Gabriela Frajtag, 20 anos, está entre os vencedores de uma competição internacional de artigos baseada em uma pergunta que desafia pesquisadores: afinal, a vida é quântica? O prêmio foi realizado pela Foundational Questions Institute (FQxI), em parceria com o Paradox Science Institute e o IDOR Ciência Pioneira. A jovem carioca é recém-graduada e foi a única brasileira premiada no concurso.
Criado em 2006, o prêmio estimula a produção de textos originais e aprofundados sobre questões fundamentais para a ciência. Esta edição teve a participação de 97 candidatos, entre eles: acadêmicos, profissionais da medicina, cientistas, estudantes e não cientistas distribuídos por seis continentes. Oito participantes foram premiados e vão dividir o valor de cerca de R$ 300 mil, sendo 80% desse valor voltado aos três primeiros colocados. Gabriela foi agraciada em uma categoria especial, que celebra o fato de que ela ainda estava na graduação no momento da competição. Com o prêmio, ganhará cerca de R$ 16 mil.
Formada em ciência e tecnologia pela Ilum Escola de Ciência, instituição gratuita de nível superior localizada em Campinas (SP), Gabriela comentou que desde cedo tem interesse multidisciplinar. “Quando eu era mais nova, no ensino fundamental e no ensino médio, participava de várias competições científicas, olimpíada de biologia, química, matemática, linguística, neurociência, e ganhava muitas medalhas. Isso me fez entender que eu queria seguir carreira na ciência”.
A jovem descobriu o concurso de redações internacionais em um grupo de WhatsApp que ingressou após o evento Escola de Biologia Quântica, que aconteceu entre 11 a 16 de agosto de 2025, em Paraty (RJ). Após a inscrição, Gabriela produziu o o texto The Quantum of Biology: History and Future. No artigo, ela analisa o histórico da área e a importância de avaliar o “quantum da biologia”: orçamento mínimo de recursos quânticos que um sistema vivo precisa gerar, proteger ou explorar para obter uma vantagem adaptativa
Durante a produção do texto, Gabriela contou que buscou inspiração em outros conteúdos sobre o assunto que havia lido, com objetivo de transformar o artigo em uma história interessante de ler. “Eu não esperava ter ganhado nada, mas estava escrevendo um texto que servisse também para pessoas que não tiveram contato nenhum com a área, começassem a conhecer os principais nomes e conceitos da biologia quântica”.
O diretor-científico da FQxI, David Sloan, comentou sobre o artigo da brasileira e o classificou como “um trabalho de excelência". Sloan afirmou que o comitê ficou extremamente impressionado ao saber que o trabalho foi feito por uma estudante de graduação. “Claramente, alguém com um futuro brilhante nessa área de pesquisa”.
De acordo com Gabriela, a graduação na Ilum surgiu como uma grande oportunidade, visto que o bacharelado explora diversos temas científicos. A instituição seleciona, anualmente, 40 pessoas do Brasil para a faculdade, além de oferecer moradia e até a passagem de avião para ingressar. Durante a cerimônia de formatura em fevereiro, a carioca foi premiada como aluna destaque da turma durante toda a graduação.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
