Professores da Universidade de Brasília (UnB) confirmaram paralisação das atividades na próxima quinta-feira (30/4). Decisão foi tomada em assembleia da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB). A mobilização dos docentes contra a absorção da Unidade de Referência de Preços (URP) segue em curso. Na mesma data, a categoria fará um ato em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), às 10h. A ADUnB disponibilizará transporte gratuito com saída da sede do sindicato, às 9h.
A URP é um direito histórico dos servidores da UnB, incorporado aos contracheques desde 1987. Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu esse direito para os docentes, consolidando a conquista após mais de três décadas de mobilização política, jurídica e administrativa.
Entretanto, em 2 de abril, o MGI determinou a absorção de 60% dos acréscimos na remuneração permanente da classe a partir da folha de pagamento de abril, com o objetivo de reduzir gradualmente o valor da URP. A medida impacta o reajuste conquistado na greve de 2024, além de afetar as promoções e progressões que o docente venha a receber ao longo da carreira.
De acordo com a ADUnB, a associação defende que não haja qualquer absorção da URP até o trânsito em julgado da ação em tramitação no STF, que garante o pagamento da parcela. A entidade também reivindica a extensão do direito aos docentes ingressos após novembro de 2023, o fim dos descontos para aposentados e a não incidência da absorção sobre progressões e promoções.
A presidente da ADUnB, Maria Lídia Bueno, afirma que a luta de três décadas deve ser preservada. “A defesa da URP exigiu organização e resiliência dos docentes. Seguimos abertos ao diálogo, mas firmes na defesa desse direito conquistado com muita luta e mobilização”, disse.
A reitora da UnB, Rozana Naves, afirmou, em vídeo postado nas redes sociais, que a questão da URP é uma preocupação da reitoria, que tem atuado de forma incisiva em apoio à classe. “É uma luta sindical e histórica. Queria convocar toda a comunidade para a defesa do direito dos docentes e da educação pública”, disse. “Solicitamos ao MGI a reversão dos lançamentos feitos em abril”.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá