Por Samer Agi
Vivemos a era da comunicação permanente. Nunca tantas pessoas falaram ao mesmo tempo, em tantos canais, sobre tantos assuntos. Redes sociais, vídeos curtos, podcasts, textos e comentários transformaram o espaço digital em um grande palco sem curadoria, no qual todos disputam atenção. Nesse cenário, comunicar bem não é apenas uma habilidade desejável: é um instrumento de sobrevivência profissional.
O excesso de informação não tornou as pessoas mais críticas, mas mais seletivas. O tempo disponível para ouvir, ler ou assistir diminuiu drasticamente. Quem não consegue ser compreendido rapidamente, perde relevância antes mesmo de concluir a primeira ideia. Isso vale para empreendedores, professores, advogados, médicos, executivos ou criadores de conteúdo. Não basta dominar o conteúdo. É preciso saber traduzi-lo.
Leia Também:
- Home office em 2026: por que a flexibilidade deixou de ser benefício e virou estratégia?
- A carioca que saiu da favela e entrou na Universidade de Haia (Holanda) como professora
A comunicação eficiente, hoje, exige objetividade, mas não frieza. O discurso técnico, fechado em si mesmo, falha porque ignora o principal elemento de qualquer decisão humana: a emoção. Todo julgamento, ainda que pareça racional, nasce de uma percepção subjetiva. Pessoas se conectam com histórias, exemplos, imagens mentais e emoções compartilhadas. A técnica sustenta, mas não convence sozinha.
Um dos maiores erros de quem produz conteúdo na internet é falar apenas para si, usando jargões, construções complexas e excesso de informações. A boa comunicação acontece quando até quem não domina o tema consegue compreender a mensagem. Isso não empobrece o discurso, ao contrário: demonstra domínio Quando todos falam, comunicar bem vira poder Em um ambiente digital marcado pelo excesso de vozes, a comunicação clara, humana e emocional deixou de ser diferencial e passou a ser condição para existir profissionalmente real do assunto. Explicar bem é sinal de inteligência comunicacional.
Outro desafio central do ambiente digital é manter a atenção do início ao fim. Vivemos cercados por notificações, abas abertas e estímulos simultâneos. Prender o interesse do público exige clareza de propósito, estrutura lógica e, sobretudo, humanidade. Humor, nostalgia, inspiração e exemplos do cotidiano são recursos legítimos, não ornamentos supérfluos.
A ascensão da inteligência artificial adiciona uma camada extra a esse debate. Ferramentas de IA ampliam produtividade, organizam ideias e aceleram processos. Mas sem revisão crítica e intervenção humana, produzem textos e discursos vazios, sem identidade e sem alma. A tecnologia é aliada poderosa, desde que usada como apoio, não como substituta do pensamento.
O futuro da comunicação profissional será cada vez mais transversal. Não bastará ao médico entender de medicina, ao jurista dominar o direito ou ao engenheiro conhecer cálculos complexos. Será necessário explicar, dialogar e criar conexão com públicos diversos, leigos e apressados. Instituições de ensino já começam a perceber que formar bons profissionais passa, inevitavelmente, por ensinar a comunicar.
Para quem ainda se sente inseguro ao falar em público ou diante das câmeras, o caminho é simples, embora desafiador: prática. Comunicação não se aprende apenas lendo sobre ela. É preciso treinar, simular, errar, ajustar e repetir. Assim como ninguém aprende a dirigir apenas estudando o manual, ninguém se torna um bom comunicador sem se expor ao processo.
Em um mundo onde todos falam, quem se comunica com clareza, verdade e emoção não apenas é ouvido. Conquista espaço, autoridade e confiança.
