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Gaza contabiliza 11 mortes por hora e falta sacos para cadáveres, diz ONU

Com a suspensão de serviços essenciais feita por Israel, a região corre risco da falta de água e colapso do sistema de saúde pelo corte de energia elétrica

Ondas de fumaça aumentam após um ataque aéreo israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 16 de outubro de 2023. O número de mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza aumentou para cerca de 2.750       -  (crédito: SAID KHATIB / AFP)
Ondas de fumaça aumentam após um ataque aéreo israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 16 de outubro de 2023. O número de mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza aumentou para cerca de 2.750 - (crédito: SAID KHATIB / AFP)
postado em 16/10/2023 10:10

A Agência das Nações Unidas de Assistência e Trabalho para Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) alertou, nesta segunda-feira (16/10), que a Faixa de Gaza contabiliza uma média de 11 mortos por hora. A região é alvo de constantes bombardeios israelenses e está em uma iminente ofensiva terrestre. Desde 7 de outubro, quando o grupo extremista Hamas atacou Israel, mais de 4 mil pessoas morreram, sendo 2.750 em Gaza e 1.400 em território israelense. 

A intensificação dos ataques em Gaza causam preocupação porque a área é densamente povoada. Em 40 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de largura, o local abriga 2,3 milhões de pessoas. "O número de mortos está aumentando. Não há sacos para cadáveres suficientes para os mortos em Gaza", afirmou a agência da ONU.

Segundo a UNRWA, mais de um milhão de palestinos foram obrigados a deixar suas casas. Com a suspensão de serviços essenciais feita por Israel, a região corre risco da falta de água e colapso do sistema de saúde pelo corte de energia elétrica. A ONU descreve a situação em Gaza como uma "catástrofe humanitária inédita".

"As pessoas em Gaza têm acesso severamente limitado à água potável. Como último recurso, elas estão consumindo água salobra proveniente de poços agrícolas, o que suscita sérias preocupações quanto à propagação de doenças transmitidas pela água. Pelo quinto dia consecutivo, Gaza ficou sem eletricidade, levando serviços vitais, incluindo saúde, água e saneamento, à beira do colapso, e agravando a insegurança alimentar", ressaltou a agência.

A UNRWA também tem alertado que os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza continuam por via aérea, marítima e terrestre. Os ataques mataram cerca de 14 funcionários da agência e afetaram 23 instalações de apoio humanitário. Os números, no entanto, podem ser maiores. 

Com o expressivo deslocamento forçado dos palestinos, a agência da ONU destacou que não tem conseguido prestar a ajuda necessária, com espaço nos abrigos, comida, água ou apoio psicológico, por causa da sobrecarga das necessidades e impacto nas estruturas de acolhimento. "A UNRWA continua a defender que o direito humanitário internacional e a proteção dos civis sejam respeitados", frisa.

Corredor humanitário

Para viabilizar a saída das pessoas que estão em zonas de perigo, o Papa Francisco tem defendido a abertura de um corredor humanitário na Faixa de Gaza. "O direito humanitário tem ser respeitado, sobretudo, em Gaza, onde é urgente e necessário garantir corredores humanitários e socorrer a população. Peço, veementemente, que as crianças, os doentes, os idosos, as mulheres e todos os civis não sejam vítimas deste conflito", declarou o pontífice.

A medida também é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do Executivo brasileiro vem negociando pessoalmente a abertura da fronteira do Egito para resgatar 32 brasileiros.

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