OAB

Exame da Ordem e TCC: os desafios dos graduandos de direito 

Nos últimos semestres da graduação em direito, universitários dividem a rotina entre os estudos para o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 

Gabriela Braz
postado em 21/06/2026 06:00 / atualizado em 21/06/2026 06:00
Huan Lima iniciou os estudos para a OAB após seis anos de formado. -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Huan Lima iniciou os estudos para a OAB após seis anos de formado. - (crédito: Arquivo Pessoal)
 
O fim da faculdade e o início da carreira podem ser momentos conturbados para os estudantes de direito. Entre escolhas e objetivos, o desafio dos graduandos é finalizar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), enquanto estudam para aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A avaliação composta por duas etapas, uma objetiva e outra prática profissional, é uma obrigatoriedade para que os bacharéis em direito atuem na área. 

Como é o exame 

A primeira etapa do processo é composta por 80 questões de múltipla-escolha que abordam disciplinas básicas do direito. Para chegar à segunda fase, o examinado precisa acertar, no mínimo, 50% da avaliação. A próxima fase é composta por quatro questões discursivas e redação de uma peça processual. As respostas para as dissertativas precisam ter até 30 linhas com base em situações- -problema ou questionamentos apresentados nos enunciados, enquanto a peça processual precisa ser desenvolvida em até cinco folhas. Nesta etapa, é possível utilizar o Vade Mecum, livro de referência que reúne as principais leis, códigos, decretos e normas jurídicas. Porém, o material não pode possuir anotações ou comentários. 
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Além disso, o exame da ordem permite ao candidato um reaproveitamento da nota da 1ª fase. Na chamada “repescagem”, os examinados que não foram aprovados na 2ª fase podem de utilizar, uma única vez, a nota da primeira prova para o exame seguinte. O próximo edital para reutilização da pontuação acontece em 24 de julho, para aprovados na primeira etapa do 46º Exame de Ordem Unificado (EOU). 
As provas para o 47º Exame de Ordem Unificado ocorrerão em 6 de setembro e 18 de outubro. Simultaneamente. A previsão de publicação do edital de abertura do 48º EOU para 21 de setembro. 

A rotina dupla 

Rodrigo Lima, professor do Gran Cursos
Rodrigo Lima, professor do Gran Cursos (foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo o TCC e a prova da OAB exigindo muito do estudante, o professor do Gran OAB Rodrigo Lima acredita ser possível desenvolver os dois ao mesmo tempo com uma boa organização. A criação de um cronograma idealizado que apresente horários de estudo para cada área e compromissos da faculdade, pode ser a solução que concilie os dois. “Para criar uma rotina de estudos é preciso trabalhar com a realidade. Não adianta querer estudar 40 horas semanais, se você tem apenas 20 horas”, afirma. 
ara a monografia, a primeira ação deve ser a anotação das datas de entrega. Em seguida, é importante verificar o que ainda falta ser produzido, quais capítulos precisam ser desenvolvidos e quanto tempo será necessário para a entrega do trabalho de conclusão. Quanto à OAB, o professor diz que o estudante precisa planejar seus estudos em relação ao calendário da prova, sempre priorizando as disciplinas mais cobradas, como ética, direito constitucional, direito administrativo e direito processual. “Agora, se surgir algum imprevisto e o cronograma não puder ser cumprido integralmente, a preferência será do TCC. Não adianta ser aprovado na OAB e não conseguir concluir a graduação”, orienta. 
O professor acredita que é essencial que o estudante conclua o trabalho final faltando um mês para a avaliação, reservando esse período para treinar questões e rever conceitos. “Já acompanhei alunos estudando apenas uma hora e meia por dia e conseguindo a aprovação faltando menos de 30 dias para o exame. E estamos falando de pessoas que começaram do zero, sem histórico de aprovação em concursos ou uma trajetória acadêmica extraordinária”, Rodrigo conta. 
De acordo com o professor, um dos grandes erros cometidos é a escolha de uma tese complexa para o TCC durante os estudos para a OAB. “Se o foco é ser aprovado no exame, minha recomendação é escolher um tema mais simples, eventualmente dando continuidade a uma pesquisa iniciada anteriormente ou optando por um assunto que não exija um volume excessivo de dedicação” defende. 
Com grande peso e frequência na prova, ele recomenda aos estudantes que têm pouco tempo disponível que concentrem suas energias nas disciplinas mais cobradas: ética profissional, direito constitucional, direito administrativo, direito civil e processo civil. O professor também explica que leitura de matérias em PDF e resolução de questões podem ser mais eficazes que apenas assistir videoaulas. “Existe um princípio simples: quanto mais o aluno lê, melhor leitor ele se torna. E a prova da OAB exige justamente interpretação, raciocínio jurídico e velocidade de leitura”, ele acrescenta. 
Para finalizar, Rodrigo deixa uma mensagem de esperança aos formandos que estão apreensivos com as dificuldades do fim da faculdade. “Todos nós temos desafios para administrar. Inclusive, os alunos que conseguem aprovação. Quem passa na OAB, normalmente, não é quem tem a rotina perfeita, mas quem consegue estudar apesar das imperfeições da rotina”. 

Estudos e renúncias 

Ruth Santos, aluna de direito
Ruth Santos, aluna de direito (foto: Arquivo Pessoal)

Ruth Santos cursa o 10º semestre do curso de direito e vive uma rotina repleta de dedicação e estudos. A graduanda finalizou seu TCC no 8º semestre, entregando um artigo científico como trabalho de conclusão. Focando exclusivamente na avaliação da Ordem dos Advogados do Brasil, a formada estuda 10 horas diárias. 
Aproveitando o silêncio da madrugada, Ruth acorda às 4h da manhã e inicia seus primeiros blocos de estudo do dia. Com a meta de gabaritar a disciplina de ética, ela segue os aprendizados com mapeamento estatístico dos temas mais repetidos das provas anteriores e confere as atualizações legislativas recentes. “Meu maior desafio é a gestão do cansaço e da energia para manter a alta performance ao longo de 10 horas diárias. Como a minha meta é garantir uma pontuação alta de 55 pontos na 1ª fase, eu preciso manter a consistência tanto nas matérias que domino, quanto nas disciplinas de menor peso que exigem mais esforço de memorização”, conta. 
Além da OAB e do fim da faculdade, Ruth equilibra casa, filhos e bem-estar. Para alcançar seu objetivo, teve que renunciar a suas práticas de violoncelo, leitura de livros extracurriculares e ao desenvolvimento de outros projetos paralelos. Seu sonho, após ser aprovada na OAB, é ingressar em uma pós-graduação e realizar um programa de intercâmbio com objetivo de expandir competências profissionais e acadêmicas. “Meu grande norte de carreira, a longo prazo, é a aprovação em concurso público para o cargo de Delegada da Polícia Federal”, finaliza. 

Da aprovação ao sonho 

A dificuldade da prova não é exclusiva dos graduandos, Huan Lima, 32 anos, se formou em direito há seis anos e, apenas em 2025, iniciou seus estudos para a OAB. A primeira prova de que participou foi o 43º Exame de Ordem Unificado e acertou 37 questões. A partir da tentativa, apostou em plataformas on-line para relembrar os conceitos estudados na faculdade e conseguir, o quanto antes, a aprovação. 
Hoje, Huan equilibra os aprendizados para a prova, enquanto trabalha auxiliando advogados em casos e ações de cobrança. Ele diz que, em seu ofício, organiza muitos processos, e isso o ajuda a revisar certas matérias cobradas pela Ordem dos Advogados do Brasil. Por outro lado, o bacharel em direito afirma que suas maiores dificuldades são as disciplinas que foram adicionadas à grade curricular após sua formação, o que faz com que ele precise aprender o assunto do zero. 
Os estudos de Huan seguem uma linha de raciocínio: aprender a teoria, responder a uma rodada de questões sobre o assunto e, por último, refazer simulados. A forma de fixar o conteúdo é anotando todos os conceitos e revisar nos momentos livres. “Com a aprovação na OAB, meu objetivo é ficar três anos na prática jurídica, depois me especializar em direito constitucional e passar no concurso para cargo de delegado”, conclui. 
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* Estagiária sob supervisão de Marília Milhomen  

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