Sofia Sellani*
postado em 08/03/2026 06:00 / atualizado em 08/03/2026 06:00
Sonia Guimarães trabalha na defesa da diversidade na ciência, ministrando palestras para estudantes do ensino médio
- (crédito: Larissa Isis)
“Uma mulher puxa a outra e ambas puxam uma aldeia”. O ditado africano corre pelas veias de Sonia Guimarães, 69 anos. Primeira mulher negra doutora em física no Brasil, ela conta que, pela cor e por estar em um ambiente majoritariamente formado por homens, já foi questionada diversas vezes. “Uma vez me disseram que eu nunca iria aprender física”, lembrou.
Entretanto, Sonia Guimarães nunca foi de desistir. Desde as quedas de bicicleta na infância até quando iniciou na faculdade. Negada para conseguir uma bolsa de iniciação científica, já que “nunca iria usar física para nada”. Ela conta que ser ‘vencida’ não era uma opção. “Para eles (pessoas que duvidavam) acharem que ganharam dizendo que estavam certos quando falaram que eu não era capaz? Nunca.”, afirmou.
Hoje, a física também faz palestras, em que revela sua trajetória e como superou os obstáculos. Ao receber mensagens como: “eu estou fazendo física porque eu assisti a uma palestra sua no meu ensino médio”, fica feliz em saber que os conselhos e o trabalho estão dando resultados. “O único resultado da desistência é nada. Então, temos que continuar lutando por nossos sonhos”. Sônia Guimarães é professora do ITA e referência em semicondutores e sensores de calor.
Mesmo passando por situações de machismo e racismo, não esconde a felicidade em motivar jovens meninas a seguirem no caminho da ciência. “Eles (profissionais homens e brancos) não conseguem aceitar que eu cheguei aonde eu cheguei. Visto que por ser mulher e negra eu deveria ser menos inteligente e deveria estar limpando o chão da casa deles”, explicou.
Fã do networking, ela adoro incentivar a mulherada. As oportunidades para mulheres negras na física ainda são raras. “Então, eu corro atrás e ajo.” A palestrante conta que muitos jovens, apesar de quererem a áreas, são inseguros das dificuldades que podem encontrar. “Gosto de falar para eles: vão, consigam, e escureçam essa área”, disse.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá