A Universidade de Brasília (UnB) acaba de registrar o melhor resultado de sua história na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão federal que regula e financia os cursos de mestrado e doutorado no país. A cada quatro anos, a Capes atribui notas de 1 a 7 a todos os programas de pós-graduação (PPGs) em funcionamento — o mínimo para operar é 3.
No ciclo 2021-2024, cujos resultados foram recém-divulgados, a UnB classificou 60 de seus 102 programas avaliados nas três faixas mais altas (notas 5, 6 e 7). O salto mais expressivo ocorreu na faixa 6, que indica excelência internacional: a universidade tinha 9 programas nesse patamar e encerrou o período com 16 — quase o dobro.
ENTENDA AS NOTAS DA CAPES
· Nota 3: desempenho regular (mínimo para funcionar)
· Nota 4: bom desempenho
· Nota 5: alto nível nacional
· Nota 6: excelência internacional
· Nota 7: referência mundial na área
Programas nota 6 ou 7 recebem mais bolsas e verbas para congressos e intercâmbios.
Quem chegou ao topo
Três programas conquistaram pela primeira vez o conceito máximo. Mecânica saltou de 5 para 7; Ecologia e o Programa de Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PPG-PSTO) subiram de 6 para 7. Agora são sete os cursos da UnB nessa faixa.
As áreas de origem são diversas — engenharias, ciências da vida e humanidades. O traço comum, segundo o decano de Pós-Graduação, Roberto Goulart Menezes, está no método: "São programas que têm uma ação coletiva entre professores, técnicos e estudantes, envolvendo toda a comunidade".
O que a nota muda na prática
A classificação da Capes afeta diretamente a rotina de quem cursa mestrado ou doutorado. PPGs com nota 6 ou 7 ingressam no Programa de Excelência Acadêmica (Proex), que amplia o número de bolsas e financia viagens para eventos científicos dentro e fora do Brasil. Os cursos nota 4 e 5 também recebem mais recursos à medida que sobem de faixa.
A UnB mantém 103 PPGs — um deles, o de Turismo, é recém-aprovado e ainda não recebeu nota. Esse contingente representa um quarto de todos os programas do Centro-Oeste, que reúne cerca de 400. No Brasil, são aproximadamente 4.700. Em outras palavras: a universidade forma, sozinha, uma fatia expressiva dos mestres e doutores da região.
Desproporção no financiamento
O desempenho acadêmico contrasta com a distribuição de recursos locais para pesquisa. Segundo o decano, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) repassou R$ 2,4 milhões à UnB para bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. No mesmo edital, o Instituto de Direito Público (IDP), que tem apenas seis PPGs, recebeu R$ 1,6 milhão.
A diferença proporcional supera 11 vezes: cada programa da UnB recebeu, em média, R$ 23,3 mil, enquanto cada curso do IDP obteve cerca de R$ 266,7 mil.
"Nós já levamos essa assimetria ao conhecimento da presidência da FAPDF e nada mudou", afirmou Menezes. "A UnB é a principal universidade do Centro-Oeste e responde pela maior parte da produção científica do DF."
O aperto financeiro não se restringe ao plano local. "O orçamento da Capes de 2026, corrigido pela inflação, é o mesmo de 2014. Temos mais demanda e mais pesquisadores, mas os recursos são menores", completou.
Para o próximo ciclo (2025-2028), que terá resultado divulgado em 2029, a UnB concentra esforços na internacionalização. A universidade lidera uma proposta vencedora do edital Capes Global, que financiará por cinco anos parcerias internacionais entre seis instituições. "Esperamos que na próxima avaliação a UnB siga aumentando o número de programas nota 5, 6 e 7", concluiu o decano.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
