Como evitar adoecimentos nas universidades

Por serem mais dificilmente identificados, transtornos mentais, por vezes, não recebem a atenção necessária. Faculdades podem ajudar tendo abordagem mais integral, não só acadêmica ou profissional

A alegria de ser aprovado no ensino superior, mais tarde, por vezes, definha pela dificuldade de se manter estudando, especialmente para alunos com menores condições socioeconômicas



Numa sala de aula de faculdade, é fácil perceber quando alguém está gripado: o nariz escorrendo, a tosse, a aparência desanimada são logo identificados. Até em casos de problemas mais graves, como pneumonia, os sintomas físicos são visíveis, palpáveis. Não se pode dizer o mesmo dos males da mente: os indícios existem, mas são mais fáceis de esconder ou de passar despercebidos ou serem confundidos. É aí que mora o perigo. Como os transtornos psiquiátricos são mais difíceis de identificar pela comunidade, também se torna mais complicado ajudar quem precisa. Nada disso, porém, deve ser usado como desculpa para não abordar nem prevenir a questão nas instituições de ensino superior. O importante é que as equipes das unidades atuem com sensibilidade e deixem a linha de comunicação aberta. É essa postura que precisa ser adotada por diretores, coordenadores, professores, funcionários e estudantes.

Sérgio Eduardo Silva de Oliveira, mestre e doutor em psicologia



E há mais maneiras com as quais uma universidade pode contribuir para o bem-estar mental dos alunos: estimulando atividades físicas, alimentação saudável, acesso à cultura, atividades de interação social, por exemplo. De acordo com a consultora de educação Andrea Ramal, infelizmente, é mais difícil encontrar instituições de nível superior que tenham proposta à formação integral da pessoa, sem focar apenas no aspecto acadêmico e profissional. "Seria ótimo que as faculdades se preocupassem com isso e estimulassem o desenvolvimento de competências socioemocionais, mas a grande maioria não consegue fazer isso hoje em dia", diz. Em universidades maiores, especialmente naquelas em que as turmas não têm grade fechada, o desafio de acompanhar o bem-estar de cada aluno se torna ainda maior. "Há muitas matérias separadas, feitas em várias departamentos...", observa.

"Os professores, em muitos casos, têm uma vida profissional fora dali. Então, as universidades acabam interferindo só quando é uma coisa grave. Quando há um caso de agressão, por exemplo", afirma. São poucas as instituições que contam com orientador ou tutor individual, alguém que dê conselho sobre qual disciplina cursar e acompanhe a evolução de cada estudante. "Algo que nas escolas e faculdades norte-americanas é muito comum", compara. Assim quando há algo de errado, se a situação for identificada, será por um professor. "Tem docentes que são mais queridos, com os quais os alunos têm mais abertura e coragem de falar. Um diretor ou coordenador de curso dificilmente terá essa interação mais próxima", aponta. Além dos educadores, os próprios alunos têm mais chances de prestar atenção a algo de diferente, como destaca o psicólogo Sérgio Eduardo Silva de Oliveira, especialista em avaliação psicológica, mestre e doutor em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

"A forma de expressão é bastante aberta dentro da saúde mental. Às vezes, os colegas percebem um comportamento inusual em alguém e pedem ajuda. Há pessoas que sofrem muito caladas e têm dificuldade de se abrir. Essas podem ter um comprometimento maior, pois, sem ajuda, sentem que aquilo só acontece com elas, que estão sozinhas", alerta. Por isso, Sérgio, que é professor de psicologia da Universidade de Brasília (UnB), acredita na importância de discutir o assunto nas universidades. "O mais bacana de falar de saúde mental é desmistificar o tabu que envolve o tema, quebrar o preconceito e mudar a visão da sociedade." Debates, palestras e outras formas de disseminação de informação também ajudam a comunidade acadêmica a ficar mais atenta a sinais. "Isolamento, silenciamento, falas negativas e desesperançosas na vida real ou nas redes sociais, mudança de comportamento são indícios aos quais se deve prestar atenção", diz.

Intervenção na UnB

A UnB enfrenta um momento delicado desde que um suicídio aconteceu dentro do câmpus Darcy Ribeiro no início de junho. "Esse é o único caso de que temos registro", diz o professor Paulo Cesar Marques da Silva, chefe de gabinete da Reitoria da universidade. Ele, que foi prefeito do câmpus, diz que todas as providências corretas foram tomadas no dia. "A primeira medida foi acionar o Corpo de Bombeiros, até porque é a entidade treinada para isso, e chegou muito rápido. Assistentes sociais e psicólogos tentaram estabelecer contato com a estudante. Infelizmente, o desfecho não foi o que a gente esperava", lamenta o engenheiro mecânico pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A partir disso, de acordo com o mestre em engenharia de transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em estudos do transporte pela University College London, a equipe da instituição analisou a estrutura do câmpus, a fim de evitar situações de risco, como o acesso a locais altos.
"Esta administração se preocupa com a saúde mental e criou, no ano passado, uma comissão sobre o assunto, que reúne estudantes e representantes das unidades acadêmicas", Paulo Cesar Marques, chefe de gabinete da Reitoria



"A gente segue as normas de construção e há coisas que não tínhamos avaliado antes como de risco e que, agora, estamos vendo como melhorar." A partir do acontecimento, o professor observa que foram tomadas providências no sentido de dar apoio a colegas e familiares. Segundo ele, a instituição também tem ficado mais alerta. "Tanto a pessoas que se sentiram particularmente afetadas quanto a outras que passam por algum tipo de sofrimento, em quem os efeitos desse caso poderiam deflagrar alguma crise." Paulo Cesar garante que a preocupação com o bem-estar psicológico da comunidade acadêmica não é de agora. "Esta administração se preocupava com isso desde antes. No ano passado, a Reitoria criou uma comissão de saúde mental, que reúne estudantes e representantes das unidades acadêmicas", afirma. O grupo, inclusive, fez uma sondagem (anônima, voluntária e on-line) com estudantes e coordenadores.

Entre os alunos, cerca de metade dissera ter sintomas de depressão, e 15% afirmam pensar em se matar todos os dias. As principais fontes de sofrimento são ligadas à vida acadêmica, indicadas em termos como "prazos", "cálculo", "monografia", "professor", "aula" e "ciência". Entre os respondentes coordenadores, o levantamento demonstrou que eles não se sentam preparados para lidar com a saúde mental dos universitários. Os resultados dos questionários virtuais, porém, não têm caráter institucional, oficial ou conclusivo. As respostas não permitem afirmações em relação ao conjunto dos 44 mil estudantes da UnB. A sondagem foi feita para subsidiar discussões da comissão de saúde mental e deve nortear uma pesquisa no futuro. Os integrantes também têm elencado sugestões para que a universidade possa avançar e melhorar no acolhimento dos estudantes. Uma Política de Vida Estudantil está em fase de formulação.

Agravantes

Fatores externos e internos contribuem para aumentar a tensão sobre os ombros dos estudantes. Paulo Cesar Marques percebe que o estresse da vida acadêmica pode se agravar em situações de carga de trabalho identificada como excessiva e mal dosada, problemas de relacionamento com professores e fragilidade financeira, por exemplo. "Com as cotas, houve mudança no perfil socioeconômico do alunado. Há mais pessoas que precisam trabalhar para subsistir e ainda conciliar isso com os estudos. E essas dificuldades nem sempre são atendidas pelos benefícios de permanência estudantil, o que significa um estresse a mais", diz. Felipe de Baére, psicólogo e jornalista, concorda. "Neste momento, a gente está vivenciando uma fase de muita vulnerabilidade porque temos observado muitos cortes na educação", diz o pesquisador de gênero e saúde mental. "Ainda que exista uma política de cotas que faz com que minorias sociais acessem espaços de educação, a permanência é muito difícil", afirma.

