Transformações digitais

Técnico de enfermagem desponta como a 2ª carreira mais demandada

25 empregos em alta para 2026

Sofia Sellani*
postado em 08/02/2026 06:00 / atualizado em 08/02/2026 06:00
. -  (crédito: Pacífico)
. - (crédito: Pacífico)
 
A lém da engenharia de inteligência artificial, outros setores, como o de saúde, indústria  e gestão, apareceram com força na lista anual Empregos em alta do Linkedin, que reúne os 25 cargos com crescimento consistente dos últimos três anos.  Técnico de enfermagem, por exemplo, aparece como segundo colocado. O ofício, que inclui auxiliar enfermeiros e médicos prestando cuidados básicos ao paciente, requer profissionais para realizar procedimentos como administrar medicamentos, registrar sinais vitais e dar suporte a procedimentos médicos em hospitais ou clínicas. 
Flavia Alves, 28, é uma dessas profissionais. Na área há dois anos, a técnica afirma que a profissão é desafiadora. “É uma área que exige muito amor pelo ser humano. É difícil,  muitas vezes não é bem remunerada e reconhecida”, afirma. 
Embora Flávia tenha escolhido a área por ser ampla nas ofertas de vagas, destaca que mesmo com a “carência” e necessidade de profissionais, o resultado da grande procura é o rápido descarte dos técnicos. A profissional conclui que, por ter uma grande demanda, deixa de recomendar a área. 
Bruno Solano, 45 ano, trabalha com IA.  Founder e CEO da startup Amplixa, a escolha de seguir carreira na área se deu por identificar uma oportunidade de mercado inédita, “comparável apenas ao surgimento da internet no Brasil na década de 90”. Solano, que começou como desenvolvedor, explica que a engenharia de IA cresce porque é a habilitadora da força de trabalho digital, o que permite que empresas escalem operações de formas que seriam inviáveis apenas com força de trabalho humana. 
No entanto, lembra que, embora as habilidades técnicas sejam cruciais, o diferencial competitivo reside nas habilidades humanas que a IA não consegue replicar. Ou seja, o desafio não é apenas tecnológico, mas de mentalidade. “Minha preparação envolve tanto a engenharia quanto habilidades humanas como filosofia e pensamento crítico, essenciais para garantir a ética e a governança dos sistemas”, afirma. 
Já para o sócio-diretor de produto e tecnologia, experiência e processo na Cia. de Talentos, Felipe Jun, as mudanças no mercado vão além das áreas de tecnologia. Para o especialista, a partir das novidades digitais, torna-se cada vez mais necessário um entendimento/letramento digital para profissionais de todas as áreas entenderem o básico dessas ferramentas. “É importante saber como ela (IA) funciona, como se pode extrair o máximo de potencial”, explica. “Antes, todo mundo recorria à área de tecnologia para fazer alguma coisa, a inteligência artificial democratizou tanto isso que as próprias áreas conseguem usá-la nos processos quando entendem pelo menos o básico. Não como um técnico, mas para gerar mais produtividade e melhorar o trabalho” 
Jun afirma que para os próximos anos, saber “dominar” ou, ao menos, um pouco sobre o funcionamento da IA pode acabar se tornando um pré-requisito para contratação. Ao mesmo tempo, o especialista lembra que as “habilidades humanas” são indispensáveis. “Tem que ter pensamento crítico, criativo, capacidade analítica, e de enxergar dados”, realça.  
Desse modo, reforça que mesmo com as mudanças, tanto no mercado quanto nas profissões, “as principais habilidades necessárias para os profissionais daqui para a frente são mais humanas do que eram anteriormente”, explica. “A inteligência artificial é uma ferramenta muito poderosa, mas sem todas essas habilidades ela não vai sair do lugar”. Assim, para que a ferramenta seja apli- cada, é necessário ter um  ser humano para mapear e achar uma solução para o problema.  
Porém, para Jun, mesmo com o aumento da produtividade a partir do uso da tecnologia, a tendência deixa de ser de buscar um “trabalho infinito” onde o profissional passa mais horas da rotina trabalhando, para entender que a ferramenta, junto com a habilidade necessária, auxilia para que haja mais tempo e equilíbrio de vida. “É abrir portas para um mundo onde se tem mais bem estar”. O reflexo, além de uma provável melhor qualidade de vida, é a opção de trabalho híbrido ou remoto.  
* Estagiária sob a supervisão de Ana Sá 

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