Confira relatos de adolescentes que estudam no CEF 10 de Ceilândia

Isadora, Anna Clara, Matheus (ao fundo), Eliton, Pedro Henrique, Maria Eduarda e Raquel (à frente) | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Isadora, Anna Clara, Matheus (ao fundo), Eliton, Pedro Henrique, Maria Eduarda e Raquel (à frente) | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Anna Clara Simões e Silva, 14 anos, aluna do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Anna Clara Simões e Silva, 14 anos, aluna do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Com o projeto Gentileza, mesmo quando você está num mau dia, você tenta se alegrar com alguma coisa, dá um 'bom dia' para alguém ou elogia uma pessoa. Tem gente que tem autoestima baixa e ouvir algo como 'nossa, seu cabelo está muito bonito!' já faz a diferença. Eu definiria o projeto Gentileza como você sempre ver algo positivo na vida e falar coisas boas para outras pessoas no dia a dia. Todo mundo tem dias ruins, e o projeto nos ajuda a passar por isso. A diferença é nítida. Alguns alunos eram bem mal-humorados, não se entrosavam, não gostavam de falar com os outros e mudaram: a gente passa por eles e ouve 'bom dia', 'oi, tudo bem?' Isso também nos aproxima dos professores, das orientadoras e da direção também, pois sabemos que podemos falar com eles quando estivermos passando por algo ruim.
Matheus Gabriel França Gomes, 14 anos, aluno do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Matheus Gabriel França Gomes, 14 anos, aluno do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Em muitos colégios, o potencial dos alunos não é explorado de forma boa porque a direção não conhece o que eles têm a oferecer. Os estudantes estão na escola bem mais do que só para ficar na sala vendo conteúdo, e não dá para professores e diretores perceberem isso só durante as aulas, pois há pouco tempo para conversar de verdade. Então, projetos como o Gentileza são muito importantes. Assim, a gente não fica na mesmice, se interessa mais e passa a ter mais intimidade com a equipe da escola. Se eu estiver passando por algum problema, como bullying, terei liberdade para procurar a equipe do colégio por causa disso.
Maria Eduarda Fernandes de Oliveira,  12 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Maria Eduarda Fernandes de Oliveira, 12 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Sou aluna daqui há três anos. Antes do Gentileza, eu não gostava de mim, eu me odiava, nem olhava para o espelho direito. Era por questão de aparência, por achar que eu não tinha o biotipo que os meninos gostam, do grupinho das populares. Hoje, isso mudou, não estou nem aí para isso, quero é curtir a vida. Hoje, qualquer coisa já estou dizendo 'como eu sou legal', 'eu vou conseguir', 'eu posso fazer isso'. Eu me amo, consigo ter uma percepção melhor de mim e dos meus colegas, e passei a ser gentil comigo e com os outros. Antes do projeto Gentileza, eu também não me misturava com o pessoal da coordenação, 'não falava bom dia'. Hoje, já chego à sala da diretora tomando café, tenho a maior intimidade com a equipe. Eu tenho muita afinidade com as orientadoras e elas me ajudam muito, faz toda a diferença ter essa abertura.
Eliton Gabriel de Souza das Neves, 14 anos, aluno do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Eliton Gabriel de Souza das Neves, 14 anos, aluno do 9º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Estou no colégio há dois anos e percebo que ele estava precisando de algo a mais para sair da mesmice. Então o projeto Gentileza é ideal, pois traz mais vontade de estudar, aprender, mudar, ser gentil com as pessoas e ter bondade. Com essa iniciativa, todo mundo pode ter mais intimidade, não só com professores e diretores, mas também com outros alunos, para falar sobre qualquer problema que esteja passando, seja bullying, baixa autoestima, seja depressão. Com a convivência em atividades do projeto fora do horário das aulas, a socialização é bem maior, a gente conversa mais, faz mais amigos, o que evita problemas de má convivência. Uma coisa boa é que você nunca se sente sozinho. E se vemos alguém isolado, tentamos conversar e até pedir ajuda das orientadoras para lidar com isso.
Raquel Marques da Silva, 13 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Raquel Marques da Silva, 13 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Estudo aqui há três anos. Participo da Com-Vida e do Gentileza, que são trabalhados durante as aulas e fora delas. Acho muito legal a cooperatividade que eles trazem, criando um ambiente melhor na escola, o que evita e ajuda a lidar com problemas de bullying, depressão, ansiedade%u2026 Além de a pessoa praticar uma atividade, em vez de estar na rua, desenvolverá seu lado emocional, terá com quem conversar. A maioria de nós nem se falava, e mudamos isso. Pretendo fazer direito, uma área que trabalha com comunicação humana. Então, o projeto me ajuda nisso também. Com as atividades, em vez de só pensar nas matérias, vemos o que os humanos sentem e precisam e que as pessoas são muito mais do que pensamos.
Pedro Henrique Rocha, 12 anos, aluno do 7º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Pedro Henrique Rocha, 12 anos, aluno do 7º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Entrei na escola este ano e vejo muitas diferenças em comparação com onde eu estudava antes. A direção é mais compreensiva, abre mais espaço para os alunos. O Gentileza é um projeto incrível que mudou a vida de muita gente da escola, criou intimidade entre os alunos e a direção e a orientação. Eu me tornei mais gentil e compreensivo. Se eu estivesse enfrentando algum problema, eu me sentiria à vontade para falar com as pessoas da escola. Por meio dos projetos da Com-Vida, fui escolhido para representar a escola na quinta Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em São Paulo. Apresentei, por meio de uma maquete, uma proposta de conscientização com relação ao uso da água e à captação de água da chuva, algo que envolveu a escola toda. Eu nunca tinha viajado sem meus pais antes. Fui o único da escola a ir.
Isadora Regina Menezes de Sousa, 13 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
Isadora Regina Menezes de Sousa, 13 anos, aluna do 8º ano | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Estou no CEF 10 há três anos. Quando entrei, no 6º ano, não havia projeto nem abertura de relacionamento entre os alunos e a diretoria. Desde o início deste ano, os projetos estão nos ajudando a ter mais comunicação. Antes, só descíamos para a direção quando tínhamos problemas em sala de aula. Agora, não. Temos bastante envolvimento. O projeto Gentileza mudou muito nossos hábitos, passamos a dizer 'obrigada', 'por favor', 'bom dia', o que afeta a vida de muita gente. Eu não costumava dar 'bom dia' nem para o porteiro nem para ninguém, isso mudou bastante. Revi meus conceitos e entendi que a gentileza é algo que a gente precisa levar para a vida, dentro e fora da escola. Aprendi que não podemos conversar com as pessoas de qualquer forma, pois não sabemos pelo que elas estão passando nem como elas interpretarão o que dissermos. Por isso, é importante sempre ser gentil. Dizer 'bom dia', 'obrigada' muda totalmente a conversa e o modo como você trata as pessoas. Com o projeto, você passa a ser mais gentil até com você mesmo.