ARTIGO

O Brasil está mais maduro e o empreendedorismo acompanha essa mudança

Com o crescimento de brasileiros maduros no mercado de trabalho, a empresária e mentora de executivos Chris Canto mostra como transformar experiência, repertório e conhecimento em novas oportunidades

EuEstudante
postado em 30/08/2026 06:00 / atualizado em 30/08/2026 06:00
. -  (crédito: kleber sales)
. - (crédito: kleber sales)

Durante muito tempo, chegar aos 50 anos parecia significar a aproximação do encerramento da vida profissional. Hoje, felizmente, essa percepção está mudando. Cada vez mais brasileiros maduros permanecem ativos, assumem novos desafios e encontram no empreendedorismo uma das possibilidades para construir novos ciclos profissionais.

Um estudo da Nexus, com base em dados da Pnad Contínua, mostra que um em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais está no mercado de trabalho. Entre eles, 50,6% são empreendedores. O Sebrae também aponta um recorde de 4,5 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais no país. 
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Esses números revelam uma transformação importante, mas também mostram que ainda existem desafios. O levantamento da Nexus indica que oito em cada 10 trabalhadores 60+ que atuam por conta própria não possuem CNPJ. Ou seja, crescer nessa direção exige mais do que disposição: é preciso planejamento. 
Eu vivi essa transformação aos 52 anos, quando, depois de mais de 35 anos de carreira executiva, decidi trocar a segurança do crachá para empreender e iniciar uma nova fase da minha trajetória. Fundei minha primeira empresa, estruturei minha consultoria de Growth, assumi posições em Conselhos e transformei o repertório acumulado ao longo de décadas em uma nova forma de atuação profissional. Não comecei do zero. Levei comigo aprendizados, relacionamentos, erros, acertos e conhecimentos construídos ao longo da minha trajetória. 
É justamente essa visão que defendo no meu livro CEO da Própria Vida: Como assumir o controle da sua trajetória e construir um legado consistente, publicação da editora Actual, do Grupo Editorial Alta Books. A maturidade nos permite reconhecer que tudo aquilo que acumulamos ao longo da vida pode se transformar em um ativo para a construção de uma nova etapa. 
Para quem está pensando em seguir esse caminho depois dos 50, eu começaria por cinco movimentos.
Primeiro: faça um inventário da sua Mochila de Conhecimentos. Antes de escolher um novo caminho, identifique aquilo que você sabe fazer bem, os problemas que consegue resolver, os conhecimentos que acumulou e onde sua experiência pode gerar valor. 
Segundo: não confunda coragem com improviso. Uma nova empreitada precisa de planejamento financeiro, conhecimento sobre o mercado, definição de público e clareza sobre o modelo de negócio. Se possível, comece validando uma ideia antes de abandonar completamente sua fonte de renda. 
Terceiro: transforme contatos em relacionamentos. Networking não significa apenas buscar oportunidades. Significa construir relações de confiança, compartilhar conhecimento e desenvolver alianças capazes de gerar valor para todos os envolvidos. 
Quarto: continue aprendendo. O mercado muda, as ferramentas evoluem e novos modelos surgem. Experiência não substitui atualização. Eu gosto de dizer que a maturidade é uma dádiva porque chegamos a essa fase carregando aquilo que chamo de Mochila de Conhecimentos: erros, acertos, aprendizados, cursos, investimentos em nós mesmos, relacionamentos e experiências acumuladas ao longo da trajetória. Quanto mais repertório colocamos nessa mochila, mais recursos temos para tomar decisões. E é justamente essa mochila que nos permite ressignificar a nossa trajetória. 
Quinto: defina o que você quer construir. Dinheiro é importante, inclusive para garantir autonomia e liberdade de escolha, mas não precisa ser o único indicador de sucesso. Em determinados momentos da vida, outras perguntas ganham espaço: o que quero fazer com os anos que ainda tenho pela frente? Onde minha experiência pode gerar mais valor? Qual contribuição quero construir? 
Empreender nessa fase da vida não significa voltar à estaca zero. Significa olhar para tudo o que já foi construído e perguntar: como posso colocar toda essa experiência a serviço de um novo ciclo? 
Foi essa pergunta que me permitiu ressignificar a minha própria trajetória. Porque nunca é tarde para construir novos projetos, fazer novas escolhas e transformar experiência em contribuição e legado.

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