UNE convoca manifestações em defesa das federais nesta quinta (26/3)

Ato defende mais recursos para o ensino superior; movimento estudantil exige recomposição orçamentária integral e investimento em assistência estudantil

Victor Rogério*
postado em 25/03/2026 19:46
Atos ocorrerão nesta quinta-feira (26/3) -  (crédito: Junior Lima @xuniorl)
Atos ocorrerão nesta quinta-feira (26/3) - (crédito: Junior Lima @xuniorl)

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está convocando atos de protesto por todo o país, nesta quinta-feira (26/3), em defesa de mais recursos para as universidades públicas federais. A mobilização reivindica maior investimento em políticas de assistência estudantil para a permanência dos alunos nas universidades, como a instalação de bandejões e residência universitária. Estudantes também defendem o direcionamento de 10% do PIB para a educação, aumento de recursos para pesquisas, da lei de cotas e o fortalecimento da soberania nacional.

Ação é uma resposta à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, que corta R$ 488 milhões no orçamento das 69 universidades federais no país. Número representa uma redução de 7,05% em relação ao valor originalmente previsto.

Orçamento insuficiente há mais de uma década

Mesmo que o governo federal tenha anunciado, em janeiro de 2026, a recomposição de R$ 977 milhões para as instituições federais de ensino, a UNE entende que o valor ainda é insuficiente para garantir o pleno funcionamento das universidades, considerando a inflação acumulada, o aumento de contratos terceirizados e a expansão de vagas e campi ocorrida nos últimos anos.

As universidades federais precisariam de um orçamento de cerca de R$ 8,5 bilhões ainda em 2024 — valor muito superior aos R$ 6,43 bilhões aprovados na LOA para este ano, de acordo com estudos da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que levam em conta inflação e necessidades reais de custeio.

Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) do Governo Federal revelam que, de 2014 a 2025, houve uma queda de 57% no custeio real das universidades. Em 2014, o valor era de R$ 17,19 bilhões (em valores ajustados); em 2025, caiu para apenas R$ 7,33 bilhões. Na mesma época, as emendas parlamentares para as universidades subiram cerca de 285%, criando uma dependência perigosa de recursos voláteis e eleitoreiros.

Declaração da presidente da UNE

"A recomposição orçamentária feita pelo governo foi importante, mas ainda está longe do necessário. As universidades não podem depender de 'remendos' todo ano. Precisamos de um orçamento robusto e permanente que garanta não apenas luz e água, mas investimento direto em assistência estudantil, pesquisa, programas de extensão e infraestrutura. Estudantes de baixa renda não podem ficar sem moradia, sem bandejão, sem bolsas. A ciência brasileira não pode parar por falta de recursos básicos. Por isso, vamos às ruas em março para cobrar do Congresso e do governo um compromisso real com a educação pública. Não aceitaremos que o Brasil siga investindo bilhões em bancos enquanto nossas universidades agonizam", declarou Bianca Borges, presidente da UNE.


 

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