DCE repudia prática de professores de não tolerar atraso nas aulas

Denúncia foi feita por alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). Estudantes estariam sendo impedidos de entrar na aula após as 8h

Ian Vieira*
postado em 26/03/2026 18:16
Os alunos não puderam ingressar na aula da Faculdade de Medicina de Universidade de Brasília (UnB) pós o horário de início -  (crédito: Reprodução/Ascom GRE/Beto Monteiro)
Os alunos não puderam ingressar na aula da Faculdade de Medicina de Universidade de Brasília (UnB) pós o horário de início - (crédito: Reprodução/Ascom GRE/Beto Monteiro)

 

O Centro Acadêmico de Medicina Professor Gilberto Freitas (CAMed) e o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE) publicaram  nota de repúdio oficial contra docentes da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). O motivo é o impedimento do ingresso de estudantes em sala de aula após as 8h, horário de início das atividades. Alunos se queixam de ter falta registrada na disciplina.

Em nota publicada nas redes sociais, o CAMed e o DCE criticaram a postura dos professores e classificaram como “inflexível e elitista”. “Contraria os princípios democráticos, inclusivos e humanistas que orientam a Universidade de Brasília (UnB). A rigidez punitiva em torno de atrasos desconsidera o contexto concreto da comunidade discente, composta por estudantes que enfrentam longos trajetos diários, transporte público precarizado e trânsito intenso”.

O estudante de medicina na UnB Caetano George, em postagem do DCE, comentou sobre a universidade continuar excludente. “Os docentes moram no Plano Piloto, na região central, não conhecem a realidade dos próprios alunos. Muitos alunos acordam às 4h30, pegam metrô, ônibus, enfrentam trânsitos caóticos. O professor prefere fechar a porta, dar falta e impedir que o estudante estude mesmo presente na universidade”. Assista ao vídeo do estudante:

 

A direção da Faculdade de Medicina informou que está apurando o caso em conjunto com o CAMed, a fim de  procurar as soluções cabíveis. “Reafirmamos o compromisso com a construção de um ambiente universitário respeitoso e acolhedor para todas as pessoas, pautado na excelência do ensino e na formação cidadã”.

Os estudantes denunciam que a conduta amplia a desigualdade de poder aquisitivo já existente dentro do curso de medicina. “A perda dessas bolsas de auxílio permanências ou assistência estudantil, causada por faltas acumuladas em razão de atrasos involuntários, ameaça diretamente a permanência de jovens que lutam para se manter na universidade pública”.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

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