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Transformações digitais

Inteligência artificial é a carreira que mais cresce no país; curso de IA da UFG alcança a segunda maior nota de corte do Sisu 2026

Levantamento do LinkedIn destaca que a engenharia de IA foi a carreira que mais cresceu no país. E o Sisu confirma: o curso de IA da UFG alcançou a segunda nota de corte mais alta em 2026

A presença cada vez mais intensa da tecnologia no cotidiano profissional tem redefinido o mercado de trabalho brasileiro. Em um cenário marcado por transformações digitais aceleradas, escolher uma carreira exige planejamento e atenção às tendências. Com o objetivo de orientar os profissionais em diferentes estágios da vida corporativa, o LinkedIn divulgou a lista anual “Empregos em alta”, que reúne as 25 profissões com crescimento consistente dos últimos três anos. 

Baseados em dados analisados da plataforma, os cargos escalados mostraram crescimento positivo entre os usuários e tiveram anúncios de vagas suficientes no ano anterior. De acordo com o estudo, áreas de tecnologia, saúde, indústria e gestão concentram a maior parte das oportunidades, refletindo as demandas atuais de empresas e da sociedade. 
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Para o  editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil, Guilherme Odri, a proposta da lista é funcionar como ferramenta estratégica para os trabalhadores brasileiros. Ao entender o rumo que o mercado de trabalho está caminhando, é possível usar os dados para orientar tanto aqueles que estão entrando no mundo corporativo, quanto aqueles que desejam “tomar as melhores decisões, seja em transição ou evolução de carreira” 
Segundo Otri, a edição deste ano, além de mais fácil de interpretar, está alinhada com as mudanças do mercado. “Comparando a lista ano a ano, é possível perceber a tendência a cargos ligados a tecnologia. Observamos que muitas funções estão ligadas a especializações, principalmente nessa área”, destaca. O especialista explica que, com crises e incertezas econômicas mundiais, profissões que envolvem planejamento financeiro, planejamento de risco e tudo que aumente a previsibilidade de problemas, também foram citados. 

Graduação em IA 

Arquivo Pessoal - Heloisy Rodrigues, a primeira mulher a se formar no curso de IA da UFG
A carreira de engenharia de inteligência artificial foi a mais que cresceu no país nos últimos anos. Os engenheiros  são responsáveis por projetar e construir sistemas que utilizam a ferramenta para realizar tarefas como analisar dados, reconhecer padrões e fazer previsões. 
Heloisy Pereira Rodrigues, 26 anos, foi a primeira mulher a se formar no curso de inteligência artificial (IA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Inicialmente, ela sonhava em cursar medicina e se dedicou intensamente aos estudos para isso. “Pelo mercado de trabalho aquecido, sempre soube que, ao me formar, teria um bom emprego”, afirmou. Após não conseguir uma vaga, optou por cursar um semestre de odontologia na UFG, mas não se identificou com a área e decidiu retornar ao cursinho preparatório. 
Durante a colação de grau da irmã, enquanto estava no cursinho, Heloisy ouviu pela primeira vez falar sobre a graduação em inteligência artificial. Ao conversar com a mãe, sentiu-se encorajada a apostar no novo curso e utilizou sua nota no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para concorrer à vaga. Com a aprovação, passou a integrar a primeira turma e garante que fez a escolha certa. De acordo com ela, a média salarial dos coletas da turma varia entre sete e 12 mil reais, e, quanto à empregabilidade, a profissional afirma que não houve obstáculos após a conclusão do curso.
Divulgação/Secom UFG - Evellyn Nicole é engenheira em uma empresa de seguros
Evellyn Nicole Machado, 23 anos, se formou em inteligência artificial (IA) na Universidade Federal de Goiás (UFG) no final de 2024. Hoje, engenheira de IA na empresa de seguros Akad Seguros, Machado conta que antes de escolher a graduação, não sabia o que fazer. “Aí, escutei um amigo comentando do curso. A partir daquele dia comecei a pesquisar e percebi que era uma área dentro de tecnologia que provavelmente cresceria”, explicou. “A área permite uma multidisciplinaridade muito grande. Além do crescimento, foi isso que me chamou atenção.” 
Com trabalho remoto, a engenheira fala que as ofertas de trabalho começaram antes de terminar o curso. Disse que a área tem muitas oportunidades e que chegava a receber propostas no LinkedIn, ferramenta que usava para “filtrar as vagas” e ver cargos novos. “Empresas querem ser mais produtivas e competitivas, e a IA ajuda nisso. Existe uma demanda global por tecnologia, onde percebemos que não conseguimos mais viver sem algumas ferramentas e automações. Certamente a área tende a crescer”, concluiu. 
Anderson Soares, coordenador e professor do curso da UFG - Anderson Soares, coordenador e professor do curso da UFG
O coordenador e professor do curso de IA do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (Inf UFG), Anderson Soares, afirma que o curso é um dos mais disputados da universidade desde a criação em 2019. “No último processo seletivo do Sisu, tivemos a nota de corte mais alta da instituição”, explica. De acordo com Soares, a área, que está em constante expansão reflete a “transformação digital da sociedade”. “Há 20 anos nós íamos ao banco para resolver qualquer problema na vida financeira, hoje  fazemos tudo pelo celular. Os gerentes começaram a ser abdicados por profissionais de tecnologia”, exemplificou. Para o coordenador, a graduação, que dura quatro anos, permite maior possibilidade de trabalhos híbridos ou remotos.  
As notas de corte da primeira chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), disponíveis para consulta no portal oficial (https://encurtador.com.br/ zWKi), mostra que as graduações voltadas à tecnologia mantiveram a tendência de alta na procura, com destaque para a Inteligência Artificial.  O curso da Universidade Federal de Goiás (UFG) registrou a segunda maior nota de corte, com o último selecionado atingindo 846,72 pontos em 2026. No ranking das 10 maiores pontuações, também figuram com frequência as engenharias aeronáutica e de software, além de computação e sistemas de informação. 

Notas de corte mais altas do Sisu 2026

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* Colaboraram Yandra Martins e Alice Meira
* Estagiárias sob a supervisão de Ana Sá