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Madeleine Albright, primeira secretária de Estado dos EUA, morre aos 84

Reconhecida como uma das principais estadistas de sua geração, chegou no país ainda criança, após fugir do nazismo

Correio Braziliense
postado em 24/03/2022 06:00
 (crédito: Alex Wong/AFP)
(crédito: Alex Wong/AFP)

De refugiada de guerra à primeira mulher a ocupar o cargo de secretária norte-americana de Estado, a trajetória de Madeleine Albright foi marcada pelo extraordinário. Com 11 anos, a menina de ascendência judia, cujo nome de batismo era Marie Jana Korbelova, mudou-se para os Estados Unidos com a família, depois de passar por Inglaterra e Suíça ao fugir do nazismo na antiga Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra Mundial. Cinco décadas depois, era reconhecida como uma das estadistas mais influentes de sua geração. Ontem, os Albrights anunciaram a morte de Madeleine, aos 84 anos.

"A causa foi o câncer", informou a família, por meio de um comunicado. "Incansável defensora dos direitos humanos e da democracia, Madeleine Albright morreu cercada de parentes e amigos", acrescentou a nota.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, descreveu a morte de Albright como "devastadora". "Ela foi uma pioneira", disse. "Como a primeira mulher secretária de Estado, literalmente abriu as portas para grande parte da nossa profissão", assinalou. Ao saber da morte de Madeleine Albright, o presidente Joe Biden declarou: "Ela mudou o curso da história".

Influência

Nascida em Praga, Albright foi escolhida a dedo pelo presidente Bill Clinton para liderar o Departamento de Estado, em seu segundo mandato, depois de brilhar como embaixadora na ONU. Chefe da diplomacia americana entre 1997 e 2001, ela teve uma influência mundial tão significativa que chegou a ser comparada com a da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher na década de 1980. "Madeleine Albright era uma força apaixonada pela liberdade, democracia e direitos humanos", declarou Clinton.

Madeleine extremamente preparada para os cargos que exerceu. Com currículo considerado brilhante, frequentou o Wellesley College, em Massachusetts, e concluiu doutorado na Columbia University. Além do inglês, era fluente em vários idiomas, entre eles tcheco, francês e russo.

Como embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, entre 1993 e 1997) pregou uma abordagem mais severa contra os sérvios na Bósnia, após o cerco a Sarajevo. A posição enfática de Albright a levou a um confronto com o então chefe do Estado-Maior dos EUA, Colin Powell, contrário à ação americana.

Em 1999, durante a intervenção da Otan no Kosovo, ela deixou sua marca no Conselho de Segurança da ONU, onde foi a "única saia no meio de 14 ternos".

Trajetória

Madeleine, que se definia como "refugiada", "colecionadora de broches" e "americana grata" cursava um doutorado em relações internacionais quando seu professor, Zbigniew Brzezinski, tornou-se membro do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e a contratou. Foi seu trampolim para posições de liderança na política internacional.

Embora fosse "uma mulher e uma estrangeira", o que considerava uma dupla desvantagem, não permitia que nenhuma barreira interferisse com suas ambições. "Seja o que você quiser", disse às alunas da Universidade de Georgetown, em Washington, como relatou em suas memórias (Madam Secretary, 2003).

Apelidada de "a dama de ferro", a britânica Thatcher, Albright proibiu qualquer sinal de fraqueza para não reforçar preconceitos de gênero. "Por exemplo, eu nunca chorei, enquanto os homens hoje têm o direito de fazê-lo."

Em fevereiro de 1997, recém-nomeada secretária de Estado, Albright alegou que soube pela imprensa sobre sua origem judia e que seus três avós morreram em campos de extermínio nazistas.

Ela tinha 22 anos quando casou com Joseph Medill Patterson Albright, herdeiro de um grupo de imprensa, com quem teve três filhas em 23 anos de casamento.

Em 2001, após o fim do mandato de Clinton, criou o Albright Group, uma empresa de consultoria em estratégia internacional com sede em Washington. Nunca se afastou da política. No mês passado, em meio aos crescentes rumores de uma invasão russa da Ucrânia, ela assinou uma coluna no The New York Times em que considerava a eventual ofensiva "um erro histórico" do presidente Vladimir Putin.

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