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Ensino superior

UnB é a 28ª melhor universidade da América Latina, mesmo perdendo duas posições em ranking

A Universidade de Brasília passou do 26º para o 28º lugar na QS World University Rankings e continua entre as 6% primeiras de 517 instituições

A Universidade de Brasília (UnB) perdeu duas posições e passou do 26º para o 28º lugar no QS World University Rankings: América Latina e Caribe 2027, divulgado nesta quinta-feira (1º/10) pela consultoria britânica QS Quacquarelli Symonds. Mesmo com o recuo, a UnB segue entre as 30 mais bem colocadas de uma lista de 517 instituições de 27 países, o que a põe entre as 6% primeiras da região. É a 9ª brasileira e a 5ª universidade federal do ranking.

É o segundo recuo seguido. Em 2025, a universidade ocupava o 25º lugar e, em 2026, o 26º. Desta vez, foi ultrapassada pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN), do México, e pela Universidad del Rosario, da Colômbia, que dividem a 26ª colocação. Entre as federais, estão à frente da UnB a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 5ª), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 15ª), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 19ª) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, 24ª).

O movimento se repete no ranking mundial da mesma empresa. Na edição de 2027, divulgada em junho, a UnB aparece entre as posições 851 e 900. Um ano antes, estava entre as posições 801 e 850. Em 2025, entre as posições 751 e 760.

A pontuação mostra uma universidade forte em vários quesitos. Em quatro dos oito critérios do ranking regional, a UnB tem mais de 90 pontos, numa escala que vai até 100.

O que é o ranking e como ele funciona

Rankings universitários são listas que comparam instituições de ensino superior com base em critérios definidos por quem os produz. A QS é uma empresa privada britânica que publica classificações mundiais e regionais todos os anos. Por convenção, cada edição leva no nome o ano seguinte ao da divulgação: a lista de 2027 saiu em 2026.

A QS dá a cada universidade uma pontuação de 0 a 100 em oito critérios, chamados de indicadores. A instituição com o melhor desempenho da região em cada critério recebe 100, e as demais são medidas em relação a ela. Uma pontuação baixa, portanto, mostra a distância até a primeira colocada, e não necessariamente um desempenho ruim.

Dois indicadores medem reputação. Para calculá-los, a QS envia questionários a professores, pesquisadores e empresas de vários países, que apontam as universidades que consideram de destaque. Os outros seis usam números, como a quantidade de professores e de alunos, de artigos científicos publicados e de citações que esses artigos recebem.

Os rankings internacionais não avaliam cursos específicos nem substituem as avaliações do Ministério da Educação (MEC), como o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Eles medem a qualidade do ensino de forma indireta, por indicadores como a proporção de professores por aluno e as pesquisas de reputação.

O que a UnB faz bem

O ponto mais forte da universidade é a qualificação do corpo docente. Na pontuação de professores com doutorado, o grau acadêmico mais alto, a UnB tem 98,4, praticamente empatada com as líderes. A instituição também tem alta visibilidade na internet (98,3) e ampla rede de parcerias com pesquisadores de outros países (97,8). Na produção científica, publica muitos artigos por professor (92,9).

A reputação entre acadêmicos, embora tenha caído, segue alta: 85,1 pontos, acima da UFSC entre as federais do topo. E a UnB melhorou em quatro critérios neste ano. O maior avanço foi nas citações por artigo, que subiram 3,1 pontos, de 33,8 para 36,9. A relação entre professores e alunos também melhorou, de 19 para 20,3.

Onde a UnB perdeu pontos

As maiores quedas vieram da reputação: 2,5 pontos entre acadêmicos (de 87,6 para 85,1) e 2,1 pontos entre empregadores (de 46 para 43,9). A universidade também recuou, por margens menores, na rede internacional de pesquisa e na visibilidade na internet.

As fragilidades estão concentradas em três critérios, todos abaixo de 45 pontos. Na relação entre professores e alunos (20,3), cada docente da UnB atende mais estudantes do que nas universidades líderes. Nas citações por artigo (36,9), os trabalhos da UnB são usados como referência por outros pesquisadores com menos frequência. Na reputação entre empregadores (43,9), menos empresas consultadas pela QS citam a UnB como formadora de bons profissionais.

Entre as cinco federais mais bem colocadas, a UnB tem o pior resultado em professores por aluno e em citações por artigo. Na reputação entre empregadores, porém, supera a UFRGS e a UFSC.

A UnB no ranking da Times Higher Education

A revista britânica Times Higher Education (THE) produz outro ranking mundial, com método próprio. A edição 2027, divulgada na quarta-feira (30/9), reúne 2.297 universidades de 118 países. A UnB aparece entre as posições 1.401 e 1.600. Na edição anterior, estava entre as posições 1.201 e 1.500. Como os intervalos mudaram e se sobrepõem, não é possível afirmar se a universidade caiu.

A melhor brasileira nesse ranking é a Universidade de São Paulo (USP), empatada na 141ª posição. Com 58 instituições na lista, o Brasil é o país latino-americano mais representado.

O THE avalia as universidades em cinco grandes grupos de critérios, chamados de pilares. A pontuação mais baixa da UnB está no ambiente de pesquisa (21), que considera o volume de artigos, o dinheiro captado para pesquisa e a reputação dos pesquisadores. Em seguida vêm a qualidade da pesquisa (28,2), que mede a influência dos trabalhos publicados, e o ensino (34,3). Relação com a indústria (35,5) e perspectiva internacional (35,8) completam o quadro.

Em que áreas a UnB vai melhor

O THE também classifica as universidades por grandes áreas do conhecimento, e não por curso. Cada área reúne vários cursos. Ciências da Vida, por exemplo, abrange biologia, agronomia, engenharia florestal, veterinária e educação física.

Nos rankings por área de 2026, os mais recentes, o destaque da UnB é o direito, entre as posições 301 e 400 no mundo. Artes e humanidades, educação e psicologia vêm em seguida, entre as posições 501 e 600. Ciências sociais, área que inclui comunicação, geografia, ciência política, relações internacionais e sociologia, fica entre as posições 601 e 800.

Negócios e economia, medicina e saúde, ciência da computação e ciências da vida aparecem entre as posições 801 e 1.000. Os resultados mais baixos estão em engenharia e em ciências físicas, área que agrupa química, física, matemática e geologia. Ambas ficam entre as posições 1.001 e 1.250.

Sustentabilidade

O THE tem ainda um ranking que mede a contribuição das universidades para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas da Organização das Nações Unidas (ONU) que vão do combate à pobreza à educação de qualidade. Nele, a UnB também caiu. Ficou entre as posições 201 e 300 em 2022 e em 2023, passou ao intervalo entre 401 e 600 em 2024 e chegou ao intervalo entre 601 e 800 em 2025.

O melhor desempenho é no objetivo de saúde e bem-estar, entre as posições 201 e 300. Como o número de participantes varia a cada edição, a comparação entre os anos tem limitações. A edição de 2026, rebatizada de Sustainability Impact Ratings e divulgada em junho, não traz resultado da UnB no perfil da universidade no site do THE.

Brasil lidera em número, mas perde espaço no topo

A Pontifícia Universidade Católica do Chile manteve o 1º lugar no ranking QS da América Latina, e a USP segue em 2º lugar. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 3º, a UFRJ, em 5º, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 6º, completam a presença brasileira entre as dez primeiras. USP, Unicamp e Unesp são estaduais, mantidas pelo governo de São Paulo. As federais, como a UnB, são mantidas pelo governo federal.

Com 137 universidades avaliadas, o Brasil tem mais instituições na lista do que qualquer outro país, à frente da Colômbia (70) e do México (69). Entre as 30 primeiras, no entanto, o número de brasileiras caiu de 11 para nove. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que estava em 28º, e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que estava em 30º, deixaram o grupo. Segundo a QS, 24 das 137 brasileiras melhoraram de posição em relação à edição anterior.

