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Eleições na França: Macron foca no meio ambiente e Le Pen, "nos mais vulneráveis"

Em reta final da campanha, candidato à reeleição aposta em tema de interesse dos eleitores jovens, que quase levaram o terceiro colocado ao segundo turno. A rival, Marine Le Pen, garante que defenderá "os mais vulneráveis"

Correio Braziliense
postado em 17/04/2022 06:00
 (crédito:  AFP)
(crédito: AFP)

A pauta ecológica dominou, ontem, a campanha de Emmanuel Macron para se manter na Presidência da França. A estratégia é conquistar ambientalistas e jovens — esse último um perfil dos eleitores que, no primeiro turno, votaram expressivamente em Jean-Luc Mélenchon.

O candidato da esquerda quase tirou Marine Le Pen da disputa: recebeu 21,95% dos votos no primeiro turno, contra 23,15% da candidata da extrema-direita. Macron ficou com 27,85% dos votos na primeira etapa e parece, nesta etapa final do pleito, estar se distanciando da rival. Segundo pesquisa publicada pela Ipsos Sopra/Steria, se as eleições fossem ontem, ele venceria com 55,5% dos votos, contra 44,5% de Le Pen. A votação ocorrerá no próximo domingo.

Durante um comício em Marselha, cidade portuária localizada no sul do país e um reduto de Mélenchon, o centrista prometeu tornar a França a primeira "grande nação a sair do petróleo, gás e carvão" e nomear um primeiro-ministro encarregado do "planejamento ecológico". "A política que vou promover nos próximos cinco anos será ecológica ou não haverá política", prometeu. Macron também garantiu que vai investir mais em tecnologias renováveis, alimentos orgânicos e melhorar a eficiência energética das casas.

Le Pen, por sua vez, viajou para uma cidade a oeste de Paris e garantiu que liderará o país como "mãe de família" e defenderá "os mais vulneráveis". A candidata, que disputou com Macron a vaga no Palácio do Eliseu há cinco anos, moderou sua imagem nas eleições de 2022, destacando o aumento do custo de vida e a queda do poder de compra, em vez de se concentrar em seus temas favoritos: islamismo e imigração.

Protestos

O resultado apertado dos votos no primeiro turno indicam que a estratégia pode ter surtido efeito. O tamanho das manifestações ontem contra a candidata, também. Segundo dados oficiais, quase 23 mil pessoas foram às ruas, sob o mesmo slogan "Não à extrema direita de Marine Le Pen", em diferentes cidades francesas — a marcha em Paris mobilizou mais gente, em torno de 9,2 mil. Os organizadores do evento reivindicaram cerca de 40 mil manifestantes na capital e 150 mil em todo o país.

Ainda assim, os números estão bem distantes de 2002, quando 1,3 milhão de pessoas saíram em toda a França para protestar contra a ida de Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, para o segundo turno das eleições, contra Jacques Chirac.

A ocasião foi a primeira passagem bem-sucedida de um candidato da extrema-direita para a etapa seguinte da corrida presidencial, e, segundo analistas, o alto índice de abstenção, 28,4%, facilitou a façanha. Vinte anos depois, o baixo comparecimento às urnas também se repete — cerca de 25% dos eleitores não participaram do primeiro turno.

 


Força também na capital


O eleitorado de Mélenchon reúne diferentes grupos, especialmente jovens entre 18 e 24 anos — mais de um terço votou nele no primeiro turno, segundo análise da Harris Interactive e do Ifop — atentos ao aquecimento global e às "novas lutas culturais da esquerda", como "feminismo" e "antirracismo", indicou uma nota publicada, ontem, pela Fundação Jean-Jaurès. O político de 70 anos ficou em primeiro nas periferias populares de Paris e em grande parte dos territórios ultramarinos.

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