João Pedro Resende de Carvalho
postado em 03/05/2026 06:00 / atualizado em 03/05/2026 06:00
Mayara buscou formação para conquistar uma vaga em TI - (crédito: Reprodução - Ford)
Em 2022, Mayara Silva ingressou na faculdade de engenharia da computação pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Foi a primeira da família a cursar ensino superior. Festejou. Mas se viu sem rumo. “Me senti um pouco perdida com o volume de informações sobre a área de tecnologia e as oportunidades de emprego”, conta. No mesmo ano, achou o Ford Enter, programa social da montadora Ford, que capacita pessoas em situação de vulnerabilidade para o setor. Hoje, aos 24 anos, está no setor de TI da empresa, demonstrando que quando a pessoa se prepara, dificilmente encontra barreiras no mercado de trabalho.
É a exceção que a pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio X e Tendências” quer transformar em regra. Segundo o levantamento, 98% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados, uma realidade que freia o crescimento e a inovação. A pesquisa, divulgada na semana passada, foi encomendada pela montadora Ford ao Datafolha. O instituto ouviu 250 líderes de RH e TI nas cinco regiões do país.
Para 72% das empresas, a falta de conhecimento técnico é uma das principais lacunas, seguida pela carência de experiência (54%) e de soft skills (competências comportamentais), com 39%. Esse cenário impacta diretamente a agilidade do setor: apenas 14% das empresas conseguem fechar uma vaga em menos de um mês, enquanto para uma em cada três empresas, a busca por um profissional se estende por mais de 60 dias.
IA no topo
Especialistas em IA (35%) e engenheiros de software (31%) são as vagas mais difíceis de fechar. Entre os conhecimentos com mais lacunas estão segurança da informação (30%), IA e machine learning (29%).
Para Djalma Brighenti, diretor de TI da Ford América do Sul, contratar é só uma parte do problema. “Não basta ter profissionais qualificados. As empresas precisam oferecer ambiente estruturado, com dados organizados”, afirma. Sem dados em ordem, IA não entrega valor. “Qualquer investimento em IA vira aposta arriscada quando a tecnologia processa informações falhas.
Os cargos passam por transformação, não apagão. Ganham espaço engenheiros de IA e especialistas em três frentes: orquestração de agentes, ética e governança, interação humano-IA. “Adaptabilidade, pensamento crítico e aprendizado contínuo serão cada vez mais valorizados”, projeta.
Código não basta
A falta de habilidade comportamental também é um filtro decisivo: 37% das empresas rejeitam candidatos tecnicamente qualificados por falta de inteligência emocional (36%) ou pensamento crítico (33%). Além das soft skills, o domínio do inglês aparece como uma barreira rígida, sendo motivo da desclassificação em 78% dos processos seletivos. Antes do Ford, Mayara desistia. “Muitas vagas exigiam inglês avançado, e isso me desestimulava até de tentar.” No programa, treinou hard skills, soft skills e idioma sem pagar nada. “Foi essencial para que eu me sentisse confiante hoje.”
Fernanda Ramos, diretora de RH da Ford América do Sul, diz que adaptabilidade e aprendizado contínuo pesam mais que qualquer linha de código. “A competência técnica segue fundamental. Mas são as soft skills que sustentam a evolução na carreira.” Sobre o filtro do inglês, aposta em desenvolver, não eliminar. “É uma habilidade que pode ser desenvolvida ao longo da carreira.”Os principais fatores que os jovens levam em conta na hora de decidir pelo emprego são: salário (53%), flexibilidade da jornada.
O programa da Ford abre 850 vagas em 2026: 610 no Brasil e 240 entre Argentina, Chile, Peru e Colômbia. As inscrições para São Paulo, com 40 vagas, vão até 3 de maio pelo site bit.ly/4n5JldI. Mayara virou o que o programa promete.. Sustenta sete pessoas em casa. “Sou a prova viva de que é possível mudar de vida pelos estudos.
Estagiário sob a supervisão de Ana Sá