"Será que os professores estão preparados para acolher esse perfil de estudantes? Há compreensão quando um aluno mora em Goiás e acorda às 4h da manhã para ir estudar na UnB? Há tolerância se ele chegar um pouco atrasado, depois das 8h, na aula?", questiona. "A sensação que muitos têm é de desamparo institucional", observa. Por isso, defende Felipe de Baére, é importante que existam centros de acolhimento que sirvam de referência. "Além disso, em ambientes escolares e universitários, iniciativas que incentivem a comunidade acadêmica a ter comunicação e relação mais ativas podem surtir efeito bastante positivo."

Segundo o estudioso de gênero e saúde mental, as discriminações e as repressões relacionadas a orientação sexual têm efeitos muito negativos e, infelizmente, são realidade em certas áreas das universidades."Tem curso em que a heteronormatividade e o machismo são mais capilarizados. O agenciamento do machismo e a LGBTfobia são mais fortes nas graduações de exatas, onde há mais predominância de homens", aponta."Muitas das pessoas que fogem do padrão aceito pela sociedade já nem optam por esses cursos, escolhem estudar humanas, área em que é mais provável encontrar espaços acolhedores. Numa engenharia, são maiores a predominância masculina e a chance de ser alvo de brincadeiras e de perder oportunidades por ser quem é." A repressão parte de colegas e também de funcionários e professores."Tem até o termo epistemicídio, a morte simbólica de referências das minorias."
Paula Meyer, André Barros de Sales, Wander Pereira e Edson Alves, professores do câmpus Gama



Encaminhamentos

"Os transtornos mentais são uma preocupação mundial, não acontecem só na UnB, nem só nas universidades. Entendemos que a universidade não tem função de atendimento ou tratamento, mas também pode estar alheia à questão", observa Paulo Cesar Marques. "E, se existem fatores que podem contribuir para isso no nosso microcosmos, temos de agir", defende ele, que é titular do Conselho Consultivo de Preservação e Planejamento Territorial e Metropolitano do Distrito Federal (CCPPTM). Entre as iniciativas da universidade, está a disciplina Felicidade, que passará a ser ofertada no segundo semestre deste ano no câmpus Gama. Alunos de todas as unidades podem preencher as 240 vagas oferecidas, mas os do Gama e os que fazem acompanhamento psicológico na UnB têm prioridade. O curso será ministrado pelo professor de engenharia de software Wander Pereira, psicólogo pela Universidade Federal do Pará (UFPA), mestre e doutor em psicologia pela UnB. Serão quatro créditos abordando autoconhecimento, afeto, respeito às diferenças, solidariedade entre outros assuntos.

A instituição também tem promovido rodas de conversa sobre saúde mental. Uma delas, na semana seguinte ao caso de suicídio dentro da UnB, reuniu 150 alunos do Instituto de Ciência Política (Ipol). Está em fase de estruturação o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Saúde Mental e Drogas (Nepasd), também do Instituto de Psicologia, mas voltado principalmente para alunos. A Universidade de Brasília apoia os alunos e a comunidade acadêmica por meio do Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (Caep), clínica-escola em que estudantes dos últimos semestres da graduação em psicologia fazem atendimentos. Há, ainda, atendimentos pontuais na Diretoria de Desenvolvimento Social do Decanato de Assuntos Comunitários (DDS/DAC) e no Serviço de Orientação ao Universitário do Decanato de Ensino de Graduação (SOU/DEG).

