Entenda o escândalo sexual envolvendo um ex-executivo do McDonald's

A rede de fast-food decidiu processar seu ex-presidente-executivo Steve Easterbrook por mentir sobre relações sexuais com funcionárias da empresa e destruir documentos

Agência France-Presse
postado em 10/08/2020 17:00 / atualizado em 10/08/2020 17:03
 (foto: Drew Angerer / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)
(foto: Drew Angerer / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

O McDonald's processou seu ex-presidente-executivo Steve Easterbrook, nesta segunda-feira (10) por mentir sobre supostas relações inadequadas com funcionárias da empresa, em mais um capítulo da saga #MeToo que abalou a gigante do fast food.

Britânico de 53 anos, Easterbrook foi demitido em novembro de 2019 por manter uma relação "consensual", segundo a empresa, com uma integrante da equipe, contrariando as regras da companhia. Mas o McDonald's disse que, meses depois, soube que o executivo mentiu ao afirmar que nunca havia feito sexo com funcionárias da empresa e que "destruiu informações sobre sua conduta pessoal desapropriada".

Easterbrook teria tido relações com outras três funcionárias, dando a uma delas ações no valor de centenas de milhares de dólares, de acordo com a empresa.

Dinheiro da indenização

O objetivo principal do McDonald's com o processo aberto nesta segunda-feira é recuperar cerca de US$ 40 milhões pagos em indenizações e benefícios ao ex-diretor em decorrência de sua demissão no ano passado, inicialmente considerada sem justa causa.

O processo foi enviado nesta segunda-feira à autoridade de valores mobiliários dos Estados Unidos, Easterbrook é acusado de fraude. De acordo com os documentos entregues a um tribunal estadual de Delaware, ele "não disse a verdade aos investigadores do McDonald's".

Os autos revelaram ainda novos detalhes sobre o relacionamento que levou à sua saída da empresa. Foi "uma relação consensual, não física, que envolveu mensagens de texto e vídeo" de natureza sexual, de acordo com a ação.

Mais de um caso

"Easterbrook declarou ao McDonald's que este foi o único relacionamento de natureza íntima com uma funcionária. Ele afirmou que nunca tinha se envolvido em um relacionamento sexual físico com qualquer outra colaboradora", disse a empresa.

Mas em julho, o McDonald's recebeu uma denúncia anônima de que Easterbrook teve um relacionamento sexual com alguém que trabalhava para ele quando ele era CEO. Uma investigação interna encontrou provas dessa relação e de outras duas, disse o McDonald's.

“Essas evidências consistem em dezenas de fotos e vídeos de várias mulheres, parcialmente e totalmente nuas ou sexualmente explícitas, incluindo fotos dessas três funcionárias da empresa”, de acordo com os autos.

A acusação afirma ainda que Easterbrook enviou as fotos, supostamente feitas no final de 2018 e no início de 2019, de seu e-mail profissional para sua conta pessoal.

Termos do acordo

Nomeado CEO em março de 2015, Easterbrook foi considerado um empresário de sucesso. Ele foi substituído por Chris Kempczinski, que trabalhava no McDonald's desde 2015, após ocupar cargos de gerência sênior na Kraft Foods e PepsiCo.

Em 2018, o salário-base de Easterbrook era de US$ 1,3 milhão e sua remuneração total, incluindo bônus e pagamento de ações, totalizou US$ 15,9 milhões. O acordo de demissão incluía o pagamento de seu salário por seis meses, além de um pagamento em ações. A Equilar, uma empresa de consultoria, estimou o total em cerca de US$ 40 milhões.

Um dia após a demissão de Easterbrook, o McDonald's também anunciou a saída de seu chefe de recursos humanos, David Fairhurst, que estava na empresa desde 2005 e ocupava o cargo desde 2015.

Outras denúncias

Em maio, um grupo internacional de sindicatos apresentou uma queixa contra o McDonald's por assédio sexual sistêmico em restaurantes da rede em todo o mundo.

A denúncia, apresentada à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), foi a primeira do tipo contra uma empresa multinacional, segundo a International Union of Food Workers. O documento cita testemunhos que denunciam "tentativa de estupro, exposição indecente, carícias e ofertas sexuais".

O McDonald's afirmou que analisaria a reclamação e garantiu que para a empresa "o mais importante são as pessoas". As ações do McDonald's caíram 0,60% nesta segunda-feira após o anúncio da empresa.

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