Nos últimos anos, a palavra propósito passou a ser cada vez mais associada à carreira, principalmente quando consideramos o recorte de trabalhadores mais escolarizados e com renda acima da média da população. Boa parte dessas pessoas, se não a maioria delas, realiza-se pessoalmente e financeiramente por meio do trabalho.
Se antes havia um recorte de gênero sobre considerar como sucesso o que se alcançava por meio da profissão, essa dinâmica mudou conforme as mulheres entraram no mercado de trabalho com maior expressividade. É possível afirmar que, na atualidade, homens e mulheres consideram que viver o seu propósito vai além das conquistas pessoais e familiares.
Leia também:
Já abordei em outras colunas sobre as problemáticas que enfrentamos quando colocamos muitas expectativas na profissão, esperando que ela nos realize em muitas dimensões, por vezes simultaneamente. Mesmo com a ressalva de que o trabalho e a expressão do nosso propósito de vida não são necessariamente congruentes, não podemos negar que há uma demanda dos profissionais por alinhá-los o máximo possível.
Passamos a maior parte do nosso tempo útil (quando não Propósito é diferente de função Encontrar sentido no trabalho também exige abertura para mudar de caminhos estamos dormindo ou ocupados com outras necessidades fisiológicas) trabalhando. Por isso, viver os nossos valores e intentos na carreira é uma vontade genuína. Mas como fazer isso de uma maneira factível com as limitações do mercado de trabalho e as oscilações dos nossos anseios e momentos de vida?
Uma boa forma de enquadrar o propósito na carreira é saber que ele está além da função que ocupamos atualmente ou profissão que escolhemos anos atrás. Por ser mais amplo e profundo, o propósito pode se manifestar de diferentes formas. Por exemplo: se o propósito de alguém é cuidar de pessoas, ele pode ser realizado através de diferentes formas — atuando como enfermeiro, cuidador, psicólogo, assistente social, gestor de organizações sociais, entre outras opções.
Há um desafio, também, em alinhar o propósito com as habilidades que se possui e as ocupações disponíveis. Os postos de trabalho se reorganizam e flexibilizam com cada vez mais velocidade; por um lado, esta é uma oportunidade para assumir diferentes funções e testar novas possibilidades profissionais, por outro, a necessidade de adaptação coloca uma pressão constante nos profissionais de diferentes gerações.
Quem tiver a maior abertura e capacidade de aprender novas habilidades, poderá vivenciar mais opções de realizar o seu propósito no trabalho e estar mais aderente com as vagas disponíveis. Este movimento de adequação do propósito às circunstâncias pode gerar confusão e angústia, principalmente se a expectativa de estabilidade e definição profissional forem centrais na satisfação com a carreira.
Assumir que o propósito se manifestará de diferentes formas ao longo da vida profissional e que será necessário uma adaptação praticamente constante, prepará melhor a força de trabalho para as demandas do mercado atual e também para uma satisfação mais plena com o trabalho.
Saiba mais: anamach@stanford.edu — @abouteducation
