SAÚDE

Contratação de profissionais neurodivergentes cresce 66% em dois anos no Brasil

Dados da Gupy também indicam recorde de admissões em março e avanço de treinamentos sobre neurodiversidade no ambiente corporativo

Fernanda Strickland
postado em 08/09/2026 22:54
Além do aumento nas contratações, os dados apontam uma maior mobilização das empresas em torno da neurodiversidade -  (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Além do aumento nas contratações, os dados apontam uma maior mobilização das empresas em torno da neurodiversidade - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O número de contratações de profissionais neurodivergentes no Brasil cresceu 66% nos últimos dois anos, segundo levantamento realizado pela plataforma de contratação profissional Gupy. O estudo também registrou um recorde de admissões em um único mês: 315 profissionais foram contratados em março deste ano.

Além do aumento nas contratações, os dados apontam uma maior mobilização das empresas em torno da neurodiversidade. Em julho de 2024, mais de 1.700 profissionais participaram de treinamentos sobre o tema por meio da plataforma.

Para a especialista em gestão humanizada Juliana Dandrade, o avanço está relacionado à redução de estigmas e ao aumento da conscientização nas organizações. Segundo ela, empresas passaram a reconhecer com mais frequência as competências e o potencial desses profissionais, em vez de concentrar a atenção nas diferenças.

“Nos últimos anos, houve uma mudança importante na forma como a neurodiversidade é percebida dentro das organizações. A quebra de estigmas e preconceitos, aliada ao aumento da conscientização sobre o tema, fez com que muitas empresas passassem a enxergar esses profissionais por suas competências e potencial, e não por suas diferenças”, explica.

Diagnósticos tardios e mudanças na seleção

Na avaliação de Ylana Miller, especialista em gestão de carreira e CEO da Yluminarh, o aumento das contratações também está associado à realização de diagnósticos na vida adulta. Ela cita pessoas identificadas com autismo e TDAH que anteriormente não tinham consciência sobre sua condição ou não haviam buscado profissionais capacitados para avaliação e tratamento.

A especialista afirma ainda que as empresas vêm ampliando programas de diversidade e inclusão e modificando processos seletivos para torná-los mais acessíveis. Entre as mudanças, estão a preparação das equipes de recursos humanos para as entrevistas e a adoção de formas alternativas de avaliação.

“É um processo de evolução ainda. A gente chama de recrutamento neuroinclusivo, ou seja, as entrevistas tradicionais também são substituídas por alguns testes práticos e por alguns processos que antigamente a gente não via com a frequência que nós já estamos observando hoje em dia”, explica Ylana.

Inclusão pode ampliar inovação e pertencimento

Para Juliana, a presença de diferentes perfis cognitivos pode contribuir para a criatividade, a inovação e a capacidade de resolver problemas. A especialista avalia que a diversidade também pode se tornar uma vantagem competitiva para as organizações.

Ylana acrescenta que equipes mais diversas favorecem a troca de experiências e o aprendizado entre profissionais com diferentes formas de pensar. Segundo ela, esse ambiente pode ampliar a capacidade de inovação.

A inserção no mercado de trabalho também pode representar ganhos para os profissionais, como autonomia financeira, reconhecimento de competências, desenvolvimento de carreira e maior participação social. Juliana afirma que, quando encontram um ambiente acolhedor, eles conseguem desempenhar seu potencial de maneira mais consistente.

Ylana destaca ainda possíveis impactos sobre pertencimento, motivação, autoconfiança, segurança psicológica e outros aspectos comportamentais. Para ela, esses atributos são favorecidos quando o profissional se sente incluído.

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