Pandemia

Cidade chinesa determina medida polêmica de separar pais de crianças com covid

Metrópole chinesa determina que menores de sete anos com covid-19 sejam levados a centros públicos de saúde, enquanto aqueles com mais idade se isolem em estabelecimentos de quarentena. Medida, destinada até a bebês, revolta famílias

Correio Braziliense
postado em 05/04/2022 06:00
 (crédito: Hector Retamal/AFP)
(crédito: Hector Retamal/AFP)

As autoridades de Xangai defenderam, ontem, a polêmica medida de separar as crianças com covid-19 de seus pais, uma iniciativa que pretende frear os contágios na metrópole confinada de 25 milhões de habitantes. A capital econômica da China é o atual epicentro do pior foco de coronavírus no país desde o início de 2020, devido à variante ômicron.

Na China, qualquer pessoa que testar positivo para a covid-19 — mesmo que esteja assintomática ou apresente uma infecção leve — precisa ficar isolada dos não infectados. As autoridades de Xangai confirmaram que a medida também se aplica aos menores de idade, inclusive os bebês.

O dispositivo provoca ansiedade e espanto entre as famílias da metrópole. "Se a criança tem menos de sete anos, receberá tratamento em um centro público de saúde", disse Wu Qianyu, diretora do serviço de saúde municipal. "Para as crianças de mais idade ou adolescentes (...), estamos isolando principalmente em locais (de quarentena) centralizados", acrescentou. Ela explicou que "se um dos pais está infectado, poderá acompanhar a criança e cuidar dela em um local especial, onde ambos receberão tratamento". 

Nas redes sociais, várias famílias expressaram indignação com a medida. "Os pais agora precisam 'cumprir condições' (estar infectado) para acompanhar os filhos? É um absurdo! É um direito fundamental", escreveu um morador da cidade na rede social Weibo.

Diversos vídeos não verificados de crianças pequenas e bebês sem acompanhantes em centros de saúde públicos circularam nos últimos dias nas redes sociais. O descontentamento cresce em Xangai diante da incapacidade das autoridades de frear o número crescente de contágios. O Ministério da Saúde anunciou que a cidade registrou mais de 9.000 novos casos em 24 horas, 95% deles assintomáticos.

Depois de várias semanas de confinamentos específicos de complexos residenciais, Xangai decretou, nos últimos dias, lockdowns estritos na parte leste e depois na parte oeste da cidade. O confinamento deveria terminar hoje, mas será prolongado devido ao aumento incessante de casos.

"Vamos continuar fazendo testes, prosseguir com o exame (de casos positivos) e a transferência de pessoas infectadas para centros de quarentena", anunciaram as autoridades de saúde locais. "A cidade continuará aplicando o confinamento até o anúncio de novas medidas", acrescentaram. Diante das restrições, muitos moradores da metrópole reclamam de problemas para conseguir alimentos frescos ou ter acesso a hospitais.

As restrições em Xangai ameaçam afetar a cadeia de abastecimento mundial. O grupo naval Maersk afirmou na sexta-feira que alguns depósitos da cidade permanecem fechados, e os serviços de transporte rodoviário podem ser afetados pelo confinamento.

A China, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez em 2019, é um dos últimos países que mantêm a política de "covid zero", com medidas restritivas severas para erradicar o mínimo foco da doença.

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