UnB dobra número de programas nota 6 em avaliação nacional de pós-graduação
Três cursos alcançaram pela primeira vez o conceito 7, a nota máxima da Capes; dois terços dos programas de mestrado e doutorado da universidade estão entre os mais bem avaliados do país
postado em 28/05/2026 00:29 / atualizado em 16/06/2026 17:29
15/04/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Caderno aniversário de Brasília 2026. Entrevista com a reitora da UNB Rozana Naves. - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
A Universidade de Brasília (UnB) quase dobrou o número de programas de pós-graduação com excelência internacional e registrou o melhor resultado de sua história na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão federal que regula e financia os cursos de mestrado e doutorado no país. A cada quatro anos, a Capes atribui notas de 1 a 7 a todos os programas de pós-graduação (PPGs) em funcionamento — o mínimo para operar é 3.
No ciclo 2021-2024, cujos resultados foram recém-divulgados, a UnB classificou 60 de seus 102 programas avaliados nas três faixas mais altas (notas 5, 6 e 7). O maior avanço foi na faixa 6, que indica excelência internacional: a universidade passou de 9 para 16 programas — crescimento de quase 80%.
Entenda as notas da CAPES
Nota 3: desempenho regular (mínimo para funcionar)
Nota 4: bom desempenho
Nota 5: alto nível nacional
Nota 6: excelência internacional
Nota 7: referência mundial na área
Programas nota 6 ou 7 recebem mais bolsas e verbas para congressos e intercâmbios.
Quem chegou ao topo
Três programas conquistaram pela primeira vez o conceito máximo. Ciências Mecânicas saltou de 5 para 7; Ecologia e o Programa de Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PPG-PSTO) subiram de 6 para 7. Com isso, a UnB passa a ter sete programas na faixa mais alta da avaliação:
Antropologia
Ciência Política
Ciências Mecânicas
Direito
Ecologia
Geologia
Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações
As áreas são diversas — engenharias, ciências da vida e humanidades. O traço comum, segundo o decano de Pós-Graduação, Roberto Goulart Menezes, está no método: "São programas que têm uma ação coletiva entre professores, técnicos e estudantes, envolvendo toda a comunidade."
Os 16 programas de excelência internacional
O salto na faixa 6 segue a mesma lógica. Dos 16 programas nesse patamar, oito não haviam atingido nota 6 no ciclo anterior (2017-2020): Administração, Ciência da Informação, Ciências da Saúde, Ciências e Tecnologias em Saúde, Ciências Médicas, Comunicação, Educação e Informática (Ciência da Computação). Os demais consolidam posição conquistada no ciclo anterior: Ciências Animais, Ciências Biológicas – Biologia Molecular, Economia, Geografia, Matemática, Patologia Molecular, Política Social e Sociologia.
A nota da Capes define quantas bolsas e viagens um programa pode oferecer. Os que alcançam nota 6 ou 7 ingressam no Programa de Excelência Acadêmica (Proex), que amplia o número de bolsas e financia eventos científicos dentro e fora do Brasil. Os de nota 4 e 5 também recebem mais recursos à medida que sobem de faixa.
A UnB mantém 103 PPGs — um deles, o de Turismo, é recém-aprovado e ainda não recebeu nota. Esse contingente representa um quarto de todos os programas do Centro-Oeste, que reúne cerca de 400. No Brasil, são aproximadamente 4.700. Sozinha, a universidade responde por uma fatia expressiva da formação de mestres e doutores de toda a região.
Desproporção no financiamento
O desempenho acadêmico contrasta com a distribuição de recursos locais para pesquisa. Segundo o decano, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) repassou R$ 2,4 milhões à UnB para bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. No mesmo edital, o Instituto de Direito Público (IDP), que tem apenas seis PPGs, recebeu R$ 1,6 milhão.
Na média por programa, a diferença é superior a 11 vezes: R$ 23,3 mil para cada PPG da UnB contra R$ 266,7 mil para cada um do IDP.
"Nós já levamos essa assimetria ao conhecimento da presidência da FAPDF e nada mudou", afirmou Menezes. "A UnB é a principal universidade do Centro-Oeste e responde pela maior parte da produção científica do DF."
O aperto financeiro não se restringe ao plano local. "O orçamento da Capes de 2026, corrigido pela inflação, é o mesmo de 2014. Temos mais demanda e mais pesquisadores, mas os recursos são menores", completou.
Para o próximo ciclo (2025-2028), cujo resultado será divulgado em 2029, a UnB concentra esforços na internacionalização. A universidade lidera uma proposta vencedora do edital Capes Global, que financiará por cinco anos parcerias internacionais entre seis instituições. "Esperamos que na próxima avaliação a UnB siga aumentando o número de programas nota 5, 6 e 7", concluiu o decano.
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