Clima

Degelo dos últimos 10 anos na Groenlândia elevou o nível do mar em 1 cm

A superfície congelada da Groenlândia cobre uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados

Agencia France Presse
postado em 01/11/2021 11:37
 (crédito: Dirk van As/Divulgação)
(crédito: Dirk van As/Divulgação)

A calota polar da Groenlândia perdeu cerca de 3,5 trilhões de toneladas de gelo em 10 anos, o que provocou um aumento do nível do mar de um centímetro e agravou o risco de inundações em todo o mundo, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (1).

Muitas equipes de cientistas estudam a evolução da situação na Groenlândia, mas o artigo publicado na revista Nature Communications é o primeiro a utilizar observações de satélites da Agência Espacial Europeia, o que permitiu constatar que o degelo aumentou 21% em 40 anos.

Desde 2011, a calota perdeu 3,5 trilhões de toneladas de gelo, dois terços desta quantidade nos verões de 2012 e 2019, de acordo com o estudo.

A superfície congelada da Groenlândia cobre uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, o que faz dela a segunda maio depois da Antártica.

Os cientistas monitoram o aquecimento dessa massa congelada (que seria capaz de elevar o nível dos oceanos em 6 ou 7 metros), já que a Antártica está aquecendo três vezes mais rápido que o resto do planeta.

Os dados obtidos com as imagens por satélites destacam as importantes variações no ritmo de degelo, que aumenta mais durante as ondas de calor do que pelo aquecimento progressivo do planeta.

"Como em outras partes do mundo, a Groenlândia é vulnerável ao aumento de fenômenos meteorológicos extremos", afirmou o principal autor do estudo, Thomas Slater, da universidade britânica de Leeds.

A observação por satélite permitiu calcular rapidamente e com precisão o degelo de um ano e sua relação com o aumento do nível do mar, afirmam os cientistas. Um método que "permitirá uma compreensão melhor dos processos complexos no degelo".

"As estimativas por modelos sugerem que a calota de gelo da Groenlândia aumentará o nível do mar entre 3 a 23 centímetros até 2100", explicou a coautora do artigo Amber Leeson, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

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