O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vai substituir o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) como instrumento de avaliação do 3º ano do ensino médio a partir de 2027. A confirmação foi feita pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios, durante o 6º Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco nesta quarta-feira (26/8), em São Paulo.
Na prática, o Enem acumula duas funções: segue como porta de entrada para o ensino superior e passa a ser a principal ferramenta de diagnóstico da aprendizagem no fim da educação básica.
Segundo Palácios, a mudança amplia o alcance da avaliação. Hoje, o Saeb mede o desempenho da rede pública de forma censitária, mas avalia as escolas particulares apenas por amostragem, com margem de erro significativa. Com o Enem no lugar, todas as escolas do país, públicas e privadas, passam a ter dados anuais e detalhados.
"Vamos ter informação detalhada, censitária, para todo o sistema de educação básica do país", afirmou Palácios ao Correio.
A expectativa do Inep é de que 80% dos concluintes do ensino médio façam a prova na escola onde estudam. A inscrição automática para estudantes da rede pública está prevista na Portaria nº 422/2026 do Ministério da Educação.
O que está em estudo
Além da substituição do Saeb, o Inep discute mudanças no formato do próprio exame. Uma delas é a inclusão de questões de resposta aberta — em que o estudante escreve a resposta em vez de marcar uma alternativa. Segundo Palácios, uma das possibilidades em análise é pedir ao estudante que resuma um texto lido, de modo a demonstrar compreensão leitora.
A outra mudança em discussão é a criação de uma parte eletiva na prova, alinhada aos itinerários formativos do novo ensino médio. A ideia é manter uma grande parte comum a todos os estudantes e acrescentar sessões optativas, de acordo com o itinerário cursado — seja de aprofundamento acadêmico, seja de formação técnica e profissional.
Palácios ressalvou que nenhuma dessas mudanças valerá para o Enem deste ano nem para o do ano que vem. "Nenhuma mudança pode ser introduzida sem pelo menos dois, três anos de distância da sua implementação", disse. As inovações em discussão devem começar a entrar em vigor a partir de 2028, e parte delas apenas nos anos seguintes.
O ex-presidente do Inep e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Soares, defendeu a urgência da inclusão de questões abertas. "Não é que é interessante, eu acho que é absolutamente necessário", disse ao Correio. Soares argumentou que o modelo atual, baseado em múltipla escolha, prepara o estudante para competir com a inteligência artificial "exatamente no terreno em que ela tem menos chance" de vencer a máquina.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá