Eu, Estudante

Restaurante Universitário da UnB celebra Semana da África com cardápio típico do continente

Além da homenagem do RU, o evento contará com espaços de encontros, reflexões e valorizações da diversidade cultural e acadêmica de países africanos

 A Universidade de Brasília (UnB) está promovendo, até sábado (30/5) a Semana da África 2026. O evento é organizado por estudantes africanos da graduação e da pós-graduação, com apoio de servidores técnicos e docentes da universidade. Neste ano, o tema é “Garantir a Disponibilidade Sustentável de Água e Sistemas de Saneamento Seguro para Alcançar os Objetivos da Agenda 2063”. Programação conta com cardápio de comidas típicas africanas no Restaurante Universitário (RU), debates, reflexões e palestras acerca da cultura africana.

Divulgação/UnB - Mafê de frango, comida típica de Senegal e Mali, servido nesta segunda-feira (25/5)

Durante o período, os almoços dos restaurantes universitários dos câmpus Darcy Ribeiro, Ceilândia, Gama e Planaltina farão uma imersão cultural por meio da gastronomia africana. Pratos de diferentes nações, como Senegal, Mali, Cabo Verde, Nigéria, África do Sul e Angola, serão servidos. Nesta segunda-feira, foi servido mafê de frango e arroz jollof, comida levemente apimentada e típica da África Ocidental. As opções dos demais dias podem ser vistas nas redes sociais da UnB.

Arquivo pessoal - Tatianne Fraga, nutricionista da Universidade de Brasília (UnB)

Para a nutricionista da UnB Tatianne Fraga, os preconceitos acerca da culinária africana em geral provém do desconhecimento sobre a diversidade cultural do continente. "Muitas das nossas preparações têm forte influência africana, apesar de não ser reconhecido. Ingredientes, temperos e modos de preparo bastante comuns na culinária brasileira têm relação direta com essa relevante herança cultural", ressaltou. "A proposta é valorizar a diversidade presente no ambiente universitário".

Além disso, a programação do evento inclui atividades esportivas; culturais; dança; gastronomia; feira de empreendedores negros apresentando tecidos, artesanato e produtos africanos. Além de uma agenda científica composta por palestras e mesas-redondas com pesquisadores das áreas de estudos africanos e educação para as relações étnico-raciais. A programação completa pode ser conferida aqui.

Para o estudante beninense de letras português Gildas Chabi, 27 anos, a importância dessa programação é apresentar aos brasileiros parte da cultura africana. “Quando dizemos que somos africanos, muitos pensam que África é um país e perguntam qual língua se fala. Mas, na verdade, nosso continente contém mais de mil línguas e 54 países”, disse. “Estamos aqui para mostrar nossos valores, culturas e promover a África no geral”.

CB/D.A.Press/Ian Vieira - Norma Diana, 42 anos, coordenadora do Núcleo de estudos afro-brasileiros da Universidade de Brasília (UnB) e João Pedro Sales, 23 anos, estudante de letras japonês

Uma das palestras da manhã desta segunda-feira (25/5) foi feita pela coordenadora do Núcleo de estudos afro-brasileiros da UnB, Norma Diana, 42 anos, que é jamaicana e mora no Brasil há mais de 20 anos. A apresentação ressaltou alternativas para mudança do olhar acerca da crise civilizatória e de impactos da colonização. Norma comentou sobre a temática: “Vivemos numa realidade em que mulheres devem cuidar da casa e das crianças e homens sair para trabalhar. Na comunidade Iorubá (grupo étnico africano) essa separação de gêneros não existia antes dos colonizadores chegarem”.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá