Nove entidades do ensino superior particular e da educação médica no Brasil lançaram o movimento Uma Só Régua. A iniciativa defende o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como o único instrumento para avaliar a qualidade dos concluintes de Medicina no país.
A mobilização reúne ANUP, ABMES, Abem, ABRAFI, ANACEU, ANEC, CONFENEN, Semesp e Semerj. O grupo se posiciona contra propostas em discussão no Congresso Nacional que preve em a criação de uma nova prova de proficiência, sob controle de um conselho profissional.
Para as entidades, a sobreposição de exames não eleva a qualidade da medicina. Ao contrário, fragmenta critérios, duplica objetivos e gera insegurança sobre as responsabilidades regulatórias. "O Brasil não precisa de mais um exame. Precisa de uma única régua, clara, pública e capaz de melhorar a qualidade na medicina", afirma Sandro Schreiber, diretor-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).
Por que uma só régua é melhor?
A existência de um único referencial nacional de avaliação traz ganhos concretos. Diferente de uma prova única ao final do curso, o Enamed acompanha o desenvolvimento do estudante durante a graduação, o que permite identificar e corrigir lacunas de aprendizagem a tempo.
Os resultados do exame também servem para orientar planos de aprimoramento institucional das escolas médicas. Outros benefícios da avaliação única incluem:
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Coerência: o Enamed se articula ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), garantindo consistência na regulação dos cursos.
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Alinhamento: a prova avalia o que as Diretrizes Curriculares Nacionais determinam que as escolas médicas devem ensinar.
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Acessibilidade: por ser aplicado pelo poder público, o exame é gratuito e não impõe custos adicionais ao concluinte.
Uma régua única e transparente também beneficia diretamente a sociedade, pois uma formação de maior qualidade resulta em mais segurança para os pacientes.
Medida Provisória fortalece o Enamed
O debate ganhou urgência com a publicação da Medida Provisória 1.370/2026, que institui a Política Nacional para a Formação Médica. O texto prevê a aplicação do Enamed em duas etapas da graduação, com aferição de proficiência e aplicação semestral.
A MP aproxima o exame da fase teórica do Revalida e permite o uso da nota no acesso direto a programas de residência médica. Com isso, a prova integra, em uma mesma referência, a graduação, a proficiência, a residência e a validação de diplomas.
A medida provisória tramita agora no Congresso Nacional. O texto será analisado por uma Comissão Mista e, posteriormente, votado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal para ser convertido em lei.
"A medida provisória consolida aquilo que o movimento Uma Só Régua defende: um referencial nacional, público e transparente para a formação médica", acrescenta Schreiber. "O momento agora é de diálogo com o Congresso, para que a política seja convertida em lei e o país não retroceda para um modelo de múltiplas provas e critérios fragmentados."
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.