Em resposta ao vídeo publicado na última quarta-feira (14) por Victor Jansen, jovem ligado ao movimento político conservador no Distrito Federal, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília (UnB), publicou nas redes sociais, nesta quarta-feira (21), nota repudiando as falas do ativista. A entidade estudantil afirmou: “As Universidades públicas no Brasil são muito mais que isso”, referindo-se aos diversos ataques que afirma sofrer ao longo do tempo."
O vídeo em questão foi publicado nas redes sociais do ativista político que conta com mais de 120 mil seguidores em seu perfil principal e mais de 90 mil em outro perfil intitulado: “Direita na Capital”, que visa promover a “limpeza das universidades”. Ao longo da gravação, o jovem faz críticas ao centro acadêmico de biologia, conhecido entre os estudantes como CABio. Segundo ele, o vídeo é informativo e serve para mostrar um pouco de como é a UnB.
O centro acadêmico manifestou-se contra o ocorrido e pontuou que o movimento promovido por Victor é uma retórica histórica fortemente vinculada a movimentos autoritários, que buscam silenciar a diversidade de ideias sociais e criminalizar a organização estudantil, ao transformar os espaços de convivência em alvos de perseguição ideológica.
A nota de repúdio enfatiza que "o nosso centro acadêmico é um espaço coletivo e de formação política, a partir de decisões e princípios deliberados coletivamente e assegurados pelo nosso estatuto e regimento interno.” Em seguida, se posicionam contra a divulgação e exposição de conteúdos a fim de difamar e irradiar uma imagem equivocada do espaço e da instituição de ensino superior.
Por sua vez, Victor afirmou que não houve ataque da extrema direita, mas que sua luta está pautada em “preservar a universidade” — sem pichações, drogas e desrespeito ao dinheiro público. Segundo ele, na ocasião citada pelo DCE, os ataques partiram dos estudantes que ali estavam presentes, por meio de invasão ao vídeo e ofensas.
O ativista Victor é autor, junto com o deputado Hélio Lopes (PL), de um projeto de lei que prevê penalizar o tráfico de drogas especificamente dentro das universidades. Ele afirma que “De maneira nenhuma poderia ser aceito drogas na universidade”, pontua. E acrescentou que foi mostrada as drogas: "basta ver no vídeo"
Confira a nota do DCE Honestino Guimarães:
“ EU DEFENDO A UNB!
Nota de repúdio aos ataques da extrema direita ao Centro Acadêmico de Biologia da UnB
Mais uma vez, as entidades de representação estudantil são alvos de ataques baixos e mentirosos da extrema direita na UnB. Se no ano passado CAs como o de História e Artes foram perseguidos, difamados e depredados, esse ano o CABio também passou a ser alvo da máquina de mentiras da extrema direita.
O método deles não é novidade: buscam criar uma narrativa falaciosa sobre as universidades, criando um cenário de pânico moral contra a educação pública e entidades de representação democráticas dos estudantes. Seu objetivo, porém, não é a melhoria da universidade em nenhuma instância: é, na verdade, contra a universidade pública, gratuita e livre, com pluralidade de pensamento. Seu projeto político é, de um lado, se eleger na onda do pânico moral e, de outro, privatizar a educação e moralizar o que pode e o que não pode ser dito, acabando com o pensamento livre e crítico.
Afirmamos que as Universidades públicas no Brasil são muito mais que isso: são as grandes responsáveis pelos avanços científicos e tecnológicos produzidos pelo nosso país. As Universidades são o grande sonho de milhões de jovens que sonham em mudar de vida e alcançar um futuro melhor para si e suas famílias. A universidade é produtora de conhecimento socialmente referenciado, se preocupa não apenas com o lucro, mas com o bem estar social e o desenvolvimento da soberania do povo. Ela está longe de ser perfeita — passamos por uma grave crise orçamentária que limita nossas capacidades de produção de conhecimento e até mesmo a permanência dos estudantes — mas enquanto lutamos pela melhoria da educação, valorização das universidades, de seus profissionais e pela expansão de seus serviços, a extrema direita luta pela exclusão e destruição da educação pública e pela violência nesses ambientes.
É hora de deixar claro nosso lado: somos aqueles que são os defensores da educação pública, gratuita, que possa ser universal, de qualidade e socialmente referenciada. Nós defendemos a nossa instituição!
