realiza pelo menos dez eventos gratuitos por ano, abertos ao público. A próxima mostra de cinema está prevista para 25 de setembro, durante a Semana Universitária da UnB. O Dia da Escrita Coreana ocorre tradicionalmente em outubro. O Test of Proficiency in Korean (TOPIK), exame de proficiência exigido para estudo, trabalho e alguns tipos de visto na Coreia do Sul, é aplicado uma vez por ano em Brasília, sempre no 1º semestre.

A universidade mantém acordos com nove instituições coreanas, entre elas a Universidade de Estudos Estrangeiros de Busan, a Universidade Dankook, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Hankuk, a Universidade Sungkyunkwan e a Universidade Feminina de Sungshin. Os editais de intercâmbio são publicados pela Secretaria de Assuntos Internacionais (INT). O instituto ainda oferece iniciação científica em língua coreana a estudantes do Instituto de Letras e atua em parceria com o Núcleo de Estudos Asiáticos (NEASIA) do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares.

Além do diretor, a equipe é formada pela coordenadora Sarah Khalli e pelas professoras Sojoung Kim e Hyunju Kim.

ANOTE

  • Pré-matrícula: de 7 a 13 de agosto, por formulário no site e nas redes sociais do instituto;
  • Vagas: pelo menos 50 no nível introdutório (Sejong 1A); demais níveis conforme a demanda;
  • Seleção: sorteio entre os pré-matriculados; prioridade para alunos do semestre anterior;
  • Nivelamento: provas nos dias 12 e 13 de agosto; teste online na plataforma da Fundação Instituto Rei Sejong, seguido de entrevista online com o corpo docente;
  • Custo: sem matrícula e sem mensalidade; livros obrigatórios custam cerca de R$ 200 o par;
  • Idade: acesso ao Campus Darcy Ribeiro apenas para maiores de 18 anos ou alunos regulares de graduação da UnB;
  • Formato: presencial (não há turmas a distância; para EAD, a Fundação Instituto Rei Sejong oferece aulas gratuitas na plataforma Nuri Sejong Hakdang, em nuri.iksi.or.kr);
  • Onde: Instituto Central de Ciências (ICC), Módulo 4, Campus Darcy Ribeiro;
  • Site: reisejong.unb.br
  • Instagram: @institutoreisejongbsb

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

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