O 6º Seminário Internacional de Gestão Educacional promovido pelo Instituto Unibanco, realizado no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, reuniu diversas autoridades educacionais, como o presidente do Inep, Manuel Palácios, o ex-presidente do órgão, Francisco Soares, o gerente de educação do Instituto Unibanco e professor da USP, Ricardo Madeira, representantes do Banco Mundial, do Ministério da Educação entre outros, para discutir sobre a educação brasileira e debateram sobre o eixo principal do seminário: "Recompor Aprendizagens, Ampliar Futuros".
O evento aconteceu três semanas após a divulgação do Ideb 2025, que registrou a maior evolução da série histórica iniciada em 2005 nas três etapas da educação básica. Na rede pública, os anos iniciais do ensino fundamental subiram de 5,7 para 6,1; os anos finais, de 4,7 para 5,0; e o ensino médio, de 4,1 para 4,3, segundo o Inep. Apesar do avanço na média, 442 municípios seguem com Ideb abaixo de 4,9 nos anos iniciais, e o Distrito Federal foi a única unidade da federação a registrar queda no ensino médio.
Média esconde desigualdade, diz ex-presidente do Inep
A primeira mesa do dia tratou do futuro das avaliações externas. O professor emérito da UFMG e ex-presidente do Inep, Francisco Soares, criticou a forma como o Ideb divulga os resultados. "Quando eu digo abaixo do básico, eu tenho uma mensagem pedagógica muito clara: o estudante precisa de atendimento imediato. Quando eu digo que o Ideb é 5,5, isso não é claro", afirmou. "A média não ajuda."
Na mesma mesa, o pesquisador Ricardo Madeira apresentou um estudo que aponta que as avaliações nacionais de matemática no ensino médio são pouco sensíveis ao progresso dos alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem. "Hoje, no ensino médio, sobretudo em matemática, a gente tem um instrumento que nos informa muito pouco sobre o que esses alunos não estão sabendo", disse ao Correio.
Novo Ideb mantém média
O presidente do Inep confirmou que a proposta de atualização do índice, prevista para ser apresentada após as discussões com as redes estaduais, mantém o cálculo por média — e não por faixas de desempenho, como Soares defende. "A proposta em que o Inep está trabalhando é uma proposta que mantém o modo como o Ideb é calculado", disse Palácios ao Correio.
Soares afirmou que participou da comissão de discussão do novo índice, mas foi afastado. "Eu fui da comissão e agora eu tô sendo delicadamente colocado como observador", disse.
Equidade na teoria, ausência na prática
Na abertura do evento, o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, apresentou o modelo de recomposição das aprendizagens adotado com os seis estados parceiros. Questionado pelo Correio sobre a distância entre equidade como princípio e equidade como prática, respondeu: "Radical."
"A força inercial numa sociedade tão desigual como a nossa é manter padrões de desigualdade", disse Henriques. "Se você simplesmente garantir que entrou todo mundo igual, daqui a um, dois, três anos, a defasagem começa a abrir novamente."
O seminário teve quatro mesas ao longo do dia, dedicadas a avaliações externas, currículo e progressão, avaliação formativa, e ensino no nível do estudante. O evento contou ainda com a participação do economista Andreas Blom, do Banco Mundial, da diretora executiva do Instituto Reúna, Katia Smole, e do professor da Universidade da Pensilvânia, Seiji Isotani.
O Correio acompanhou o evento a convite do Instituto Unibanco.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá