Eu, Estudante

Empreendedorismo no campo

Da cidade ao campo: ex-vendedora troca vida urbana para ser produtora rural em Ceilândia

Ex-vendedora acompanhou sonho do marido e se tornou produtora rural. Juntos, criam peixes e vendem mel em um sítio em Boa Esperança, área rural de Ceilândia

Há dois anos, Esther Baldez, 46 anos, trocou a vida urbana pelo campo e se tornou produtora rural. Acompanhando o sonho do marido de comprar uma chácara, mudou-se para o Núcleo Rural Boa Esperança, Setor Agrícola de Ceilândia, e, agora, trabalha criando peixes e produzindo mel. Apoiada pelo projeto Peixes do Cerrado, a empreendedora vende cerca de 600 quilos de tilápia por ano. 

Comprada pelo casal em 2020, a chácara servia apenas para lazer, sendo frequentada de forma esporádica em feriados e fins de semana, mas, aos poucos, transformou-se em uma oportunidade de negócio. Com oito hectares, a propriedade passou por uma reforma e, agora, conta com três tanques de água, cada um com capacidade de abrigar até mil peixes. Um deles, construído com cimento e ferro, tem, atualmente, 70 tilápias, prontas para a comercialização. 
Nascida em Brasília, Esther introduz peixes no viveiro seguindo o ciclo de cultivo, para planejar a produção e evitar prejuízos. Outra estratégia utilizada por ela é começar a criação no período de tempo exato visando à Semana Santa, época cotada por cultivadores de peixes. “Duas vezes ao ano, eu compro mil alevinos (peixes em fase inicial de desenvolvimento) por R$ 300. Leva em torno de 7 a 8 meses para o peixe alcançar o tamanho suficiente para venda. Até lá, eu tenho gastos com ração, água e energia”, diz.
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Após atingir a proporção adequada, os peixes são tratados e vendidos por quilo, por R$ 18. Mensalmente, a produtora vende cerca de 50 quilos, sendo ela mesma a responsável por fazer a entrega aos clientes, que são amigos, familiares e vizinhos. A longo prazo, o objetivo é expandir a produção para vender, também, para mercados e feiras. 
Fora os peixes, Esther é produtora de mel. Apenas em fevereiro deste ano, ela tirou 95 quilos de mel das suas colmeias. Ao todo,  são 50 caixas de mel, cada uma com seis favos. Por mês, comercializa cerca de 20 bisnagas, vendidas a 500 gramas por R$ 40. Até junho, pretende começar uma plantação de baunilha. O sítio ainda conta com o cultivo de pitaya para consumo próprio. 
Para aprimorar seu conhecimento no campo das vendas, Esther participa de cursos, palestras e oficinas na Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), órgão focado na capacitação de trabalhadores rurais. Para ela, a formação técnica foi importante para o bom desempenho como produtora. “Curso é uma coisa que sempre estou fazendo. A minha área de atuação é muito ampla. Então, acaba sendo difícil algumas coisas como estabelecer preço de mercadoria e confeccionar embalagens, por exemplo. Estou aprendendo muitas coisas e, em breve, vou criar um perfil nas redes sociais “, explica. 
“Tudo é muito novo, ainda mais para mim, que veio da cidade. Eu sempre trabalhei com vendas. Vendia sapato, roupa, produtos de cabelo. É uma descoberta e está sendo uma das melhores escolhas que fiz. Todo mundo pensa que o campo é sofrido, mas aqui não tem esse sofrimento”, diz. 
Estagiário sob a supervisão de Ana Sá