Os efeitos do projeto Gentileza

Angela, Lorena, Dulceli e Mercy impulsionam as ações do projeto | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Angela, Lorena, Dulceli e Mercy impulsionam as ações do projeto | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Professora de história que trabalha na sala de leitura do colégio, Angela Santos explica que a iniciativa tem como missão resgatar valores e incentivar uma convivência harmoniosa e gentil na unidade escolar. "Eu via os alunos com aquela falta de respeito e ficava pensando: o que posso fazer para ajudar a escola a melhorar isso? Aí surgiu a ideia, recebi apoio da direção e de todos os outros professores." A ação foi abraçada por todo o colégio e incorporada pela Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola), que engloba outros projetos da unidade, como a horta. A fonte de inspiração da proposta é o Profeta Gentileza (1917-1996). A frase mais famosa dele é "Gentileza gera gentileza". As paredes do CEF 10 de Ceilândia estão marcadas por mensagens de esperança em murais produzidos pelos estudantes.

A horta escolar é outro projeto da instituição | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
A horta escolar é outro projeto da instituição | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Saiba mais sobre o projeto no vídeo:

O projeto atinge os 740 alunos e os 70 funcionários (incluindo os 40 professores) da escola, e as atividades são desenvolvidas dentro de disciplinas e também no contraturno escolar, por meio de vídeos, debates, pesquisas, encenações e outras ações. O retorno é muito positivo. " Se as pessoas ficam gentis, não tem mais bullying, então resolve muita coisa", aponta Angela. Lorena Sant' Ana, orientadora educacional, relata que nem escutava mais "bom dia", "boa tarde", "boa noite" no colégio, algo que mudou completamente. "Faz parte do trabalho resgatar a educação e proliferar a gentileza na escola e em casa", diz. A orientadora educacional Dulceli Amaral explica que o Gentileza permeia, agora, todas as atividades da escola.

Outra boa notícia é que os pupilos passaram a frequentar o local também fora do horário de aula. "A escola está viva, há o que se fazer aqui. Eles estão vindo e não é valendo nota", observa Mercy Oliveira, professora de biologia. As atividades estimulam os jovens a terem orgulho do ambiente onde estudam e vivem, algo necessário, especialmente em Ceilândia, na visão das professoras. "Existe preconceito com relação à cidade. Para um adolescente que está em conflito ou em crise, é mais uma coisa para somar à lista", destaca Lorena. "Por isso, temos ações no sentido de valorizar também o lugar onde vivemos", acrescenta Angela. As atividades também se estendem aos responsáveis. "A grande maioria dos pais estão buscando o sucesso dos filhos no boletim, e não na vida. É difícil trazer os adultos para a escola, o único momento em que eles participam mais é na reunião de entrega de nota", afirma Lorena.

Falar de vida

Por isso, a orientadora educacional resolveu adotar estratégia diferente. "Trouxemos um conselheiro tutelar e uma pedagoga para a reunião a fim de falar da importância de olhar, escutar e conhecer os filhos, pois existe carência emocional." Um relacionamento familiar saudável se torna ainda mais vital durante a adolescência. "A autoestima está arrastando no chão, há uma série de conflitos internos e externos. Por isso, é missão do Gentileza também mostrar o lado bom da vida", esclarece. Ações continuadas, como o projeto desenvolvido no CEF 10, avalia Lorena, valem muito mais do que "dias D" de conscientização sobre suicídio. "Por que vamos parar para falar de morte se podemos falar de vida? Estamos falando de vida desde o início do ano, e a semente começou a dar frutos", conta. E quanto mais cedo um trabalho como esse começar, melhor. "No ensino fundamental é que devemos despertar para isso. Se a valorização da vida não for trabalhada agora, os problemas aparecerão no ensino médio. Duas ex-alunas que foram para o ensino médio este ano cometeram suicídio", lamenta. Acompanhe as atividades do projeto e do CEF 10 de Ceilândia no blog .