Diretório Acadêmico das Engenharias da UnB do Gama pregou cartazes motivacionais pelas paredes do câmpus



Para professores e servidores técnico-administrativos, há acolhimento, intervenção em crise, escuta qualificada e atenção psicológica oferecidas pela Diretoria de Segurança e Qualidade de Vida no Trabalho do Decanato de Gestão de Pessoas (DGP). Recentemente, a UnB criou um grupo para atendimento a situações de risco emergencial para ajudar em casos mais urgentes, aos quais diretores das unidades acadêmicas encaminham estudantes. "Isso é feito com muito cuidado. O estudante que precisa de ajuda deve procurar o coordenador do curso ou do programa de pós-graduação. Essa é a porta de entrada. Outra possibilidade é o aluno conversar com um professor com quem esteja mais ligado", comenta Paulo Cesar Marques. Também há articulação para encaminhar a pessoa para instituições externas, quando necessário.

Maurenilson Freire/CB/D.A Press



Relato sincero

O Correio disponibiliza abaixo mensagem de uma ex-aluna da UnB em tratamento para depressão

Carta de alguém que já se sentiu exatamente como você

"Parece clichê, mas é a coisa mais verdadeira que eu consigo pensar para te dizer agora: você não está sozinha ou sozinho. Seja quem for, seja qual for a sua história, qualquer problema doloroso pelo qual você esteja passando. Você não está sozinho. Eu tomava café enquanto vi no feed a notícia de que a aluna da UnB não tinha conseguido sobreviver depois de encaminhada para o Hospital de Base. Eu chorei. Queria tê-la ajudado, queria tê-la conhecido, queria ter dito que aquilo que ela escreveu no Facebook era exatamente o mesmo sentimento que eu havia escrito em meus diários anos atrás. Olhando a minha história em perspectiva consigo perceber que tinha tendências suicidas desde a adolescência, embora tenha uma família incrível e tenha conhecido muitos amigos queridos ao longo da vida. Sou muito privilegiada, mas nenhum dos meus privilégios me impediu de sentir o que eu sentia, o que sei que aquela moça sentiu, e o que tantas outras pessoas sentem e sentirão.

E aqui vai um adendo para todas as famílias das vítimas: eu sei que é doloroso, que vocês se perguntam o que poderiam ter feito, mas não é culpa de vocês, assim como não foi culpa da minha família nas diversas vezes que pensei que essa fosse a única solução possível para mim. É algo que temos que mudar como sociedade para conseguir encarar esse inexplicável problema. O tabu sobre o suicídio só nos faz sentir vergonha daquilo que consideramos ser nossa fraqueza e única solução. E a vergonha é um combustível perigoso para uma espiral que começa silenciosa. Uma coisa corriqueira, como uma nota baixa, por exemplo, te faz sentir mal consigo mesma. Acontece com todo mundo. Mas aí existem outros detalhes pequenos da vida. Uma briga em casa, um ambiente de difícil convivência pessoal - que pode ser no trabalho, na escola ou na própria família. De repente, tudo se junta e seu cérebro começa a achar que você é o verdadeiro problema. Que é você que faz tudo dar errado. Que é sua culpa. Culpa é um sentido constante na sua vida. É sua companheira.

E é aí que a doença te engana. Depressão e ansiedade, no meu caso. Podem ser outros males da mente para outras pessoas. Nesse ponto, acredito que todos eles se comportam de maneira muito parecida. As doenças começam a sugerir pensamentos. "Tudo seria melhor se você nem tivesse nascido", "todos estariam melhor sem você", "ninguém vai sentir sua falta", "você não tem ninguém", "você está sozinha". Mas isso é mentira! A única verdade em todos esses pensamentos é que você precisa de ajuda, mas não consegue. Quando chegamos nessa fase, e acredito que isso também seja uma experiência mais ou menos comum, não conseguimos falar direito. Mandamos códigos cifrados que só podem ser compreendidos quando é tarde demais, mas esses códigos são a única maneira que encontramos para nos expressar. De outra forma, não conseguimos. Nem na terapia, nem com amigos, nem familiares e talvez nem com nós mesmos. Certa vez, fiquei calada durante uma hora inteira na sessão de terapia. Sentia que não podia dizer à terapeuta o que realmente estava pensando.

Em outros momentos, nem eu mesma tinha clareza suficiente para entender meus pensamentos. O que deu certo para mim foi buscar conexões e outros tipos de terapia, como o método cognitivo comportamental (TCC), com o qual eu não precisava necessariamente falar sobre tudo aquilo que sentia para obter ajuda. Eu também fiz tratamento com medicamentos por algum tempo, tomava um antidepressivo de manhã, um ansiolítico à noite, e tinha receita de um comprimido sublingual para os casos de ataques de pânico - que eram súbitos e precisavam ser controlados na hora. Tomar remédios não é uma vergonha! Não tenha medo de procurar ajuda psiquiátrica. Ela é necessária e muito precisa em alguns casos. Há quase dois anos não faço mais tratamento com medicamentos, mas, certa vez, ouvi da minha orientadora da graduação algumas das palavras mais importantes até hoje: "E daí se você tiver que tomar esses remédios pelo resto da vida?! Isso não te faz pior que ninguém".

Mas, o mais importante, é não acreditar naqueles pensamentos. Meu namorado, hoje marido, me dizia durante meus piores dias de crise: você está pensando mal, você está pensando errado, não fique presa a esses pensamentos. Na época, ele não tinha a noção exata de que tipo de pensamentos eram aqueles, mas ele sabia, como hoje eu tenho certeza, que aquilo na minha cabeça não era eu. Essas palavras sopradas aí dentro não são você! Essa desesperança não é você! Essa dor que dói e você não sabe onde, não é você! Por favor, não acredite em tudo isso. É uma doença. Depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar... É uma doença e existe tratamento para ela. Não desista! Você não está sozinho! Nas horas de desespero, agarre-se em pequenos gestos de gentileza. Acreditar sinceramente em um "bom-dia" desejado por pessoas queridas ou por desconhecidos dentro do transporte público ou procurar um trabalho voluntário em que você possa se sentir útil a outras pessoas. Tente se aproximar de alguém que você ame muito, seus pais, avós, seu animal de estimação.

Sempre existe alguém. Mesmo que seja uma única pessoa no mundo, pense em como ela ficaria destruída depois que você fizesse o que está pensando em fazer. E não se apegue tanto às reações negativas das outras pessoas. Eu sei que nessa hora qualquer falta de educação na rua vira uma coisa que machuca demais. Mas pense que ninguém sabe pelo que nós estamos passando, assim como nós não sabemos pelo que a outra pessoa passa. Ela pode estar pensando exatamente a mesma coisa que você, só que a maneira como nossa sociedade lida com esse assunto nos impede de perceber os sinais. Então, apegue-se apenas às coisas positivas do seu dia e tente relativizar tudo o que é negativo. Pelo menos em um primeiro momento, porque você não está em condições de lidar com isso agora. Parece bobeira, aforismo, autoajuda inútil, mas existe uma saída. Assim como eu, existem outras pessoas que conseguiram sobreviver depois de passar por esses pensamentos. A gente consegue sobreviver, levar uma vida normal, superar. Você consegue. Basta encontrar as ferramentas certas."

Palavra de especialista

"Durante o mestrado na UnB, trabalhei a interface do gênero e das orientações sexuais no comportamento suicida. No caso das mulheres, o fator estético é muito forte e atravessa toda a existência delas. Na nossa sociedade, os homens saem da infância, adentram a adolescência e não precisam fazer nada para serem reconhecidos socialmente como homens, é só deixar os pelos crescerem. As mulheres, não. Elas são reconhecidas e valorizadas socialmente como "mulheres que se prezam" quando fazem as unhas, cuidam do cabelo, tiram os pelos... Existe um ideal de beleza jovem, branco e magro, mas que é ruim para todas. Todas as mulheres, em algum momento de suas vidas, estarão fora desse ideal. E, quanto mais ela estiver distanciada desse ideal, possivelmente mais a autoestima será fragilizada, e a mulher será preterida em termos afetivos."
Felipe de Baére, mestre e doutorando em psicologia clínica e cultura pela UnB