O Ministério da Educação (MEC) autorizou a construção e o início efetivo das obras de novos câmpus do Instituto Federal de Brasília (IFB). As duas novas instituições serão localizadas nas regiões administrativas de Sobradinho e Sol Nascente, e a expectativa é de que sejam criadas 2.800 novas vagas. Para a construção, serão investidos cerca de R$ 60 milhões de reais, com verba do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Veruska Machado, reitora do Instituto Federal de Brasília (IFB), explica que ambas as regiões administrativas estavam no radar para a construção de novas unidades do IF: “Em Sobradinho, havia previsão de construção desde meados de 2015 e 2016. A comunidade desejava o câmpus, e existe a necessidade de instituições de formação profissional na região.” No momento, são ofertados cursos a distância, na modalidade EAD, pelo projeto Pronasci Juventude. Em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram ofertadas 100 vagas para jovens, em ação que uniu cultura e qualificação profissional gratuita. Também serão ofertados os cursos de agente de alimentação escolar e auxiliar de cozinha, pelo programa Mulheres Mil Cuidados, iniciativa dos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. As inscrições começam em fevereiro, ainda sem data definida.
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Em relação ao Sol Nascente, a reitora afirma que a necessidade era absoluta: “Existe uma necessidade de aparatos públicos de todas as ordens. A construção do câmpus do IFB no Sol Nascente levará, inclusive, a primeira escola de ensino médio da região, pois, atualmente, não há oferta de ensino médio lá.” O câmpus Sobradinho contará com uma área de 20.020 m², localizado próximo à DF-420, ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho 2, enquanto o câmpus localizado no Sol Nascente conta com um terreno de cerca de 16.600 m², situado no imóvel Guariroba, no trecho 2 do território.
O ministro Camilo Santana formalizou a autorização durante visita à reitoria do IFB. A verba vem do Novo PAC — programa de investimentos coordenado pelo governo federal, em parceria com o setor privado, estados, municípios e movimentos sociais. “A partir do novo PAC da educação, fazemos questão de desenhar uma estrutura de câmpus que tenha o enxoval mínimo, com quadra po- liesportiva, biblioteca, laboratório, refeitório, e área administrativa além das salas de aula”, explica a reitora do IFB. Na visita aos institutos, Santana afirmou admirar os institutos federais, pelo trabalho que fazem a inclusão produtiva no país, e agradeceu aos membros da equipe do IFB.
Os alunos dos institutos federais acompanham a abertura de novos câmpus com expectativa, ainda que permeada por questionamentos estruturais. Isabela Santana, 16 anos, argumenta com entusiasmo sobre a diferença que o IF fez na vida dela: “A estrutura, os professores e a maneira de ingresso são um pouco mais complexos do que as escolas públicas que estava acostumada. O nível de cobrança aqui é muito maior.” Entretanto, faz ressalvas sobre a precariedade de certas unidades do IF: “Muitos câmpus não possuem refeitórios próprios, e os auxílios financeiros, muitas vezes, não cobrem o custo real das refeições.
Também existe dificuldade no transporte, além de uma demora na reposição de professores que compromete o ritmo das aulas.” Já Thaygo Ferreira, 17, acredita que a expansão abre camadas amplas: “A expansão de novos institutos federais é muito boa, por gerar oportunidades para que outros alunos tenham acesso ao curso tecnólogo, além de conhecer a área de pesquisa científica. Porém, pode prejudicar os IFs que já existem. Muitas vezes, não recebemos apoio financeiro suficiente, e a grande quantidade de câmpus pode agravar a situação.”
Obra do teatro será retomada após 16 anos
O teatro do Instituto Federal de Brasília (IFB) no câmpus da Asa Norte será reformado após 16 anos. Com capacidade para mil pessoas, a obra foi interrompida devido ao processo de falência da empresa construtora responsável pelo aparato público. Em 2016, o processo de retração dos investimentos na infraestrutura da Rede Federal não permitiu com que a construção fosse viabilizada.
De acordo com a reitora do IFB, Veruska Machado, o Programa de Aceleração do Crescimento (Nova PAC) e o Ministério da Educação (MEC) permitiram o término da obra. “Aqui, nós temos o teatro, mas existem várias construções incompletas no país na Rede Federal. Tivemos uma retração, e não foram feitos mais investimentos para finalização do teatro”, afirmou. “E agora com a retomada do PAC, conseguimos finalizar essa obra junto ao Ministério da Educação.”
Desde o primeiro ano de mandato da reitora, em 2023, Veruska Machado alega buscar fontes de recurso para o término da obra estimada no valor de R$ 40 milhões: “É muito difícil conseguir um financiamento nesse valor. Agora, teremos o apoio do MEC para finalização do teatro e também de alguns deputados que vão nos ajudar com emendas parlamentares”
Além do teatro, existem negociações com o Governo do Distrito Federal (GDF) para a construção de um estacionamento. O local será projetado para receber reuniões, espetáculos de dança e música, teatros, entre outros eventos culturais. Após a finalização da construção dos restaurantes, a obra do teatro era a última inacabada que não tinha projeto de continuação entre os câmpus dos institutos federais de Brasília.
A diretora do câmpus da Asa Norte, Christine Lourenço, comentou sobre os benefícios da retomada da obra para os estudantes e professores: “Teremos a possibilidade de aprendizado prático em um ambiente real de atuação, os docentes vão poder desenvolver metodologias mais completas, integradas e alinhadas às exigências do mundo do trabalho e da produção cultural”, afirmou. “Esse espaço pode ser utilizado enquanto instituição para encontros dos servidores, atualmente temos que utilizar auditórios de outros órgãos. Os espaços disponíveis no Distrito Federal não contemplam a nossa realidade, somos muito mais de mil servidores”
Além disso, Christine disse que a obra do teatro inacabada gera transtornos ao instituto. São inúmeros, inicialmente o da poluição visual, nossa estrutura é robusta e invejável, entretanto a construção incompleta chamava mais atenção. Também tem a questão da periculosidade, relacionada a estrutura da obra. Existem também riscos no sentido ecológico e ambiental, quando chove criam-se poças que podem ser focos de mosquito da dengue”, afirmou. “A conclusão dessa obra corrige uma distorção histórica relacionada ao desperdício de um investimento público significativo e transforma um passivo em um ativo estratégico para o IFB”
O professor de dança do IFB Diego Pizarro comentou sobre as expectativas para utilizar o espaço: “Desde 2011 estamos no aguardo do término do projeto. O curso de licenciatura em dança necessita de estrutura com equipamentos cênicos, iluminação, mesa de som, o local passará a ser um laboratório de ensino e aprendizagem na área de teatro e dança para a comunidade acadêmica. Outra possibilidade é a criação de cursos voltados para as técnicas da cena, como cenografia, figurino etc. O teatro uma vez que bem equipado ampliará os projetos do IFB”
* Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
