Operação

Bolsonaro na mira da PF: o que disseram Lula e outros após operação que investiga tentativa de golpe

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (8/2) uma operação especial para investigar uma organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado durante as eleições presidenciais de 2022.

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro, durante depoimento à CPMI do golpe, em setembro de 2023 -  (crédito: Reuters)
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro, durante depoimento à CPMI do golpe, em setembro de 2023 - (crédito: Reuters)
BBC
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postado em 08/02/2024 11:07 / atualizado em 08/02/2024 11:38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (8/2) que é um "dado concreto" que houve tentativa de golpe no Brasil.

A afirmação, em entrevista à Rádio Itatiaia, ocorreu na mesma manhã em que a Polícia Federal deflagrou uma operação com buscas e mandados de prisão contra aliados militares ou políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A PF investiga tentativa de golpe de Estado durante as eleições presidenciais de 2022 (leia abaixo mais detalhes sobre a operação).

Ao ser questionado, durante entrevista à Rádio Itatiaia, sobre se teria ocorrido envolvimento de Bolsonaro na suposta tentativa de golpe, Lula respondeu: "Acho que não teria acontecido sem ele."

Lula defendeu, no entanto, a presunção de inocência do ex-presidente. "O que eu acho e que eu quero é que o seu Bolsonaro tenha a presunção de inocência que eu não tive. O que eu quero é que seja investigado e seja apurado. Quem tiver responsabilidade pelos seus erros, que pague seus erros."

"Queremos saber quem é que financiou, quem é que pagou, quem é que financiava aqueles acampamentos, para que a gente nunca mais permita que aconteça o ato que aconteceu no 8 de janeiro", disse Lula.

Até a publicação desta reportagem, Jair Bolsonaro e os filhos Eduardo, Flávio e Carlos não tinham se pronunciado publicamente sobre a operação.

Mas em uma entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-presidente disse: “Saí do governo há mais de um ano e sigo sofrendo uma perseguição implacável. Me esqueçam, já tem outro governando o país”.

Em um post na rede social X (antigo Twitter), o assessor de Bolsonaro Fabio Wajngarten afirmou que o ex-presidente cumprirá as ordens da PF de entregar o passaporte e não manter contato com os demais investigados.

Operação mira Bolsonaro e aliados

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma operação especial para investigar uma organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado durante as eleições presidenciais de 2022.

Ao menos duas fontes confirmam à BBC News Brasil que o ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo da operação e que foi expedido um pedido para que entregue seu passaporte às autoridades.

Pelo menos nove aliados e ex-ministros de Bolsonaro também são alvo da PF na investigação.

Segundo a polícia, houve tentativa de "abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República", Jair Bolsonaro, no poder.

Segundo fontes da PF ouvidas em caráter reservado, aliados e ex-assessores de Bolsonaro foram detidos em prisão preventiva. Outros ex-ministros e aliados são alvo de mandados de busca e apreensão.

Entre os nomes dos ex-assessores detidos em prisão preventiva estão Marcelo Camara, Filipe Martins e Rafael Martins de Oliveira. O militar Bernardo Romão Correa Neto também tem mandado de prisão expedido contra ele, mas está no exterior.

Os generais Heleno e Braga Netto, além de Valdemar da Costa Neto, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira — todos aliados próximos de Bolsonaro — foram alvos de mandados de busca e apreensão.

Policiais federais cumprem as medidas judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos Estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

As apurações apontam que "o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital".

Segundo a polícia, o primeiro eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas eleições de 2022, por meio da "disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022".

O segundo eixo de atuação consistiu na "prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível".

A polícia disse que o Exército brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados, em apoio à Polícia Federal. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

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