Sofia Sellani*
postado em 08/03/2026 06:00 / atualizado em 08/03/2026 06:00
Margareth Salcolme: atuação decisiva nas epidemias H1N1 e da covid-19 - (crédito: Peter Ilicciev / Ag. Enquadrar)
Margareth Dalcolmo construiu uma trajetória marcada pela responsabilidade científica e pela defesa da informação qualificada. Médica, pesquisadora clínica, membra titular da Academia Nacional de Medicina e vencedora do prêmio Jabuti, ela conta que gostar do que faz é um requisito fundamental para o sucesso na carreira.
Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), teve atuação decisiva em momentos críticos da saúde pública brasileira, como as epidemias de H1N1 e da covid-19. Durante a crise sanitária mais recente, coordenou estudos sobre a vacina BCG e foi a primeira profissional a conceder entrevista pública alertando para a gravidade do cenário. Ao lado de colegas, assumiu o compromisso de traduzir evidências científicas para a população e enfrentar a avalanche de desinformação.
“Oferecer informação científica para a população é algo que deve ser feito por pessoas que realmente saibam o que estão falando, dizendo aquilo que tem relevância e o que não é verdade”, afirmou.
Em 2022, recebeu o Jabuti de melhor livro do ano na categoria Ciências, com a obra Um tempo para não esquecer: a visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde. O livro registra os bastidores e aprendizados dos primeiros anos da pandemia. “Ter ganhado o prêmio é uma honra. Um reconhecimento de que literariamente o trabalho publicado tem valor”, disse.Apesar da rotina intensa, jamais cogitou abandonar a medicina. Ainda assim, reconhece desigualdades persistentes. “Os assédios que sofremos ao longo da vida nem sempre são explícitos. Às vezes, são muito sutis, como quando se trata de uma competição acadêmica ou de uma posição de liderança”, relembra.
O conselho que compartilha com alunas e colegas é direto: “Goste daquilo que faz. Ninguém pode viver fazendo o que não gosta, se não, será infeliz sempre”. E complementa: “Todo mundo deve ter uma abertura para mudar e repensar. Se não tá feliz naquilo que faz e não se sente encorajada para enfrentar as dificuldades, naturais para o sucesso em qualquer profissão, está tudo bem em mudar.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá