Eu, Estudante

USP

Três alunos da USP criam chatbot para verificar fake news no WhatsApp

Batizado de "Tá certo Isso aí?", o sistema já fez 14 mil checagens e levou o trio de São Carlos a Harvard e ao MIT. Agora, os criadores buscam patrocinadores para escalar o projeto

 
Em uma sala do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, três estudantes de Ciência da Computação tiveram 10 horas para resolver um problema antigo: o WhatsApp virou rota expressa das fake news. O resultado do hackathon foi um chatbot batizado de "Tá certo isso aí?". Hoje, a ferramenta fez mais de 14 mil checagens para mais de 10 mil usuários.

Mas, afinal, o que é um chatbot? "É, de forma simples, um sistema que conversa com o usuário por mensagem, como se fosse um contato comum no WhatsApp", explica Pedro Henrique Ferreira Silva, um dos criadores. A diferença é que do outro lado da tela não há uma pessoa, e sim um programa de inteligência artificial. No caso do "Tá certo isso aí?", funciona como um checador automático de fatos: o usuário encaminha um conteúdo suspeito e recebe uma análise de volta.

Pedro divide a autoria com Cauê Paiva Lira e Luiz Felipe Diniz Costa. Os três venceram a competição interna da USP. Depois, o projeto ficou em primeiro lugar no programa AI4Good, da Brazil Conference. A premiação levou o trio para apresentar o trabalho em Harvard e no MIT (Massachusetts Institute of Technology), em Cambridge (EUA), no fim de março.

A ideia é simples na ponta. O usuário adiciona o número 35 98424-8271 aos contatos do WhatsApp e encaminha qualquer conteúdo suspeito: texto, áudio, vídeo, imagem, link, até figurinha. Em segundos, o bot devolve uma análise. "O sistema identifica o tipo de conteúdo, faz o pré-processamento, transcreve o áudio, analisa o vídeo, separa as principais afirmações e busca evidências em fontes confiáveis", detalha Pedro.
 


A diferença em relação a outras soluções está na curadoria. O bot não pesquisa em qualquer canto da internet. Bebe apenas em veículos jornalísticos consolidados, agências profissionais de checagem e fontes oficiais. "O critério não é alinhamento ideológico. É reputação, rastreabilidade da informação e qualidade do processo editorial", afirma Cauê.

Luiz Felipe lembra que erros aconteceram no começo. O sistema chegou a validar uma informação a partir de um perfil não verificado do Instagram. A correção foi imediata. Hoje, em vez de classificar uma mensagem inteira como verdadeira ou falsa, o bot quebra o texto e avalia cada afirmação separadamente. "A resposta fica muito mais precisa e estruturada", conta.

Política lidera o ranking dos temas mais checados. Vem depois golpes e boatos cotidianos. Para os alunos, a surpresa foi notar que assuntos banais e de entretenimento também aparecem com força. "A desinformação não se limita ao debate institucional. Faz parte do fluxo de conteúdo que circula entre amigos, famílias e comunidades", diz Pedro.

Em busca de patrocinadores

A operação é bancada pelo próprio time, com créditos gratuitos da Google Cloud. Cada mil mensagens custam, em média, R$ 50. Para crescer, o trio precisa de aporte. "Hoje, o projeto está saindo do nosso bolso, e para escalar precisamos de ajuda", afirma Luiz Felipe, responsável pelas conversas com possíveis patrocinadores. Empresas, instituições e parceiros interessados em apoiar a iniciativa devem entrar em contato diretamente com ele.

Com as eleições de 2026 no horizonte, os três trabalham em três frentes ao mesmo tempo: reforçar a infraestrutura para o salto de volume, ampliar parcerias com veículos de imprensa e universidades e investir em detecção de deepfakes.

Privacidade é regra. Os números de telefone dos usuários não ficam armazenados, e os dados passam por anonimização antes de qualquer análise. "O papel da plataforma é entender padrões de desinformação, não mapear pessoas", garante Cauê.

O sucesso, para o trio, não está no troféu. "Daqui a cinco anos, vamos considerar que o projeto deu certo se virar infraestrutura confiável, usada em escala real por cidadãos, jornalistas e instituições", conclui Luiz Felipe.

Serviço:

Site: tacertoissoai.com.br
WhatsApp do bot: (35) 98424-8271
Patrocínio e parcerias: falar com Luiz Felipe Diniz Costa pelo e-mail: tacertoissoai@gmail.com 
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá