Por Gabriela Santos*
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF) anunciaram a abertura de inscrições para 160 vagas em cinco cursos gratuitos de formação profissional voltados ao setor de vestuário. As inscrições podem ser realizadas até 30 de outubro pelo site.
A iniciativa faz parte do Projeto Indústria da Moda, que tem como principal objetivo impulsionar a modernização da cadeia produtiva do vestuário no DF, unindo qualificação profissional, inovação, transformação digital, vivências práticas em empresas e estímulo ao empreendedorismo para a criação de marcas autorais.
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Para facilitar o acesso à formação, as oportunidades estão distribuídas de forma que o Senai Taguatinga oferece 100 vagas divididas em quatro turmas; o Senai Gama disponibiliza 20 vagas em uma turma e o Instituto Mãos Solidárias, situado no Sol Nascente, atua como parceiro do programa com 40 vagas divididas em duas turmas. Do total de oportunidades oferecidas, 10%, o equivalente a 16 vagas, são reservadas para pessoas com deficiência.
As capacitações cobrem diferentes etapas e competências do setor, incluindo o curso Faz teu look — corte e costura, com 200 horas, focado na produção de peças e no desenvolvimento de competências em corte, costura, montagem e acabamento. Com a mesma carga horária, o curso de Alfaiataria Industrial também é voltado à produção, corte, costura, montagem e acabamento de peças. Já a formação em Design e moda: mundo cosplay, de 120 horas, aborda pesquisa, desenho, modelagem e criação de trajes e acessórios. Para quem busca tecnologia, o curso de Modelagem digital – audaces, com 60 horas, ensina o uso de ferramentas digitais para desenvolvimento, digitalização, graduação de moldes e preparação da produção. Por fim, o curso de Tingimento natural e estamparia botânica, com 40 horas, foca em técnicas de tingimento com corantes naturais, estamparia, produção responsável e reaproveitamento de materiais.
O Projeto Indústria da Moda é dividido em duas etapas principais, sendo a primeira dedicada aos cursos gratuitos de qualificação e aperfeiçoamento profissional, e a segunda focada nas Vivências Empreendedora e Profissional, destinadas a alunos concluintes selecionados por processo específico. Na Vivência Empreendedora, 10 participantes trabalharão durante três meses na criação de uma marca de moda colaborativa, passando por todas as etapas do negócio, desde a identidade, posicionamento e coleção autoral até a produção, gestão e comercialização, contando com mentoria especializada, apoio para produção de lookbook, fotos e um desfile final.
Na Vivência Profissional, outros 10 selecionados farão um estágio de dois meses, totalizando 160 horas presenciais e 40 horas on-line, em empresas de moda e vestuário do DF, com acompanhamento técnico do Senai-DF. Em ambas as modalidades de vivência, os participantes receberão um auxílio financeiro de R$ 552 a cada ciclo de 80 horas, condicionado à frequência e ao desempenho.
O primeiro edital do projeto, lançado em março de 2026, qualificou 50 pessoas nos cursos de costureiro industrial e costureiro sob medida, sendo que a formatura dessa primeira turma está marcada para 6 de outubro de 2026, no Senai Taguatinga, e o processo seletivo para as vivências práticas desse grupo está em andamento para início ainda em outubro. Essa qualificação profissional atende a uma demanda urgente do Distrito Federal, cujo setor de vestuário local conta com cerca de 6 mil empresas concentradas majoritariamente em Taguatinga, Ceilândia e Plano Piloto, regiões que somam 57% dos estabelecimentos. Segundo o Sindiveste-DF, 70% dessas empresas são microempreendedores individuais (MEIs) e quase metade possui de um a cinco funcionários. Apesar do crescimento de 5,8% no varejo de moda do DF em 2024, o setor enfrenta um déficit de aproximadamente 1.800 profissionais qualificados, com destaque para a falta de costureiras industriais, lacuna que o projeto surge justamente para suprir e, consequentemente, fortalecer a produção local.
Estagiária sob a supervisão de Ana Sá*