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Como boicote após início da guerra em Gaza derrubou vendas do McDonald's

Campanha de boicote de palestinos e outros países contra o McDonald's resultou em problemas financeiros para o grupo.

Como boicote após início da guerra em Gaza derrubou vendas do McDonald's -  (crédito: Getty Images)
Como boicote após início da guerra em Gaza derrubou vendas do McDonald's - (crédito: Getty Images)
BBC
Sam Gruet - Da BBC News
postado em 06/02/2024 17:32

O McDonald's não cumpriu uma de suas metas de vendas, em parte devido ao boicote dos clientes à empresa por seu suposto apoio a Israel.

A cadeia de fast-food noticiou a sua primeira perda trimestral de vendas em quase quatro anos devido ao fraco crescimento na sua divisão de negócios internacionais.

O diretor da empresa reconheceu o impacto do conflito em Gaza, culpando a "desinformação" do público em relação às políticas do McDonald's.

As ações do McDonald's na bolsa americana caíram cerca de 4% após o anúncio.

O McDonalds é uma das várias empresas ocidentais, incluindo a Starbucks e a Coca Cola, que sofreram boicotes e protestos por parte de ativistas anti-israelenses.

A empresa disse que o conflito Israel-Hamas "impactou significativamente" o desempenho em alguns mercados estrangeiros no quarto trimestre de 2023.

No ramo que inclui vendas no Médio Oriente, China e Índia, o crescimento das vendas ficou em 0,7% no quarto trimestre de 2023 – muito abaixo das expectativas do mercado.

Os seus negócios na Malásia, Indonésia e França foram afetados, com o maior impacto sentido no Oriente Médio, disse o presidente-executivo Chris Kempczinski na segunda-feira (30/1).

"Enquanto esta guerra continuar, não esperamos ver qualquer melhoria significativa [nestes mercados]", acrescentou o chefe do McDonald's.

O McDonald's depende de um sistema de franquia no qual milhares de empresas independentes possuem e operam a maior parte de suas mais de 40 mil lojas em todo o mundo. Cerca de 5% dos seus pontos de venda estão localizados no Oriente Médio.

Desde que o Hamas atacou Israel em 7 de outubro, a sede corporativa do McDonald's tem tentado manter-se discreta em relação ao conflito.

Mas sua marca acabou se envolvendo no conflito.

A franquia de fast food tem sido alvo de críticas depois que suas lojas em Israel terem anunciado que distribuiriam milhares de refeições gratuitas a membros do exército israelense, o que gerou apelos ao boicote contra a resposta militar de Israel em Gaza.

Isso levou os proprietários de franquias em países de maioria muçulmana, como Kuwait, Malásia e Paquistão, a divulgarem declarações distanciando-se da empresa.

Kempczinski classificou a reação desses países como "desanimadora e infundada" e atribuiu a culpa à "desinformação".

As vendas globais do McDonald's cresceram pouco menos de 4% no quarto trimestre, abaixo dos 8,8% do trimestre anterior e abaixo da média anual.

A empresa se beneficiou da inflação de preços, registando o seu maior crescimento de vendas nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que aumentou as vendas no Reino Unido, Alemanha e Canadá.

Mas o seu negócio nos EUA registou um crescimento de vendas mais fraco do que o esperado, uma vez que os clientes de baixa renda encomendaram menos alimentos e optaram por itens mais baratos no menu.

Na semana passada, a Starbucks também reduziu a sua previsão de vendas anuais, em parte devido ao menor número de clientes que visitam lojas no Oriente Médio.

O McDonald's disse na segunda-feira que se solidariza com as famílias e comunidades afetadas pelo conflito na região.

A empresa afirmou que "continuaria focada em apoiar o nosso povo e as comunidades locais onde operamos".

O grupo pró-palestino Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que não ainda tinha citado como alvo formal o McDonald's, pediu oficialmente esta semana um boicote à marca.

A medida ocorreu depois que o McDonald's da Malásia, que é apoiado por uma empresa saudita, processou o grupo Malaysia BDS em US$ 1,3 milhão, citando "declarações falsas e difamatórias" que, segundo ele, prejudicaram seus negócios.

O BDS disse que o McDonald's deveria cortar relações com seu franqueado em Israel e na Malásia, a menos que a empresa desistisse do processo.

"Em vez de pressionar a sua empresa-mãe, a McDonald’s Corporation, a rescindir o seu vergonhoso acordo de franquia em Israel, a McDonald’s Malásia e o seu proprietário saudita estão tentando desesperadamente silenciar as vozes de solidariedade pacífica com a luta de libertação palestina na Malásia", afirmou o grupo.

"Não podemos deixar isso passar. Vamos mostrar ao McDonald's o que os boicotes populares podem fazer."

O McDonald's se recusou a comentar o processo.

Na sua mensagem, Kempczinski disse: "Abominamos qualquer tipo de violência e nos posicionamos firmemente contra o discurso de ódio, e sempre abriremos orgulhosamente as nossas portas a todos".

No Brasil, o McDonald's registrou resultados financeiros acima do esperado por analistas de mercado, segundo a agência de notícias Valor Investe. O McDonald’s registrou lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no quarto trimestre de 2023, crescimento de 16,1% na comparação anual.

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