Educação

Carta de cientistas em apoio a Lula chega a 12,1 mil assinaturas, diz ANPG

Documento reúne 13 entidades nacionais e manifesta preocupação com propostas para o financiamento das universidades e da pesquisa científica

Correio Braziliense
postado em 21/10/2026 19:32 / atualizado em 21/10/2026 21:48
 Ciência não é apenas aquilo que pode virar produto -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Ciência não é apenas aquilo que pode virar produto - (crédito: Arquivo Pessoal)

*Por Ana Bispo Calisto

A carta de cientistas brasileiros em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026 chegou a 12.196 assinaturas. A iniciativa reúne 13 entidades nacionais ligadas à ciência, à educação, às universidades e aos movimentos sindical e estudantil.

A proposta partiu da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e foi apresentada às demais organizações. O documento defende a democracia, a liberdade acadêmica, o financiamento da pesquisa e o fortalecimento das universidades públicas.

De acordo com o presidente da associação, a mobilização foi motivada pelas diferenças entre os projetos políticos apresentados pelos candidatos, especialmente em relação às políticas de ciência e tecnologia e ao papel das instituições públicas de ensino superior. “Estamos numa encruzilhada histórica”, afirmou Vinícius Soares, presidente da ANPG, ao explicar a decisão das entidades de se posicionarem no segundo turno.


Financiamento e bolsas de pesquisa

Entre as principais preocupações apontadas pelo presidente da ANPG estão possíveis mudanças no financiamento das universidades e nos critérios de distribuição de recursos para pesquisas.

Vinícius critica a proposta de vincular o orçamento das universidades a indicadores de desempenho industrial. Na avaliação dele, esse modelo pode prejudicar áreas como ciências humanas, ciências sociais aplicadas, artes e linguística, cujas pesquisas nem sempre resultam diretamente em produtos comerciais.

O dirigente argumenta que a produção científica envolve diferentes etapas e áreas do conhecimento, incluindo pesquisas básicas que contribuem para avanços posteriores em tecnologia, saúde e inovação. “Ciência não é apenas aquilo que pode virar produto”, afirmou.

Soares também declarou que mais de 50 mil bolsas poderiam ser afetadas por mudanças nas políticas de financiamento voltadas às áreas que considera mais vulneráveis. A estimativa, porém, precisa ser acompanhada da metodologia utilizada pela entidade e de esclarecimentos sobre quais bolsas e programas estariam incluídos no cálculo.

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, também destaca a relação entre o financiamento científico, a democracia e o desenvolvimento nacional. Para ela, as decisões eleitorais influenciam as oportunidades das próximas gerações e a capacidade do país de produzir conhecimento. “A ciência brasileira não pode se omitir diante de escolhas que comprometem o futuro do país. O voto não decide apenas quem ocupará a Presidência da República. Decide que oportunidades terão nossos jovens, que país entregaremos às próximas gerações e se teremos capacidade de produzir conhecimento, reduzir desigualdades e enfrentar os grandes desafios do nosso tempo”, afirma Francilene. 


Apoio eleitoral e autonomia

Apesar de declarar apoio a Lula, a ANPG afirma que continuará cobrando medidas do governo caso o presidente seja reeleito.

Soares citou a mobilização de pós-graduandos realizada no ano anterior, quando, segundo ele, estudantes foram ao Congresso Nacional e procuraram representantes dos ministérios da Fazenda e da Educação para reivindicar avanços nas políticas da categoria.

Segundo o dirigente, a cobrança por financiamento científico e melhorias na educação continuará independentemente do apoio eleitoral declarado pela associação. A carta também ressalta que a manifestação não representa adesão irrestrita a um eventual governo nem renúncia ao direito de crítica.

Além da ANPG, assinam o documento a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e outras entidades nacionais.

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá

 

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