O Correio procurou a UnB para comentar os resultados e aguarda retorno.

| A trajetória da UnB nos rankings

  • QS América Latina e Caribe: 25º lugar (2025), 26º (2026) e 28º (2027);
  • QS mundial: entre 751 e 760 (2025), entre 801 e 850 (2026) e entre 851 e 900 (2027);
  • Times Higher Education mundial: entre 1.201 e 1.500 (2026) e entre 1.401 e 1.600 (2027);
  • Sustentabilidade do THE: entre 201 e 300 (2022 e 2023), entre 401 e 600 (2024) e entre 601 e 800 (2025);

| Os oito critérios da QS em português claro (pontuação da UnB em 2026 e 2027)

  • Professores com doutorado: fatia do corpo docente com o grau acadêmico mais alto. 98,3 e 98,4 (subiu);
  • Visibilidade na internet: o quanto a universidade aparece e é acessada na rede. 99 e 98,3 (caiu);
  • Parcerias internacionais em pesquisa: variedade de instituições estrangeiras com que a universidade assina artigos. 98,6 e 97,8 (caiu);
  • Artigos por professor: quantos trabalhos científicos a universidade publica, em média, por docente. 92,1 e 92,9 (subiu);
  • Reputação entre acadêmicos: o quanto professores e pesquisadores de outras instituições citam a universidade como referência. 87,6 e 85,1 (caiu);
  • Reputação entre empregadores: o quanto empresas citam a universidade como formadora de bons profissionais. 46 e 43,9 (caiu);
  • Citações por artigo: quantas vezes, em média, cada artigo é usado como referência por outros pesquisadores. 33,8 e 36,9 (subiu);
  • Professores por aluno: quanto maior a pontuação, menos estudantes por docente. 19 e 20,3 (subiu);

| A UnB e as outras federais do topo (QS 2027)

  • Professores por aluno: UFSC 46,8; UFRGS 36,5; UFRJ 33,3; UFMG 30,4; UnB 20,3;
  • Citações por artigo: UFRGS 84,7; UFSC 72,8; UFRJ 68,2; UFMG 55,7; UnB 36,9;
  • Reputação entre empregadores: UFRJ 88,8; UFMG 56,9; UnB 43,9; UFRGS 39,4; UFSC 34;
  • Reputação entre acadêmicos: UFRJ 99,7; UFMG 94,7; UFRGS 89,2; UnB 85,1; UFSC 75,3;

| Entenda os termos

  • Ranking universitário: lista que compara instituições de ensino superior a partir de critérios definidos por quem a produz. Cada ranking tem método próprio, por isso a mesma universidade pode ocupar posições diferentes em cada um.
  • QS e THE: QS Quacquarelli Symonds é uma consultoria britânica, e Times Higher Education é uma revista britânica especializada em ensino superior. São duas das classificações internacionais mais citadas.
  • Indicador: cada um dos critérios usados para medir o desempenho, como reputação ou número de citações.
  • Pontuação relativa: a melhor universidade em cada critério recebe 100, e as demais são comparadas a ela.
  • Ranking por faixa: a partir de certa posição, os rankings deixam de dar um número exato e agrupam as universidades em intervalos, como "entre 851 e 900".
  • Artigo científico: texto em que pesquisadores apresentam os resultados de um estudo, publicado em revistas especializadas depois de passar pela avaliação de outros especialistas.
  • Citação: ocorre quando um pesquisador usa o artigo de outro como referência. Muitas citações indicam um trabalho influente.
  • Universidade federal e estadual: a federal é mantida pelo governo federal, e a estadual, pelo governo do estado. As duas são públicas e gratuitas.
  • Por que o número de alunos muda: cada ranking coleta dados em uma data diferente. A QS registra 48.098 estudantes na UnB e o THE, 43.278.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá