Rússia

Polícia russa persegue simpatizantes de Navalny após vazamento de dados

Para Leonid Volkov, o vazamento tem origem em uma base de dados de simpatizantes roubados por um ex-colaborador na primavera

Agência France-Presse
postado em 18/08/2021 12:29 / atualizado em 18/08/2021 12:30
 (crédito: MLADEN ANTONOV / AFP)
(crédito: MLADEN ANTONOV / AFP)

Uma ONG e opositores acusaram a polícia, nesta quarta-feira (18/8), de ter aumentado as batidas noturnas nas residências dos partidários de Alexei Navalny, depois que seus endereços foram vazados on-line.

O movimento do opositor do Kremlin preso foi afetado por um vazamento de informações pessoais de milhares de seguidores. Uma lista de nomes foi publicada, por mensagens no Telegram e na darknet, em 16 de agosto, segundo o periódico russo Kommersant.

A ONG OVD-Info, especializada no monitoramento de ações de repressão contra a oposição, disse na quarta-feira que recebeu depoimentos de cerca de 20 pessoas que receberam a visita de "policiais à paisana e de agentes da Polícia Judicial".

Segundo a ONG, todos foram registrados como simpatizantes, ou doadores, em sites ligados a Navalny. As organizações ligadas ao líder de oposição foram proibidas, acusadas de extremismo, em particular seu Fundo contra a Corrupção (FBK).

"Os policiais estão pedindo explicações sobre estas doações ao FBK e os motivos de sua presença na base de dados", continua a OVD-Info.

Segundo Leonid Volkov, uma pessoa próxima de Navalny que vive no exterior para escapar da perseguição, a polícia chegou às residências dos opositores no meio da noite.

"É um ato de terrorismo. Chegam ruidosamente à noite para assustar o máximo possível (...) para que as centenas de milhares dos nossos simpatizantes em Moscou se sintam desconfortáveis, tenham medo", sentenciou o opositor no Telegram.

Para Volkov, o vazamento tem origem em uma base de dados de simpatizantes roubados por um ex-colaborador na primavera.

Esta base se encontrava em um site criado por familiares de Navalny para identificar simpatizantes que estiveram dispostos a se manifestar em favor de sua libertação. Procurada pela AFP, a polícia de Moscou não fez comentários.

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