Após atingir Caribe, furacão Laura se aproxima da costa dos EUA

Laura deixou ao menos 24 mortos no Haiti e na República Dominicana, assim como danos materiais em Cuba

Agência France-Presse
postado em 25/08/2020 23:42
 (foto: Folheto / RAMMB / NOAA / NESDIS / AFP)
(foto: Folheto / RAMMB / NOAA / NESDIS / AFP)

Nova Orleans, Estados Unidos - Os estados da Louisiana e Texas se preparam nesta terça-feira (25) para a chegada do furacão Laura, que ameaça a costa americana com ventos de 120 km/h após deixar cerca de 20 mortos no Caribe.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) havia informado que se espera que Laura ganhe força antes de chegar à costa da Luisiana e parte do sudeste do Texas, local onde espera-se a chegada do furacão na quarta-feira à noite.

A partir disso, o Centro Nacional de Furacões (NHC), com sede em Miami, alertou sobre enchentes e inundações em partes do Texas, Louisiana e Arkansas, depois que Laura deixou ao menos 24 mortos no Haiti e na República Dominicana, assim como danos materiais em Cuba.

Com sede em Miami, a instituição alertou a esses estados que a maré ciclônica "será acompanhada de ondas grandes e destrutivas" e que até 300 mm de chuvas.

"Devemos estar preparados para que Laura se torne um furacão de categoria 4", informou à imprensa o governador do Texas, Greg Abbott.

A cidade de Nova Orleans, por sua vez, se preparava nesta terça-feira para a chegada de Laura.

No Twitter, o governador da Luisiana, John Bel Edwards, disse esperar que Laura "toque o solo pelo menos como um furacão de categoria 3".

"Assegurem-se que estão preparados, tenham o necessário e acompanhem as notícias locais para estar informados", acrescentou em seu chamado de atenção aos moradores de estado.

- O fantasma do Katrina -


Laura se desloca a 26 km/h, adentrando o Golfo do México em direção à "costa superior do Texas e o sudoeste da Luisiana".

Em Nova Orleans, a prefeita LaToya Cantrell determinou o início dos preparativos para a chegada da tempestade. "Não se esqueçam da COVID-19 com os efeitos do furacão", advertiu no Twitter.

No Bairro Francês, o centro histórico ficou sem turistas, enquanto sacos de areia eram empilhados em frente a portas e janelas. Edifícios de arquitetura colonial eram protegidos com placas de madeira.

"Não me preocupa que a água entre com a tempestade, me preocupa a chuva e que as bombas não funcionem, e isso é o que causará as inundações", disse à AFP o comerciante Robert Dunalp.

Nova Orleans ainda sofre com o trauma do Katrina, um furacão de categoria 5 que inundou 80% da cidade e provocou 1.000 mortos em 2005.

Sonya Mcculler, que viveu aqueles dias trágicos 15 anos atrás, diz esperar qualquer coisa porque "numa hora você pode achar que não vai acontecer, no minuto seguinte está tentando se preparar para garantir não ficar presa. É uma loucura", disse.

Mais recentemente, em 2017, os litorais do Texas e da Luisiana foram castigados por Harvey, um furacão de categoria 3 que causou inundações catastróficas e deixou 68 mortos.

- Rastro de morte -


Laura passou na segunda-feira como tempestade tropical por Cuba, onde provocou chuvas intensas e forte maré, e antes pela ilha Hispaniola, compartilhada por Haiti e República Dominicana, deixando um rastro de pelo menos 24 mortos.

As tempestades representam um grave risco para o Haiti e a República Dominicana, pois as chuvas por si só ameaçam com deslizamentos de terra e transbordamentos repentinos de cursos d'água devido à desertificação.

Em Cuba, enquanto isso, Laura provocou fortes chuvas, fortes marés e inundações costeiras, destelhamento e quedas de árvores e postes, obrigando a evacuação de 334.000 pessoas, embora não tenham sido reportados danos pessoais.

A temporada de furacões no Atlântico, que se estende de 1º de junho a 30 de novembro, pode ser especialmente severa este ano. O NHC espera 25 depressões. Laura é a décima segunda e Marco, a décima terceira.

As trajetórias de Laura e Marco levaram à evacuação de 114 plataformas de petróleo do Golfo do México, o que significou a suspensão de cerca de 80% da produção.

O fato de os dois fenômenos meteorológicos se sucederem tão próximos um do outro no Golfo de México é extremadamente raro, segundo especialistas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação